Tempo
|
Tudo o que precisa de saber sobre o Mundial 2022 Últimas Notícias Mundial 2022
Tudo o que precisa de saber sobre o Mundial 2022 Últimas Notícias Mundial 2022
Tudo o que precisa de saber sobre o Mundial 2022 Últimas Notícias Mundial 2022
A+ / A-

Miguel Sousa Tavares e os incêndios. “Tive vergonha de ser português"

20 out, 2017 - 21:29 • Maria João Costa

Escritor é o homenageado do “Escritaria” e o entrevistado do “Ensaio Geral”.

A+ / A-

Leia também:


Em entrevista ao “Ensaio Geral”, da Renascença, Miguel Sousa Tavares fala da actualidade e de como sentiu vergonha de ser português na sequência dos fogos que atingiram o país e defende benefícios fiscais para quem queira ir viver para o interior do país.

No seu trabalho como comentador tem uma exigência diária, lê muito. Perante a actualidade sente o dever de dar um olhar diferente, distante?

Tento fazer. Tento situar-me como comentador tanto no “Expresso” como na SIC num registo que não seja o da política de todos os dias, a pequena política. Eu nunca estive envolvido na politica, a politica partidária não me interessa. A mim o que me interessa é a substância da política. Como é que Portugal vai enfrentar o problema dos incêndios? Se de facto vamos mudar de paradigma de abordagem ou não. Interessa-me as ideias, não me interessa a conjuntura dos dias. O que me interessa é perceber se Marcelo e Costa, um de cada vez ou os dois ao mesmo tempo, se coincidem ou não no diagnóstico que é preciso fazer pela floresta e prevenção de incêndios.

Há uma oportunidade para Portugal em fazer essa reflexão, mas também passar à acção?

É mais do que uma oportunidade. É uma obrigação. Nós fomos enxovalhados aos olhos do mundo. Quem tenha lido a imprensa estrangeira nestes dias tinha vergonha de ser português. Eu tive vergonha de ser português. Portanto, não é uma oportunidade. É uma obrigação! Ou nós enfrentamos o lobby das celuloses ou continuamos - políticos, governantes, autarcas e jornalistas - a sermos comprados por eles e vermos o país a arder.

Mas o que diz a uma população do interior que tem num eucaliptal a sua única fonte de rendimento?

Essa é a armadilha das celuloses. Dizem: “Tens aqui dois hectares, isto não rende nada, já não fazes agricultura, se puseres eucalipto dentro de 5, 6 anos estás a vender-me a madeira e, se correr bem, tu ganhaste dinheiro mas se correu mal ardeu tudo... não te pagamos um tostão. É um problema cultural, muito profundo, mas leiam o que o arquitecto Ribeiro Teles disse há 41 anos. Ele disse tudo o que ia acontecer. É um mestre do pensamento que eu tenho. Aquele homem tinha razão e ninguém o ouviu. Lembra-se dele falar das hortas comunitárias urbanas? Hoje em dia é um sucesso. Ele disse que construímos auto-estradas em vez de plantarmos e que os espanhóis iam aproveitar as estradas para trazerem os produtos deles... tudo aconteceu! Quando falo em mudança de paradigma é o país que tem de voltar a ocupar o seu interior. Não pode ser só para fazer urbanizações para viverem os velhos da Europa reformados e campos de golfe. Temos de ocupar o interior. Quando despovoamos aquilo que levou anos a povoar, estamos a regredir séculos. Ou ocupamos o interior e pagamos por isso, em vez de dar privilégios todos os funcionários públicos que querem estar em Lisboa ou no Porto, pagamos para as pessoas estarem no interior por via fiscal ou então desistimos do país.

Leia aqui a segunda parte da entrevista sobre o seu lado de escritor.

Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

  • couto machado
    22 out, 2017 porto 17:07
    Acredito que tenha vergonha de ser português; não mexeu uma palheira para ir combater os fogos.... ouvi outro dia na sic este comentador de meia tijela dizer que o que aconteceu cá foi pior que o que aconteceu no Iraque.. Sim senhor. Uma autêntica cebecinha pensadora.
  • rosinda
    22 out, 2017 palmela 11:59
    O interior precisa de ser repovoado ! O estado de ano para carrega camiao tir de pesssoas do interior para cidade a muito que o estado desistiu do resto do pais!
  • R.A.
    21 out, 2017 Porto 20:58
    Teve? Então tem uma boa solução, mude de nacionalidade, porque muitos portugueses nem darão pela sua falta.
  • fanã
    21 out, 2017 aveiro 19:04
    Não tenho vergonha de ser Português mas sim de ser assimilado por outros , a classe de incompetentes com poderes de decisão !
  • Pedro Silva
    21 out, 2017 Lisboa 18:39
    Eu tenho vergonha de Miguel Sousa Tavares.
  • santos
    21 out, 2017 leiria 14:11
    Eu tenho vergonha de ter gente como tu no nosso país, e de ter políticos como temos
  • Abel
    21 out, 2017 Bel 12:08
    Eu também tenho vergonha QUE TU SEJAS PORTUGUÊS! Eu não tenho vergonha de ser português! Eu não tenho culpa que o país esteja governado por uma geringonça. Quem é a favor da Geringonça é que tem vergonha de ser português. O que eu sinto é tristeza porque quem nos governa são desumanos. Não é possível um ser humano ao ver tanta gente a morrer continuar de férias nas Baleares e depois de outra tragédia vir dizer "habituem-se a morrer" Só uma besta é que pode fazer coisas destas. Tente vergonha!
  • maria rita
    21 out, 2017 entroncamento 09:41
    deves estar a falar do teu compadre e sus muchachos que roubaram o meu país durante anos sem que as autoridades mexessem uma palha. Os biliões gamados estao bem guardados para acautelar a descendencia
  • Alberto Nunes
    21 out, 2017 Lisboa 09:14
    Então passe a ser chinês ou outra coisa qualquer. Tenho orgulho dos portugueses e em ser português. Orgulho dos que são solidários, dos que lutam esperançosos de uma vida e de um futuro melhor. Orgulhoso de tão poucos conseguirmos fazer tanto. Vergonha, tenhos dia mediocres que se dizem serem as elites da Pátria e da Nação, desses, feitos classe política e dirigentes tenho vergonha. Vergonha dessa esquerda gourmet que nao distingue um cagalhão do que quer que seja. Vergonha dessa corja que pouco faz que com nada se preocuoa mas que vomita leis e regras bacocas. Vergonha dos que se ajeitam uns aos outros em tachos e tachinhos. Tenho orgulho em ser português mas vergonha dos que têm vergonha em ser português.
  • Sai palha
    21 out, 2017 Lisboa 09:12
    JP MST nasceu em 1950. Tanto quanto é sabido não este na guerra colonial. Teria cumprido serviço militar? Se não cumpriu seria interessante saber porquê? É que eu estive na Guiné em simultâneo com um irmão gémeo. Mas eu era filho do Carlos e da Maria.

Destaques V+