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Bem-vindos a Raqqa, cidade livre de Estado Islâmico

17 out, 2017 - 22:54 • Filipe d'Avillez

Depois de Alepo e de Mossul, o grupo terrorista viu-se agora expulso da sua capital na Síria e controla um território cada vez mais reduzido.

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A praça onde os militantes do Estado Islâmico costumavam espetar as cabeças decapitadas dos seus inimigos foi hoje palco de festejos por parte dos militantes das SDF, as Forças Democráticas da Síria, que anunciaram a libertação da cidade depois de uma dura campanha de quatro meses.

O Estado Islâmico vê-se assim expulso da capital do seu autoproclamado califado, uma cidade a partir da qual geria um território vastíssimo que em tudo se assemelhava a um Estado, com leis próprias, ministérios, tribunais e até moeda própria.

É mais uma derrota significativa para o grupo que viu o seu território diminuir no espaço do último ano, tendo sido expulso de Alepo, depois de Mossul, no Iraque, e agora de Raqqa.

Soldados, homens e mulheres, festejaram nas ruas de Raqqa e arrearam as últimas bandeiras do grupo terrorista, hasteando as dos grupos que compõem as SDF, sobretudo milícias curdas, perante o olhar desconfiado da vizinha Turquia, que considera esta força armada uma extensão do PKK.

Ecoando imagens de 2014, quando Raqqa caiu nas mãos do Estado Islâmico, militantes do SDF fizeram peões com carros blindados na principal praça da cidade.

Os últimos elementos do Estado Islâmico que permaneciam na cidade eram na maioria combatentes estrangeiros, uma vez que um grupo de centenas de homens sírios saíram de Raqqa no domingo, num acordo negociado por intermédio de líderes tribais da região.

Há armadilhas para encontrar e minas para desactivar em vários pontos, e depois uma cidade inteira para reconstruir. Os Estados Unidos, que apoiaram logisticamente as SDF, já se comprometeram a ajudar a recompor os serviços básicos, como água canalizada e a electricidade.

A SDF garante que logo que possível passará o controlo da cidade a um grupo de líderes civis. Raqqa é uma cidade árabe e há quem tema que os curdos queiram expandir a sua influência, tendo já garantido a autodeterminação de facto do seu território histórico, juntamente com algumas zonas vizinhas de maioria cristã e alguns grupos de árabes e de outras etnias.

O Estado Islâmico está agora reduzido a uma faixa de terreno na região de Deir el-Zor, na Síria, e algum território iraquiano directamente do outro lado da fronteira. A vitória em Raqqa liberta forças da SDF para ir combater em Deir el-Zor, onde o Estado Islâmico já está a ser pressionado do lado contrário pelas forças armadas da Síria e do lado iraquiano pelas forças armadas do Iraque.

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