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Católicos ucranianos em Portugal querem “integração sem assimilação”

27 out, 2016 - 18:08 • Filipe d'Avillez

De visita a Portugal, o líder da Igreja Greco-Católica da Ucrânia diz que os ucranianos em Portugal não são apenas pessoas à procura de emprego, mas missionários.

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Os católicos ucranianos de rito oriental em Portugal querem integração mas sem ser à custa da sua identidade particular. O arcebispo-maior Sviatoslav Shevchuk, líder da Igreja Greco-Católica da Ucrânia, que usa o rito oriental mas está em plena união com Roma, quer sensibilizar os bispos portugueses para a questão e oferece a ajuda que for necessária.

“Enquanto líder da Igreja Greco-Católica da Ucrânia, sou responsável pelos meus fiéis na Ucrânia, mas também no resto do mundo. Em muitos países da Europa já temos as nossas estruturas, como eparquias [dioceses] e metrópoles. Mas há muitos países, incluindo Portugal, onde temos sacerdotes mas não temos estruturas”, explicou à Renascença, em Fátima, onde decorreu de 20 a 23 de Outubro o encontro de bispos europeus de rito oriental.

“A nossa grande preocupação passa por saber como podemos ajudar os bispos católicos romanos que são responsáveis pelos fiéis de rito oriental que vivem nos seus territórios, a serem bons pastores, a dar uma atenção pastoral adequada a todos aqueles que não pertencem à tradição latina, mas sim às tradições orientais.”

Existem mais de 20 igrejas católicas de rito oriental, que estão em plena comunhão com o Papa e com Roma mas seguem as suas próprias tradições, têm a sua própria liturgia e espiritualidade bem como a sua própria hierarquia que governa a igreja de forma autónoma. Os restantes católicos, que são a esmagadora maioria, são de rito latino, ou romano.

Em Portugal a esmagadora maioria dos católicos são de rito latino, mas ao longo dos últimos anos o influxo de imigrantes da Europa de Leste fez aumentar o número de cristãos orientais. Muitos são ortodoxos, mas uma grande parte são católicos de rito oriental, sendo que destes a maioria são da Igreja Greco-Católica da Ucrânia. Aquela igreja já mandou para Portugal alguns padres que cuidam destas comunidades, sempre em parceria com os bispos portugueses, que lhes têm cedido capelas ou igrejas para fazerem as suas celebrações.

O cuidado pastoral de católicos orientais em países de maioria latina foi o tema do mais recente encontro de bispos católicos orientais da Europa, em Fátima.

“A principal mensagem que queremos transmitir aos bispos católicos na Europa é que o cuidado pastoral para migrantes das igrejas orientais pode ser resumido na frase ‘integração, mas não assimilação’”, explica Shevchuk.

O arcebispo-maior vê a integração dos seus fiéis em países como Portugal como uma forma de enriquecimento das igrejas locais. “Um dos homens que me recebeu no aeroporto, quando cheguei a Lisboa, disse-me que a maioria das pessoas olha para os imigrantes como pessoas que vieram à procura de emprego, mas na realidade são missionários, porque estão a tentar partilhar a sua identidade cristã. Por isso a integração é muito importante, mas assimilação não, porque através da assimilação perde-se a tradição própria, a riqueza e tudo o que teria para partilhar com os outros”.

No encontro de bispos europeus de rito oriental em Fátima estavam representadas as igrejas greco-católicas da Ucrânia, da Roménia, da Grécia, da Bulgária, da Húngria, da República Checa e da Eslováquia, entre outras. O patriarca da Igreja Greco-Católica Melquita, Gregório III Laham, viajou da Síria como convidado especial e deixou a sugestão de que o próximo encontro seja dedicado ao tema da integração dos refugiados do Médio Oriente na Europa.

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