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Hora da Verdade

Mariana Mortágua. “A ideia de Marcelo é a de reconstituição de um Bloco Central"

23 nov, 2017 - 00:17 • Eunice Lourenço (Renascença) e David Dinis (Público)

“As divergências que temos com o PS não se alteraram, pelo contrário”, lamenta Mariana Mortágua, assinalando onde o Governo está a desiludir o Bloco. Já com Marcelo não há surpresa: quer refazer um bloco central e isso vai ser “mais evidente”.

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Mariana Mortágua. “Centeno usou uma retórica da direita, perigosa e moralista”
Mariana Mortágua. “Centeno usou uma retórica da direita, perigosa e moralista”

Hora da Verdade com Mariana Mortágua:


Só os votos ditarão se o BE vai para o Governo. Mas as diferenças com o PS acentuam-se nos serviços públicos e leis laborais, para além da UE, diz a dirigente bloquista em entrevista ao programa Hora da Verdade. Uma entrevista em que Mariana Mortágua diz que o ministro das Finanças usou uma "retórica da direita", "perigosa" e "moralista", que limita direitos laborais, e antecipa o que o Bloco vai fazer na votação do Orçamento do Estado.

Passados dois anos deste Executivo, sente que o Bloco está mais perto ou mais longe de integrar um Governo?

(Risos) Penso que... penso que a questão não pode ser colocada dessa forma. A integração do Bloco num Governo do PS não é uma questão de boas ou más relações com o Governo, não é uma questão desta experiência correr bem ou menos bem. Nós fizemos um acordo com o PS com base num objectivo muito concreto: recuperar rendimentos e travar a terraplanagem de direitos sociais em Portugal. E tem havido ganhos. E acho que o país sente os resultados desse acordo que fizemos. Mas as divergências que temos com o PS não se alteraram, pelo contrário. Entendemos hoje que há uma série de campos onde era possível ir e o PS, infelizmente, não chegam a esses sítios. Nalguns sítios até com.... é um pouco, não chamaria uma desilusão, mas há sítios onde se esperaria mais.

Tais como?

O investimento em serviços públicos é um deles. É evidente que os serviços públicos precisam de um reforço muito importante de investimento e que esse reforço não está a ir tão longe quanto era preciso que fosse. Nas leis laborais era importante reverter o que foi feito durante a troika e que tem precarizado as relações laborais e contribuído para baixar os salários. E essa reversão não foi feita - quanto mais ganhos para além da reversão. E isto independentemente de outras questões que temos sobre regras europeias, tratado orçamental, dívida pública - que condicionam o dia-a-dia e têm traduções muito práticas, que é esta: é a Saúde que precisa de investimento e não tem, a Educação. Nestas áreas o PS não foi até agora tão longe quanto se esperaria. E quando analisamos a pertença ou não pertença, a ida ou não ida para um Governo, não discutimos lugares, discutimos políticas.

Portanto, neste momento não haveria condições para ir para este Governo?

Elas não existiram à partida. Quando precisámos de negociar dívida pública e não foi possível negociar uma proposta para reduzir o peso dos juros na dívida que tem asfixiado a economia portuguesa; quando foi preciso negociar mais margem orçamental e não foi possível, porque há margens orçamentais demasiado exigentes - e desnecessárias; quando foi necessário negociar outras medidas e não foi possível.

Acha que alguma vez essas condições vão existir? Com as regras europeias que existem?

(silêncio) Nenhuma regra é imutável. As regras são feitas por políticos e são um reflexo de relações de forças. E de maiorias. Aquilo que determinará a capacidade do Bloco para fazer valer as suas políticas é a força que tiver em eleições.

Acha que uma eleição de Mário Centeno para o Eurogrupo podia ajudar a mudar regras?

Eu penso que isso é muito pouco...

Provável?

Não é questão de ser provável, não entendemos que uma eleição para o Eurogrupo funcione como uma espécie de promoção da qual Portugal tire algum tipo de vantagem. Até hoje o Eurogrupo foi uma instituição que tem servido para pressionar as economias mais frágeis e para impor as políticas mais absurdas e prejudiciais aos interesses dos países mais frágeis. Não me parece que vá mudar a sua natureza. Tenho imensas dúvidas de que, seja quem for a personalidade, possa alterar essa natureza.

Começámos esta entrevista falando do Presidente, voltamos a ele: antes da apresentação deste Orçamento ele alertou contra um Orçamento eleitoralista, esta semana voltou a falar que é preciso saber quanto custam as reposições de carreira. Pelo meio tivemos os incêndios. Acha que o Presidente começou a voltar costas a esta maioria?

Eu não gosto de me colocar no papel de comentadora, muito menos de interpretar intenções ou acções. Sempre me pareceu que o Presidente e a sua ideia seria a ideia de reconstituição de um Bloco Central. Para além de questões mais conjunturais. Portanto, é de esperar que, tendo em conta a conjuntura partidária...

As mudanças no PSD?

Entre outras coisas. É de esperar que essa tendência quase natural do Presidente da República se venha a manifestar. Não é nada de surpreendente, acho que é até bastante expectável.

Em 2019?

Ah, mas isso é um nível de previsão, calendarização... (risos)

Estamos a falar de Marcelo Rebelo de Sousa.

Bem sei (sorriso). Cada um terá os seus planos muito bem feitos, muito detalhados. Mas falo de tendências gerais: penso que a ideia que preside à acção do PR é a ideia de um Bloco Central. Penso que é essa a ideia de estabilidade que quer promover e a ideia de validar um certo discurso que, do ponto de vista retórico, não se distancia muito - embora numa versão mais light - da retórica da direita sobre a crise, sobre a reposição dos direitos, rendimentos. É expectável que essa aproximação venha a ser cada vez mais evidente no futuro.

E acha que o PS cederá?

Tudo dependerá da relação de forças. Não há cartas marcadas neste jogo, dependerá da força que cada partido tiver no futuro. E sobre o PS, só o PS pode responder.

Comentários
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  • ESQUERDELHOS TANGA
    22 jan, 2018 Lx 15:49
    A kamarada Marina é patusca...está com ciúmes dos xuxas...mas ela até nem come carne mas apenas legumes...uns tristes estes berloques de esquerda...Só defendem a porcaria.... Quem sai aos seus não degenera...É ver as imagens na net do papá desta alapada à teta do estado...
  • Eborense
    23 nov, 2017 Évora 19:22
    Ó Mariana. Pensa com a cabeça! Achas que o Prof. Marcelo gostaria de uma aliança do partido dele, com um partido que onde toca, estraga? Nem penses. Alianças com o PS só partidos que ajudem a estragar, que é caso do teu e o do camarada Jerónimo Young-Un.
  • André Souza
    23 nov, 2017 Vila Pouca de Aguiar 14:27
    Ouvi a entrevista. A direita é sempre o bicho papão. Esta menina ainda não entendeu que os ideais que tanto apregoa deram porcaria nos países onde se aplicam. Além do mais digo-lhe que vocês e a cdu, não são de esquerda....mas sim "esquerdalha". Eu sou de esquerda e não me revejo nesse discurso de ataque à direita, à direita...agora até o sr PR quer o Bloco Central,,,,,,Isto já se prepara para o rasgar do compromisso. Ora partidozecos mais fascistas que os fascistas. NãO!
  • cg
    23 nov, 2017 portugal 14:06
    Quem é esta mulher? Lá que é estranha é!
  • F. Almeida
    23 nov, 2017 Porto 05:32
    Permito-me ir mais longe do que a Senhora Deputada Mariana Mortagua: a ideia do Senhor Presidente não é a constituição de um Bloco Central. A ideia é a formação de qualquer coisa mais do que isso.Não é por acaso que o senhor Presidente tem andado aos beijos e aos abraços a toda a gente, a tecer muitos elogios à Igreja e num compasso de espera na expectativa de ver o PSD em mãos que lhe convenham.....Não é novidade para quem teve a pachorra de o ouvir ao longo dos anos como comentador, com o previle'gio de não ter contradito'rio, alia's, situação inadmissivel em democracia. Sera' que vai conseguir?Não sou adivinho,mas como ja' ca' ando .ha' muito tempo e conheço o povo a que pertenso penso que não.

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