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Afeganistão

Bandeira talibã já voa na fronteira com o Paquistão

14 jul, 2021 - 18:40 • Filipe d'Avillez

O grupo jihadista tem conquistado grandes quantidades de território perante o colapso das forças armadas afegãs, agora desprovidas da ajuda americana.

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A bandeira dos talibã já voa sobre um dos mais importantes postos fronteiriços entre o Afeganistão e o Paquistão.

Durante a noite forças talibã atacaram a cidade de Spin Boldak e, segundo relatos locais, esta caiu no espaço de horas, com muitos dos soldados afegãos a renderem-se ao primeiro sinal de confronto.

Embora o Governo em Cabul o negue, as forças jihadistas dizem que conseguiram ocupar a cidade toda no espaço de três horas, tendo-se registado a morte de quatro soldados. Fotografias colocadas nas redes sociais usadas pelo grupo mostram militantes sentados nos escritórios dos edifícios governamentais, diante de montes de dinheiro saqueados à alfândega.

O posto fronteiriço de Spin Boldak é o segundo mais importante do país e é por lá que passa grande parte do comércio e dos bens que entram no Afeganistão, o que torna esta a vitória estrategicamente mais importante dos taliban desde que começaram novamente a conquistar terreno, depois de as forças americanas terem começado a abandonar o país.

Esta quarta-feira a bandeira do grupo – branca com inscrição a negro da Shahadah, o juramento islâmico de que não há outro Deus senão Deus e que Maomé é o seu profeta – já podia ser vista a sobrevoar a passagem da fronteira, do lado afegão.

O Paquistão selou a fronteira e não se sabe como, nem quando, o comércio poderá ser reaberto. Caso chegue a ser, contudo, isso resultará numa importante fonte de rendimento para os jihadistas. A sua presença junto à fronteira é ainda uma fonte de preocupação para o Paquistão, visto que os talibã gozam de muito apoio naquele país, de onde são oriundos muitos dos seus combatentes.

A forma como o exército afegão está a capitular diante do avanço taliban faz recordar a expansão do autoproclamado Estado Islâmico no Iraque, em 2013, altura em que a segunda maior cidade do país foi ocupada praticamente sem resistência por parte do exército iraquiano. Foram precisos anos para recompor as Forças Armadas do Iraque e conseguir reconquistar o território, mas depois de vinte anos no Afeganistão, e com a retirada total anunciada para o final de Agosto deste ano, Washington poderá não estar interessada em investir mais tempo, dinheiro e vidas no apoio ao Governo afegão.

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  • Cidadao
    14 jul, 2021 Lisboa 19:42
    Os Camónes estiveram lá 20 anos a ajudar e a treinar o exército afegão, e quando deixados por sua conta, aos primeiros tiros que ouvem, rendem-se logo? Ou os Camónes afinal não treinaram coisa nenhuma e o dinheiro das ajudas foi parar a certos bolsos, ou aquela malta é toda "Taliboa" e renderam-se aos amigos.

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