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Quem são os novos ministros de António Costa?

24 nov, 2015 - 21:08 • Filipe d'Avillez , Liliana Monteiro , Ricardo Vieira , José Pedro Frazão

O novo Governo de António Costa, o XXI Constitucional, conta com 17 ministros. Quatro são mulheres, há pesos pesados com experiência em cargos governativos e também nomes estreantes na primeira linha da política nacional.

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Ministro das Finanças, Mário Centeno: Foi o coordenador do cenário macroeconómico que o PS apresentou nas legislativas. Até ser eleito deputado nas últimas eleições, Mário Centeno, 48 anos, desempenhou funções como director-adjunto no Departamento de Estudos Económicos do Banco de Portugal e como professor de Economia na Universidade Nova. É doutorado em Economia pela Harvard University em 2000, na área da Economia do Trabalho, e é considerado um liberal. A atribuição de um crédito fiscal aos trabalhadores pobres é uma das medidas defendidas por Mário Centeno.


Ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral: Integrou o grupo de 12 peritos que ajudou a preparar o programa de António Costa. Doutorado em Economia pela Universidade de Nottingham, tem 47 anos. Deu aulas na Escola de Economia e Gestão Universidade do Minho e é autor de vários trabalhos académicos, entre os quais um estudo sobre a desvalorização fiscal através da baixa da taxa social única (TSU). Foi assessor do ministro das Finanças Teixeira dos Santos nos Governos de José Sócrates.


Ministra da Justiça, Francisca Van Dunem: É uma mulher do Ministério Público, sendo actualmente procuradora distrital de Lisboa. Na área da Justiça foi assessora do procurador-geral da República Cunha Rodrigues e já depois, com o procurador-geral Souto Moura, desempenhou funções na Alta Autoridade Contra a Corrupção. Liderou o Departamento de Investigação e Acção Penal e colaborou com o Centro de Estudos Judiciários, onde se formam os magistrados. Vai herdar a nova organização dos tribunais, agora com 23 comarcas judiciais, que arrancou em Setembro de 2014 com vários problemas, muitos deles sinalizados por Francisca Van Dunem: Caos nos tribunais, informações desaparecidas no Citius, serviços de justiça mais afastados da população. Alertou ainda para a escassez de oficiais de justiça no apoio a juízes e Ministério Público.


Ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes: Especialista em Saúde Pública, Adalberto Campos Fernandes foi director do maior hospital do país, o Santa Maria, em Lisboa. O médico, de 57 anos, defende que “está na altura de devolver o Serviço Nacional de Saúde aos portugueses” e que a combinação público-privado em saúde, apesar dos ganhos de eficiência que trouxe ao sistema, os privados não “melhoram necessariamente a saúde” em Portugal.


Ministro da Segurança Social, Vieira da Silva: Regressa a uma casa que conhece bem. Foi ministro do Trabalho e Segurança Social no primeiro Governo de José Sócrates e liderou uma importante reforma para garantir a sustentabilidade do sector. Depois foi ministro da Economia, da Inovação e do Desenvolvimento. Nascido em Leiria, há 62 anos, Vieira da Silva também foi secretário de Estado da Segurança Social, entre 1999 e 2001, e secretário de Estado das Obras Públicas, entre 2001 e 2002.


Ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues: Tem apenas 38 anos e passou quase metade da vida a trabalhar no estrangeiro. Trocou a investigação do cancro na Universidade de Cambridge, em Inglaterra, para ser eleito deputado por Viana do Castelo nas últimas eleições. É natural de Braga, licenciado em Bioquímica e jogou andebol. Tornou-se conhecido em 2013, quando apresentou uma nova técnica de ressonância magnética de detecção precoce do cancro.

Ministro da Inovação, Ciência e Ensino Superior, Manuel Heitor: Ocupa o papel principal depois de ter sido secretário de Estado de Mariano Gago, entre 2005 e 2011. Foi professor no Instituto Superior Técnico de Lisboa e na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Doutorou-se em Engenharia Mecânica no Imperial College de Londres, prosseguiu os estudos na Califórnia e começou por investigar a mecânica de fluidos e combustão experimental. Tem 57 anos.

Ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva: Tem uma vasta experiência política e é um dos pesos pesados do novo Governo. Nasceu no Porto, tem 59 anos e foi ministro da Educação, Cultura, Assuntos Parlamentares e da Defesa em vários executivos socialistas. “Malhar na direita” é uma das expressões mais conhecidas de Augusto Santos Silva, que é licenciado e História e dourado em Sociologia. Começou a actividade política muito cedo, ainda estudante, integrando movimentos de inspiração trotskista. Aderiu ao PS em 1990.

Ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa: Desconhecida da maioria da população, Constança Urbano de Sousa trabalhou com António Costa quando este teve a pasta da Administração Interna, pelo que tem experiência neste campo. Tem uma longa carreira na área do Direito, nomeadamente como professora na Universidade Autónoma de Lisboa e no Instituto de Ciências Policiais e Segurança Interna.

Ministro da Defesa, Azeredo Lopes: É um académico, especialista em questões internacionais. Formado em Direito, faz parte do corpo docente da Universidade Católica do Porto e é também visto como um especialista em Comunicação Social (presidiu à Entidade Reguladora da Comunicação entre 2006 e 2011). Tem um longo trabalho como comentador e nas últimas eleições autárquicas foi porta-voz de Rui Moreira.

Ministro da Agricultura, Capoulas Santos: Regressa ao Ministério da Agricultura, que já conhece bem, tendo ocupado cargos políticos no mesmo desde 1995, no Governo de António Guterres. Começou por ser secretário de Estado da Agricultura e do Desenvolvimento Rural e em 1998 passou a ministro da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas, substituindo no cargo Fernando Gomes da Silva. Passou vários anos no Parlamento Europeu e desde 2014 era presidente da Federação Distrital de Évora do Partido Socialista.

Ministra do Mar e Pescas, Ana Paula Vitorino: Já teve experiência governamental como secretária de Estado dos Transportes no primeiro governo de José Sócrates. Antes, no governo de António Guterres, tinha sido chefe de gabinete do Secretário de Estado dos Transportes. Tem várias obras publicadas sobre transportes e foi eleita deputada, nas últimas eleições, pelo círculo eleitoral do Porto.

Ministro do Planeamento e Infraestruturas, Pedro Marques: Tem 39 anos e um mestrado em Economia. Regressa ao Governo depois de ter sido Secretário de Estado da Segurança Social nos executivos de José Sócrates, entre 2005 e 2011. Participou na reforma da Segurança Social liderada por Vieira da Silva, que introduziu, por exemplo, o factor de sustentabilidade nas reformas.

Ministra da Presidência e da Modernização Administrativa, Maria Manuel Leitão Marques: É uma das quatro ministras de António Costa e coordenou o Simplex nos Governos de José Sócrates. Licenciada em Direito e doutorada em Economia, foi secretária de Estado da Modernização Administrativa, cargo em que liderou as áreas da simplificação administrativa e do governo electrónico entre 2005 e 2011, tendo coordenado o Programa Simplex.

Ministro do Ambiente, João Matos Fernandes: Tem 47 anos, representa a linhagem ambiental

nortenha, centrada na então CCR-Norte, que Guterres puxou para o Governo em 1995. Elisa Ferreira foi a ministra do Ambiente escolhida, quando se esperava que José Sócrates fosse o escolhido por ter sido o porta-voz para o sector no Parlamento. Matos Fernandes foi adjunto e chefe de gabinete de Ricardo Magalhães, então secretário de estado de Elisa Ferreira. Com a entrada de Sócrates no ministério da rua do Século, envereda pela consultoria na Quaterneire Portugal, empresa que desenhou estratégias de ordenamento do território e planeamento urbano, incluindo para projectos do emblemático Programa Polis, criado por Sócrates. Esteve à frente dos Portos de Leixões e Viana do Castelo e era presidente da Águas do Porto, por influência de Rui Moreira que o trouxe de Moçambique onde estava a lançar novos projectos portuários. Formado em Engenharia Civil pela Universidade do Porto, mestre em Transportes pelo Técnico de Lisboa, Matos Fernandes esteve na reunião técnica negocial do PS com o PEV, a par de Helena Freitas, deputada independente, dada também como ministeriável para o Ambiente. É apoiante de Sampaio da Nóvoa para a Presidência da República.


Ministro da Cultura, João Soares: João Soares é já um histórico do PS, tendo ocupado várias posições na política, entre os quais se destaca o de Presidente da Câmara de Lisboa entre 1995 e 2002. Antes, já tinha sido deputado na Assembleia da República em várias legislaturas. Chegou a ser dado como provável ministro da Defesa. Apesar de não ser uma pessoa imediatamente associada à vida cultural, a verdade é que exerceu o cargo de vereador da Cultura na Câmara de Lisboa, na altura em que a cidade foi Capital Europeia da Cultura em 1994.

Ministro Adjunto, Eduardo Cabrita:
Jurista de formação, Eduardo Cabrita nasceu em 1961 e já desempenhou funções governativas. Foi secretário de Estado adjunto do Ministro da Justiça no XIV Governo Constitucional, liderado por António Guterres. Homem de confiança de António Costa, Eduardo Cabrita foi deputado na anterior legslatura. Protagonizou um episódio caricato durante uma comissão com o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Paulo Núncio. Sentados lado a lado, os dois envolveram-se numa troca de argumentos que acabou com um “braço de ferro” por causa do microfone.


Secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, Pedro Nuno Santos: O próximo secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares vem directamente da bancada do PS na Assembleia da República. Foi Pedro Nuno Santos quem negociou o acordo com o Bloco de Esqurda que permitiu ao PS formar governo. O deputado tem-se destacado no PS desde a eleição de António Costa.


Secretária de Estado Adjunta do Primeiro-ministro, Mariana Vieira da Silva: Com a nomeação de Mariana Viera da Silva para secretária de Estado Adjunta de António Costa, o governo passará a contar nas suas fileiras com um pai e uma filha, uma vez que Mariana é filha de José António Vieira da Silva, que regressa aos ministérios na qualidade de ministro da Segurança Social. Formada em Sociologia, Mariana Vieira da Silva não é uma estreante num governo. Já foi adjunta da ministra da Educação entre 2005 e 2009 no Governo de Sócrates e, entre 2009 e 2011, adjunta do secretário de Estado adjunto do próprio primeiro-ministro.

Secretária de Estado dos Assuntos Europeus, Margarida Marques: É uma figura histórica do Partido Socialista, tendo sido uma das fundadoras da JS, em 1974. Em 1981, foi mesmo eleita secretária-geral da Juventude Socialista. Durante cerca de duas décadas foi funcionária da Comissão Europeia, mas António Costa convidou-a para ser cabeça de lista por Leiria para as mais recentes eleições legislativas. Agora, abandonará a Assembleia da República para fazer parte do Governo.

Comentários
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  • José Augusto Moreira
    13 dez, 2015 Vila Nova de Gaia 21:24
    O meu comentário e de que o centro nacional de pensões não está a pagar-me o subsídio de natal desde outubro. Que Passos Coelho quisesse reduzir a pó os mais desfavorecidos, António Costa diz que vai combater as desigualdades. Porque já enviei uma carta ao António Costa e este nem sequer me responde. E António Costa diz que estamos a viver um tempo novo. Refere-se a Portugal?!.
  • Miguelm.
    25 nov, 2015 Lisboa 18:39
    Que catagoria de governo finalmente gente credivel que não vive à conta do Zé como os que lá estavam
  • Petervlg
    25 nov, 2015 Valongo 12:15
    Na cultura mais um tacho, pois capacidade não se vê nada, só se for com a cunha do pai. e MANEL FERREIRA, mais um pouquinho e também estás no governo. democracia tens que aprender o significado
  • Jorge Pereira
    25 nov, 2015 Lisboa 09:51
    Welcome my son, welcome to the machine. Where have you been? It's alright we know where you've been. You've been in the pipeline, filling in time, Provided with toys and 'Scouting for Boys'. Pink Floyd ... Said
  • Carlos Pereira
    24 nov, 2015 Chaves 23:40
    O novo ministro dos negócios estrangeiros, Augusto Santos Silva, é zaragateiro e mal criado.
  • Manel Ferreira
    24 nov, 2015 Porto 22:34
    FINALMENTE REGRESSOU, A PORTUGAL, O 25 DE ABRIL!!. APESAR DAS VÁRIAS "TROPELIAS" E ASNEIRAS COMETIDAS PELO REPRESENTANTE DA NAÇÃO, AINDA CONSEGUIU ULTRAPASSAR-SE A SI PRÓPRIO, RESOLVENDO CUMPRIR A CONSTITUIÇÃO E OBEDECENDO A QUEM MANDA DE FACTO: A ASSEMBLEIA DA RÉPUBLICA. ESTEVE MUITO BEM ANTÓNIO COSTA.UM HOMEM DIGNO, EDUCADO (NÃO SE DEIXOU IR NA ONDA E SÓ FALOU QUANDO DEVIA FAZÊ-LO. AO CONTRÁRIO, AS FORÇAS DA DIREITA FARTARAM-SE DE DEITAR ACHAS PARA A FOGUEIRA, DE ONDE SAIRAM, NATURALMENTE, QUEIMADOS. MAL EDUCADOS; SEM DIGNIDADE E SEM COMPOSTURA DEREAM AO PAÍS A IMAGEM DO DESESPERO E DA RAIVA QUE LHES IA NA ALMA. EM DEMOCRACIA NÃO CABE GENTE DESTA!