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Cimeira Social do Porto

Autoridades europeias saúdam Cimeira Social "revolucionária"

07 mai, 2021 - 21:13 • Lusa

Após o discurso do primeiro-ministro português, os compromissos em torno do emprego que saíram da Cimeira Social do Porto foram bem acolhidos pela comunidade europeia.

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A Cimeira Social do Porto desta sexta-feira foi recebida com elogios por parte das altas autoridades europeias,depois do discurso de António Costa que encerrou o encontro de líderes na Alfândega do Porto.

Definida pela presidência portuguesa como ponto alto do semestre, a Cimeira Social teve no centro da agenda o plano de ação do Pilar Europeu dos Direitos Sociais, apresentado pela Comissão Europeia em março, que prevê três grandes metas para 2030: ter pelo menos 78% da população empregada, 60% dos trabalhadores a receberem formação anualmente e retirar 15 milhões de pessoas, cinco milhões das quais crianças, em risco de pobreza e exclusão social.

O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, defendeu que a União Europeia (UE) deve "consolidar e fortalecer" a capacidade para a fraternidade face às "grandes transformações" que estão em curso a nível global.

"Este momento inscreve-se numa intuição que tivemos (...) de que as grandes transformações, climática e digital, (...) devem levar-nos a consolidar e fortalecer a capacidade para a fraternidade europeia, para essa famosa promessa europeia, que foi construída nas ruínas da Segunda Guerra Mundial, [que vê] a paz e a prosperidade enquanto pedras basilares da dignidade e da liberdade pessoal, da capacidade de agarrar o destino com as próprias mãos", apontou Charles Michel, no Porto.

O presidente do Conselho Europeu reconheceu que, depois de ter ouvido os parceiros sociais durante a Cimeira Social, os líderes europeus e representantes da sociedade civil podem "não partilhar necessariamente as mesmas ideias e a mesma abordagem", mas podem "ouvir-se uns aos outros", "concordar nos pontos principais" e na "direção" que querem dar ao projeto europeu. .

Charles Michel terminou citando a música "Grândola Vila Morena", do cantautor José Afonso, para ilustrar o que deseja para o futuro da UE.

"Quero concluir com algumas palavras de José Afonso: "em cada esquina, um amigo, em cada rosto, igualdade". É esse o meu desejo para o projeto europeu", apontou.

Confiança na cimeira e elogios à presidência portuguesa

O comissário europeu do Emprego e dos Direitos Sociais, Nicolas Schmit, classificou a Cimeira Social do Porto como um "momento revolucionário" para a área social na União Europeia (UE), que dará uma "mensagem forte" pós-crise da covid-19.

"Acho que é um compromisso muito bom e, como mostrado por esta reunião, este é um momento revolucionário, que dita uma direção, e ter o apoio de todos dá-me realmente muita confiança", afirmou Nicolas Schmit.

Falando em entrevista à agência Lusa no final da Cimeira Social, no Porto, o comissário europeu da tutela admitiu que, apesar de "algumas diferenças" entre líderes políticos, institucionais e parceiros sociais, "todos estão cientes de que, especialmente devido a esta crise, a esta crise muito especial, é necessária uma mensagem forte sobre a Europa social".

"Temos que inserir a dimensão social nas nossas políticas, isso é esperado de fora. E eu acho que se queremos reconstruir a confiança, a confiança entre os cidadãos para o pós-pandemia, para a recuperação, isso é extremamente importante", vincou Nicolas Schmit.

Já o vice-presidente executivo da Comissão Europeia, Valdis Dombrovskis, saudou o "muito bom resultado" da Cimeira Social, que permitirá agora "começar a trabalhar" para adotar políticas sociais e garantir uma recuperação económica "inclusiva" na União Europeia (UE).

"Antes de mais, gostaria de agradecer à presidência portuguesa [da União Europeia] por uma excelente cimeira. Foi um grande prazer estar aqui e também pelo muito bom resultado da cimeira com a assinatura de um compromisso social mais amplo", afirmou o responsável no executivo comunitário com a pasta de "Uma economia ao serviço das pessoas".

Valdis Dombrovskis vincou que o compromisso alcançado "foi um resultado importante para a Comissão Europeia", dado a cimeira ter "endossado o plano de ação sobre a implementação do Pilar Europeu dos Direitos Sociais".

"Portanto, agora podemos realmente começar a trabalhar e implementar um plano de ação. E estamos basicamente a levar adiante o trabalho iniciado já em 2017 em Gotemburgo com a proclamação do pilar social, também ajustando-o às circunstâncias atuais", assinalou.

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