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"O Luxemburgo não seria o que é hoje sem a comunidade portuguesa"

19 abr, 2023 - 12:25 • Pedro Valente Lima

O primeiro-ministro luxemburguês, Xavier Bettel, agradeceu aos portugueses e lusodescendentes que "ajudaram a erguer o país".

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"O Luxemburgo não seria o que é hoje sem a comunidade portuguesa"

Em visita ao Parlamento Europeu, esta quarta-feira, o primeiro-ministro luxemburguês realçou a importância da migração, nomeadamente a portuguesa, para a construção da identidade do país.

Numa conferência de imprensa, acompanhado pela Presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, Xavier Bettel começou por saudar as perguntas dos jornalistas portugueses presentes, com um claro "muito obrigado".

Questionado sobre o impacto da comunidade portuguesa no seu país, o chefe do executivo luxemburguês começa por dar o exemplo da visita recente de António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa, em março, recordando o embate entre Portugal e Luxemburgo na fase de qualificação para o campeonato europeu de futebol masculino de 2024.

"Acabámos de receber o Presidente e também o primeiro-ministro de Portugal no Luxemburgo. Fomos muito diplomáticos, mesmo depois da partida de futebol", brincou.

De seguida, Xavier Bettel agradeceu aos portugueses que "ajudaram a erguer" o seu país: "O Luxemburgo não seria o que é hoje sem a comunidade portuguesa".

O líder do governo luxemburguês lamentou que "alguns partidos políticos na Assembleia [Parlamento Europeu] tentem fazer das migrações um problema", apontando não só o exemplo português, como até do próprio Luxemburgo, de maneira a sublinhar a importância das comunidades de migrantes para a construção e identidade dos países.

"O meu país, um terço do meu país, migrou para os EUA no século XIX. Quase toda a gente se esqueceu disso. E o meu país não seria o que é hoje sem as migrações."

Exemplo da valorização destas comunidades foi a campanha levada a cabo no Luxemburgo, no passado mês de março, para que os imigrantes portugueses se registassem para votar nas eleições locais - ação que contou até com as presenças de António Costa e de Marcelo.

"Porque abrimos as eleições locais a todos. Se são cidadãos europeus e vivem no país, têm o direito de votar nas eleições locais", apontou.

Um "manto de retalhos de sucesso"

Bettel enfatizou ainda o sentimento nacional de muitos portugueses e lusodescendentes no Luxemburgo, que atravessa já várias gerações de movimentos migratórios para o país.

"A maioria deles, de terceira geração, são agora luxemburgueses, [mas] ainda com as suas raízes, a sua cultura e as suas tradições. Mas também sentem que o Luxemburgo é a sua casa."

Além da população portuguesa e lusodescendente no país, o chefe do executivo aproveita para mostrar a sua gratidão para com todas as comunidades de migrantes que contribuem para o "manto de retalhos de sucesso" que é o Luxemburgo.

Por outro lado, Xavier Bettel destacou a preponderância da livre circulação na Europa, não só a propósito das migrações, mas também dos trabalhadores deslocados, indicando que 200 mil pessoas viajam diariamente para trabalhar no Luxemburgo.

O líder do governo luxemburguês recordou ainda a crise da Covid-19, em que, "se a França tivesse fechado as fronteiras" com o país, "as pessoas teriam morrido nos hospitais". "Nós recebemos franceses nos nossos hospitais", apontou.

"É por isso que é importante haver a possibilidade de termos parceiros. Não concorrentes, mas sim parceiros. Isso é a Europa para mim e não o contrário", rematou.

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