“Os museus não são bons com as tecnologias, e o caminho não passa por criar um espelho do museu no site”, quem o diz é Beatrice Leanza, a diretora do Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (MAAT), que deseja o regresso do público ao museu. No dia em que deu a conhecer a programação para 2021, a responsável admite que os museus estão a “20% da sua capacidade” em termos de visitantes.

Para o próximo ano, e admitindo qualquer imprevisto devido à pandemia, a equipa do MAAT programou duas grandes exposições e uma instalação. “São exposição longas”, explica Beatrice Leanza, que aponta que “exposições curtas não são ecológicas”. É com o olhar centrado na preservação ambiental que também foi pensada a programação.

A partir de março de 2021, será apresentada a instalação “Earth Bits” e as exposições “Aquária” e “X não é um país pequeno”.

Numa conferência de imprensa virtual, a diretora do MAAT explicou que a instalação criada pelo atelier italiano DotDotDot lança um olhar sobre “a crise climática, as suas implicações políticas e sociais”.

Esta instalação que vai ocupar vários espaços do MAAT, a começar no foyer, vai ser apresentada em várias fases até 2022. O trabalho do coletivo italiano conta com a colaboração científica da Agência Espacial Europeia e da Agência Internacional de Energia, bem como com o apoio da EDP Inovação e da Direção de Sustentabilidade do Grupo EDP.

Paralelamente, o MAAT vai promover, entre abril e dezembro de 2021, um programa sobre a emergência climática que terá a curadoria de T.J. Demos e no qual participarão, entre outros, nomes como Paulo Tavares ou Susan Schuppli.

"Vivemos tempos críticos, e os museus são arenas públicas que devem servir para o debate dos temas atuais”, refere Beatrice Leanza sobre esta incidência nos temas em torno do ambiente.

A diretora apresentou ainda as duas grandes exposições, que terão lugar a partir de 18 de março.

“Aquária – On the Ilusiono f a Boxed Sea” tem a curadoria de Angela Rui e design expositivo do estúdio 2050+ de Ippolito Pestellini Laparelli. A exposição, que vai contar com 11 instalações, vai refletir sobre o aquário enquanto objeto onde se reúne o “mundo debaixo de água”.

Toda a cenografia desta mostra “usa elementos da indústria dos aquários”, explicou a diretora do MAAT.

A exposição conta com uma colaboração com o Oceanário de Lisboa devido a uma encomenda feita a Armin Linke, que realizou um filme nos bastidores daquele aquário.

A segunda exposição a apresentar, também a partir de 18 de março, e até 16 de setembro, chama-se “X não é um país pequeno” e teve como inspiração um mapa de Portugal da época colonial, de Henrique Galvão, que promovia a ideia de nacionalista do Estado Novo, de Portugal como uma nação "pluricontinental".

Esta exposição que tem como subtítulo “Desvendar a Era Pós-Global”, tem a curadoria de Aric Chen com Martina Muzi, e apresenta nove instalações sobre o mundo pós-globalizado.