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Vacinação

Covid-19. "Não é expectável" que vacina AstraZeneca venha a ser desaconselhada

16 mar, 2021 - 22:33 • Marina Pimentel , Anabela Góis

Válter Fonseca, diretor do Departamento de Qualidade na Saúde da DGS, diz que a "raridade dos casos reportados não obriga a um acompanhamento clínico especial". Até esta altura, foram adminstradas "17 milhões de doses" da AstraZeneca "em segurança na Europa".

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Em declarações à Renascença, o responsável na Direção-Geral da Saúde pela Comissão Técnica de Vacinação contra a Covid-19 afasta uma eventual relação de causa e efeito entre os episódios de doença tromboembólica e a toma da vacina da AstraZeneca, que levaram vários países europeus, Portugal incluído, a suspender preventivamente a administração do imunizante.

Quantos às metas, Válter Fonseca garante que "mais de 80%" da população acima dos 80 anos estará vacinada "até ao fim do primeiro trimestre".

Se houver orientações da OMS para suspender a aplicação da vacina da AstraZeneca, o quê que Portugal vai fazer?

Portugal vai analisar os dados disponíveis e a fundamentação das recomendações das agências internacionais e tomar uma decisão que coloque em primeiro lugar a segurança de todas as pessoas em Portugal. Estas decisões são complexas e têm várias variáveis que têm de ser tidas em atenção: por um lado o benefício da vacinação para a proteção de uma doença grave, a Covid-19, e, por outro lado, o que não pode ser posto em causa que é a vacinação e a segurança dos medicamentos e das vacinas que se utilizam.

Mas tendo em conta que esta é a vacina que comprámos em maior número, qual é a alternativa para Portugal, se se vier a concluir que os efeitos adversos da vacina desaconselham a sua administração? A quem podemos comprar outras vacinas?

Tudo indica que estes casos sejam tão raros... estes casos de fenómenos trombóticos e hemorrágicos graves que foram registados na Europa. Não é expectável que se atribua uma relação de causalidade que venha a desaconselhar a utilização desta vacina.

Já foram administradas 17 milhões de doses administradas em segurança na Europa pelo que essa é uma situação que tem de ser analisada com cautela, mas não me parece que, nesta fase, se possa colocar essa hipótese como uma preocupação real antes de analisados os dados que estão a ser estudados pela Agência Europeia de Medicamentos.

Mas nesta altura há vários países – entre os quais Portugal – que têm a aplicação desta vacina suspensa, para que ela possa voltar a ser administrada tem de haver uma recomendação por parte da Agência Europeia do Medicamento.

Tem que haver o esclarecimento que não há relação entre a administração da vacina e os casos reportados. A EMA mantém a vacina aprovada e com autorização para comercialização não está aqui em causa uma suspensão por duvidas com o medicamento em si, se não a EMA já se teria pronunciado... O que está em causa é uma pausa de prudência até se determinar de forma definitiva se estes casos reportados, pela sua gravidade, estão ou não relacionados com a vacina.

Tendo em conta a urgência da vacinação, esta pausa pode prolongar-se por quanto tempo? Qual é a expectativa?

Neste momento não sabemos. O que é do conhecimento das autoridades de saúde é que EMA está a analisar estes dados e tomará uma decisão ao longo desta semana. Estamos convictos de que a decisão será conhecida nos próximos dias. É difícil prever, porque a análise desta situação tem de ser feita de forma a que não restem dúvidas.

A quantas pessoas foi ministrada em Portugal? Estão a ser monitorizadas?

A raridade dos casos reportados não obriga a um acompanhamento clínico especial, são de facto muitíssimo poucos casos relativamente ao número de pessoas vacinadas pelo que a mensagem é de tranquilidade: se colocarmos de um lado as pessoas vacinadas e do outro o número reduzido de situações em que isto aconteceu. A mensagem é de tranquilidade e por isso a recomendação é para estar alerta relativamente a algum sintoma menos habitual que possa surgir na sequência da vacinação e, nesse caso, como acontece com os medicamentos as pessoas devem recorrer ao seu médico assistente.

Qual é a percentagem de pessoas com mais de 80 anos que já foram vacinadas?

Estamos a administrar as vacinas às pessoas que mais delas necessitam, em termos de risco para a Covid-19, e vamos cumprir os indicadores: vamos conseguir vacinar mais de 80% das pessoas com mais de 80 anos até ao fim do primeiro trimestre.

E em relação às pessoas com mais de 50 anos com comorbilidades?

O calendário é sempre dependente do número de vacinas disponíveis. Com esta pausa preventiva relativa à vacina da AstraZeneca é natural que o calendário tenha de ser ajustado. De qualquer forma tudo faremos para que o mais rapidamente possível as pessoas sejam vacinadas.

Ponderam mudar alvo?

É precoce estabelecer qualquer orientação nesse sentido, a mensagem que é relevante por ser aquela que está demonstrada cientificamente é que todas as vacinas aprovadas previnem a Covid-19, previnem a Covid-19 grave e evitam os internamentos e por isso são uma forma muito eficaz de salvar vidas. Não há, neste momento, evidência de que as vacinas devam ser administradas de forma diferente a diferentes pessoas.

Num cenário em que a vacina da AstraZeneca seja desaconselhada, o quê que acontece a quem já recebeu a primeira dose?

É uma situação que está a ser acompanhada e estudada, de qualquer forma o intervalo entre a 1ª e a 2ª dose da vacina da AstraZeneca recomendada em Portugal é de 12 semanas. Atendendo a que estamos a contar com posições mais definitiva nos próximos dias pensamos que vamos recuperar a vacinação com esta vacina antes de se colocar o problema das segundas doses.

Face a esta complicação relativamente aos efeitos colaterais da AstraZeneca e aos atrasos de fornecimentos que têm sido anunciados por outras farmacêuticas acredita que se vai cumprida a meta de termos 70% da população vacinada até ao verão?

Tudo está a ser feito para que o maior número de pessoas seja vacinada o mais rapidamente possível. Há questões, naturalmente, doses disponíveis que interferem com a planificação, mas tudo tem sido feito em Portugal para com a flexibilidade possível no plano logístico se possa continuar a lutar pelo atingimento desses objetivos.

Comentários
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  • Cidadao
    17 mar, 2021 Lisboa 10:52
    Claro que não. Isto pouco ou nada tem a ver com a saúde das pessoas ou o melhor estudo dos efeitos secundários. Tem mais a ver com a ruptura de stocks de vacinas e a impossibilidade de cumprir os planos de vacinação, face à constante diminuição das entregas pela AstraZeneca. Não há coragem politica nem para quebrar a patente e começar a produzir a vacina em massa fora dos laboratórios actuais, nem para cativar toda a produção das fabricas de vacinas em território da UE - há 4 fábricas e só 1 está a produzir para a UE, todas as outras são para exportar, e as fabricas fora da UE têm a produção cativada e impedida de mandar vacinas para cá. Então como só falam e não actuam, para se eximirem às criticas, vêem agora com esta conversa de "suspensão" que todos vemos é para tentar repor um mínimo de stock, pois é óbvio que isto não vai dar em nada e a vacinação com Astrazeneca continuará, mal haja stock suficiente.

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