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Guerra no Médio Oriente

Ataques a Guterres foram "injustos", diz subsecretário-geral da ONU

15 nov, 2023 - 08:19 • Lusa

António Guterres disse que os ataques do grupo islamita Hamas "não vieram do nada", lembrando que os palestinianos foram "sujeitos a 56 anos de ocupação sufocante", um discurso fortemente criticado.

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O subsecretário-geral da ONU Jorge Moreira da Silva considerou "injustos" os ataques do Governo israelita a António Guterres e realçou o "verdadeiro orgulho" e "grande apoio" que os funcionários das Nações Unidas têm manifestado ao secretário-geral.

"Eu achei injusto e, tal como o secretário-geral referiu na altura, [as críticas israelitas] foram surpreendentes, na medida em que a argumentação que [Guterres] utilizou - e que nós [chefes de agências da ONU] temos utilizado - tem sido sempre a mesma", disse Moreira da Silva, em entrevista à Lusa, em Nova Iorque.

A retórica da ONU tem sido pautada, segundo o subsecretário-geral, por "uma fortíssima condenação aos ataques perpetrados pelo Hamas, ataques hediondos, horrendos, que não têm perdão e, portanto, uma condenação cabal" dos mesmos, e também pela "exigência da libertação sem qualquer tipo de condição dos reféns israelitas".

Porém, quer António Guterres, quer vários funcionários da ONU, têm feito afirmações claras em torno de outras duas dimensões: "primeiro, os palestinianos não podem sofrer uma punição coletiva pelos crimes perpetrados pelo Hamas, porque não faz qualquer sentido confundir os civis palestinianos com o Hamas", reiterou o subsecretário-geral, que é também diretor executivo do Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (UNOPS). Em segundo lugar, "uma claríssima afirmação de que até as guerras têm regras e que infraestruturas civis não podem ser atacadas, os civis não podem ser atacados e a ajuda humanitária tem que poder chegar em condições de segurança a todos os cidadãos mais necessitados", acrescentou.

O líder das Nações Unidas tem feito nas últimas semanas apelos por um cessar-fogo humanitário na guerra entre Israel e o Hamas que transformou a Faixa de Gaza "num cemitério de crianças" palestinianas, segundo as suas palavras, e, numa reunião do Conselho de Segurança, afirmou que os ataques do grupo islamita "não vieram do nada", lembrando que os palestinianos foram "sujeitos a 56 anos de ocupação sufocante".

Declarações como esta desencadearam duras críticas de Israel a Guterres, com o Governo de Telavive a pedir a sua demissão do cargo de secretário-geral da ONU por considerar que está a justificar e a defender as ações do Hamas, um grupo considerado terrorista pela União Europeia e pelos Estados Unidos.

Após os ataques israelitas, seguiu-se uma onda de apoio ao secretário-geral, que, segundo Moreira da Silva, regista-se não apenas no seio das Nações Unidas, mas também por parte da "população em geral".

"Posso-lhe dizer que não me recordo de um momento de tão grande apoio a um secretário-geral das Nações Unidas como neste momento, seja por parte dos funcionários, que têm sentido um verdadeiro orgulho na forma firme como ele tem afirmado os seus pontos de vista em relação à mudança climática e agora em relação a estes conflitos, seja da parte da população em geral", declarou.

Questionado sobre se a tensa relação entre Israel e Guterres afeta de alguma forma a capacidade da ONU de mediar este conflito, o líder da UNOPS avaliou que não.

"Não, pelo contrário. Acho que isto coloca a ONU como uma organização fundamental no apoio àqueles que mais necessitam. Nós estamos no terreno, nós estamos lá para ajudar aqueles que mais necessitam", defendeu.

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