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Mudar de vida: Sete mulheres que meteram mãos à obra

08 mar, 2021 - 06:01 • Ana Carrilho

Neste Dia Internacional da Mulher, a Renascença dá a conhecer a história de vida de mulheres empreendedoras que criaram os seus próprios negócios, seja por terem ficado desempregadas, para garantir um rendimento extra ou porque sentiram que estava na hora de um novo desafio.

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Isa, Marisa, Mónica, Nádia, Natacha, Tânia e Teresa. São os nomes de algumas das mulheres que durante este último ano, de pandemia e confinamento, mudaram de vida e lançaram os seus próprios negócios ou, muito graças às redes sociais, viram crescer o que já tinham. E são algumas das muitas que responderam à proposta da Renascença no grupo de Facebook “Mulheres à Obra”.

As motivações são diversas. Em muitos casos, pondo em prática projetos que estavam na gaveta, arranjaram uma terapia para o isolamento e, simultaneamente, novas formas de rendimento. Noutros foi mesmo a necessidade de fazer face às despesas essenciais, devido ao desemprego. Se há quem pense nestas atividades como complementares, também há quem tenha esperança que sejam negócios de futuro.

Neste Dia Internacional da Mulher, a Renascença dá a conhecer algumas mulheres que meteram mãos à obra.

Mónica Brandão: A menina dos brigadeiros

É num tom divertido que Mónica Brandão conta à Renascença como é que começou a fazer brigadeiros. Foi durante uma conversa de circunstância, à hora de almoço, que uma colega de trabalho, sabendo que o marido de Mónica é brasileiro, lhe perguntou se sabia fazer brigadeiros, sublinhando que “adorava brigadeiros de chocolate branco”.

Não fazia ideia, mas disse que sim. Foi para casa, experimentou e, dias depois, levou a encomenda, que mereceu aprovação. Foi a primeira de muitas encomendas e a cliente mantém-se.

Mónica diz-se autodidata, aprendeu fazendo muitos brigadeiros, “uns a correr mal, outros bem, outros assim-assim”. Mas também pesquisou muito em sites, sobretudo brasileiros. Foi afinando o ponto da massa, harmonizando o peso, diversificando os sabores e da venda “à unidade”, passou para as caixinhas de meia dúzia.

Com a ajuda de uma colega, criou o logotipo e uma página na internet. Foi sempre uma atividade extra, mas confessa que, em alturas de desemprego, foi o que a ajudou mais. “O passa-palavra” é a melhor publicidade. As pessoas foram gostando, comentavam na página e partilhavam com os seus contactos”.


No Verão de 2019, Mónica começou a trabalhar num alojamento local, no Porto. E não havia muito tempo para os brigadeiros. Com a Covid, a situação mudou e, tal como quase toda a gente e sobretudo do setor do turismo, Mónica foi para casa.

“Em março, a situação estava a complicada e pensei: é altura de me reinventar. Por exemplo, não fazia entregas e passei a fazer. Não fazia envios pelo correio e depois de uma experiência que correu muito bem, com embalagem específica, também passei a enviar para todo o país”.

Além disso, também mudou as embalagens. Agora, as “standard” podem ter nove ou 15 brigadeiros. Sem contar com as embalagens especiais, dedicadas a datas como o Natal, Páscoa, Dia do Pai ou da Mãe ou para algum pedido específico, que adquire a duas fornecedoras.

Sabores não faltam. A Menina dos Brigadeiros tem 27. Os tradicionais de chocolate de leite, branco e negro, de paçoca, de oreo, quindim, churros, maracujá, morango, limão, laranja, de creme brûlée, de after eight, pintarolas, etc…

“A internet e as redes sociais são meios fantásticos para crescermos no nosso negócio. Desde março (de 2020) ganhei quase cinco mil seguidores. Tinha mil e tal e agora tenho seis mil seguidores. Não quer dizer que sejam todos clientes, mas muitos são. E foi graças a esta pandemia que o meu negócio cresceu muito”, diz Mónica Brandão.

“A Menina dos Brigadeiros” explica que quase todos os dias recebe alguma encomenda, mas é nas datas especiais que tem mais trabalho e faz mais negócio. “Numa dessas semanas chego a ganhar mais do que um ordenado mínimo”.

Ainda assim, continua a ser uma atividade extra, uma reserva. “Ainda não dá para viver disto, mas gostava que isso acontecesse, um dia.”

Por enquanto, continuamos confinados e não há turismo, mas Mónica está certa que, assim que houver abertura, os turistas vão começar a chegar ao Porto e ao alojamento local onde trabalha, deixando menos tempo para o seu projeto.

Alguns dos clientes chegaram a provar os seus brigadeiros e com a empresa chegou a ser falada a hipótese de criar uma caixa personalizada com o logotipo do alojamento local para deixar nos apartamentos e como “miminho”, agradecer a chegada dos turistas. É um projeto que Mónica espera concretizar.

Isa Amaral: "Reformular a vida aos 50 anos" na moda

Depois de 18 anos no jornalismo, Isa Amaral criou a sua própria empresa de eventos, em 2017. Dois anos e meio mais tarde, quando se preparava para colher os frutos do investimento feito na construção da carteira de clientes, a Covid-19 deitou tudo por terra.

Todos os eventos foram cancelados. “Em março arrumei o que tinha de arrumar na empresa, paguei a toda a gente, vim para casa e pensei: o que é que eu vou fazer agora?”, conta Isa Amaral à Renascença.

A ideia respondeu à sua paixão pelo mar. “Ia fazer 50 anos e uma das coisas que tinha programado fazer, para celebrar, era uma viagem de sonho. Como não podia viajar, peguei nesse dinheiro e criei uma marca de moda de praia para mulheres maduras, reais, com história e que muitas vezes têm dificuldade em encontrar peças bonitas e com interesse. Assim nasceu a Water Lily Beachwear.


Afirma que alguns dos amigos não acreditavam, quando lhes contou. Mas decidida, avançou: “criei a marca, registei-a e fiz cursos de costura e de modelagem de fatos de fato, só para perceber aquele mundo. Uma amiga arranjou-me uma costureira e, assim que foi possível, fui para Lisboa à procura de tecidos, licras e tudo o que é preciso. A Water Lily foi lançada a 21 de junho, a bordo de um barco, em Setúbal.

“Já temos várias marcas nacionais de ‘slim wear’, mas a maior parte dos modelos são para um público mais jovem. Quis distinguir-me com fatos de banho para mulheres maduras e reais, e a imagem que eu queria passar é que nós somos bonitas em qualquer idade. E somos reais, não somos top-model. O resultado foi muito interessante, teve muita procura e é para continuar.”

A experiência levou Isa Amaral a tentar aplicar o conceito a pijamas e roupa para usar em casa no Inverno, mas não correu tão bem. Ainda assim, não dá tudo por perdido: “gastámos dinheiro e não é bom, mas aprende-se muito com os erros; dá para corrigir rotas. Quem se mete num negócio de raiz, é difícil não errar.”

A segunda coleção de praia, que além de fatos de banho e bikinis, inclui toalhas, bolsas e sacos, já está a ser pensada, por enquanto, ainda sem a ajuda de designers de moda. “Mas, obviamente, à medida que cresce, o conceito vai precisar de outro tipo de abordagem”.

Para quebrar a sazonalidade da Water Lili, Isa Amaral tem outra marca, a Miss Poppy, um projeto de moda online de multimarcas.

“Aos 50 anos estou a reformular completamente a minha vida. Apesar de ainda não dar rendimento, a coleção de praia gera algum dinheiro. Não sei quando é que vou voltar a trabalhar na área dos eventos. E não será começar do zero, mas há de ser muito do princípio. Porque há clientes e fornecedores que se calhar até já não estão no mercado”, antevê Isa Amaral.

Nádia Gomez: A terapia que virou negócio

Nádia Gomez tem 37 anos, vive em Viseu e é esteticista. Em março do ano passado, devido à pandemia, teve de fechar a loja. Como não consegue estar parada, dedicou-se à granola, uma opção alimentar mais saudável. “Surgiu no primeiro confinamento, como uma terapia ocupacional, um antidepressivo natural e, neste momento, é a minha fonte de rendimento”, diz à Renascença.

Começou por fazer para si própria, partilhou com a irmã e as amigas. A seguir, chegaram os pedidos. Começou por vender saquinhos de 150 gramas e, agora, as encomendas já são de embalagens de quilo.

As produções já vão além da granola simples, que serve de base à confeção de biscoitos e que tiveram muito sucesso no Natal e para o Dia dos Namorados. Para o Dia do Pai, em homenagem ao seu, já falecido, Nádia já prepara biscoitos de cerveja. Sem contar com os bombons de granola, brigadeiros, crinckles simples, vegan, sem glúten ou paleo.


Nádia Gomez considera que teve um apoio de peso. O ano passado, por causa da pandemia, Viseu não organizou a tradicional Feira de S. Mateus. Para compensar os produtores, a autarquia criou o Cubo Mágico e Nádia esteve lá com a sua “Granel e Granola”. Beneficia também do programa “Viseu Compra Aqui” e, agora, os seus produtos chegam fácil e rapidamente a qualquer ponto do país. Até já fez envios para o estrangeiro.

A páginas nas redes sociais Facebook e Instagram são fundamentais e diz que tem encomendas, praticamente todos os dias. Mas trocar a estética pela “Granel e Granola” ainda não está nos planos da empreendedora viseense. “Ainda não dá para viver disto. Tem de ser devagarinho, não posso dar um passo maior que a perna”.

A cozinha está licenciada para a produção, mas o forno continua a ser o doméstico. A granola é feita à medida das encomendas: “não quero ter muito stock porque gosto de fazer num dia e entregar no outro; se possível, no mesmo”.

Nádia admite que gostava de ter uma loja, mas ainda é cedo. Além disso, gosta muito de ser esteticista. “Por mim e pelas clientes, não queria abandonar tudo o que conquistei nos últimos anos. Mas se isto continuar, não sei”. Lamenta que, depois dos enormes investimentos que fez na segurança sanitária no seu gabinete, não possa trabalhar.

O certo é que, aquilo que começou por ser uma “terapia”, garante-lhe agora o seu único rendimento. “E dá-me muito gozo porque o feedback é muito positivo. Às vezes, basta uma mensagem a dizer que gostaram muito. Estou-me a mimar e não entro em desespero. Temos de ir à luta”.

Tânia Almeida: De desempregada a empreendedora

Trabalhavam na mesma empresa de limpeza de condomínios. Em maio do ano passado, já em plena pandemia, Tânia Almeida e o marido, Tiago, foram dispensados.

Começaram o ciclo de enviar currículos que nunca tiveram resposta. Com dois filhos pequenos, de 2 e 8 anos, decidiram deitar mãos à obra e criar a própria empresa.


“Eles precisam de consultas regulares e assim, podemos dar-lhes mais apoio”. Assim nasceu a Serviços Versáteis, em junho de 2020. Prestam serviços de limpeza doméstica, regulares ou profundas, pós-obras ou de condomínio e ainda de engomadoria.

“Ao contrário do que se poderia esperar, devido à situação que se vive, estamos a ter um bom crescimento”, diz Tânia à Renascença.

Dois meses depois da abertura, conseguiram contrato com um alojamento local, para tratar de tudo o que se prende com os apartamentos, desde o check-in ao check-out.

Ainda assim, Tânia Almeida admite que ao princípio foi mais difícil porque não tinham recomendações. “Mas tivemos dois ou três clientes que nos deram voto de confiança, que continuam a ser clientes e que nos recomendaram”.

A empreendedora garante que cumprem todas as regras de segurança em tempo de pandemia de Covid-19. “Temos duas crianças pequenas e não nos interessa nada trazer o ‘bicho’ cá para casa e também não queremos levá-lo para casa de ninguém”.

Além das máscaras, luvas, desinfetantes, para as limpezas, também a roupa para engomar é desinfetada, à entrada e à saída de casa. Tânia diz que gostava de vir a ter uma engomadoria, mas por enquanto, esse trabalho é feito na casa do casal, numa divisão que foi adaptada.

Menos de um ano depois de terem criado a Serviços Versáteis, Tânia confessa que a evolução tem sido muito boa e está hoje numa situação incomparavelmente melhor do que a que tinham quando trabalhava por conta de outrem.

“Não quer dizer que viva muito bem, mas pelo menos não passo o mês a contar os trocos, para isto ou para aquilo. Consigo ter dinheiro todo o mês, gerir de outra forma e tenho um rendimento mensal superior àquele que teria se estivesse a trabalhar na outra empresa.”

Cerca de dois meses depois da criação da Serviços Versáteis, Tiago foi chamado para um emprego, mas acabou por desistir porque Tânia já não conseguia dar conta do trabalho sozinha. “Espero continuar a crescer a bom ritmo, como tem acontecido até aqui”, diz com entusiasmo.

Natacha Cardoso: Reaproveitar o que a natureza deita fora

Ficar confinado não é fácil para ninguém e ainda menos para quem está habituado à agitação diária. É o caso da fotojornalista Natacha Cardoso, a trabalhar como freelancer, mas que, com o estado de emergência, sem trabalho e com a filha em telescola, acabou por ficar fechada em casa, no centro de Lisboa, durante dois meses.

“Dei por mim completamente maluquinha, não gosto de estar parada, gosto de agitação e estou sempre à procura de ideias novas”, diz a fotojornalista.


Foi o que aconteceu logo na primeira saída, após o desconfinamento. “Num daqueles passeios higiénicos, dei por mim a olhar para as árvores a que estavam a fazer as podas. E como sempre gostei muito de madeiras e de trabalhos artesanais, tive a ideia de pedir uns troncos, levá-los para casa e trabalhá-los”, conta à Renascença.

A coincidência de ter a casa em obras e precisar de iluminação, levou Natacha a pensar em fazer algo diferente. E surgiram os primeiros candeeiros, peças que – confessa – são as que gosta mais de fazer.

“Fiz por brincadeira, com a ajuda do meu marido [o fotojornalista Nuno Fox]. Achámos piada, ficámos com uns quantos cá em casa e, por graça. a família e os amigos começaram a pedir. Vendemos um aqui e outro ali e começámos a pensar: porque não tentarmos fazer um projeto disto e ver o que dá?”

A primeira divulgação foi “boca a boca”, mas a Nanu Wood já está no Facebook e Instagram. “Está a ser um sucesso em termos de visualizações, embora em vendas ainda não tantas como gostaríamos”, admite Natacha. “A maioria das pessoas gosta, mas também não é muito baratinho. São peças únicas, a beleza é essa”.

Este é um projeto para desenvolver sem pressão. Para já, Natacha e Nuno não têm atelier e aproveitam os tempos livres no terraço da mãe dele. Além disso, um trabalho precisa de quatro a seis meses para ficar concluído. Primeiro, é preciso deixar secar a madeira, olhar para o bocado de madeira e ver o que pode dar, sem lhe tirar o essencial; depois, desbastar, deixar todos os fios, todos os grãozinhos, não há pinturas. E finalmente, eletrificar, no caso dos candeeiros. Mas também já produziram outras peças.

“Pensámos num projeto que fosse sustentável e permitisse eternizar a vida de uma árvore numa peça de mobiliário, decorativa; uma peça única”, explica Natacha Cardoso, que faz questão de frisar que toda a madeira usada é proveniente das operações florestais, de desbaste e das podas.

Por isso, contactam as juntas de freguesia para saber quando são feitas as podas. Nas Caldas da Rainha, de onde Natacha é natural, a irmã também lhe arranja alguns troncos e ramos que encontra nas matas.

“Nunca vamos danificar a Natureza, só usamos o que ela deita fora, por isso não há desta matéria prima todos os dias.”

É uma das razões pela qual quem quer uma destas peças únicas pode ter de esperar algum tempo, “com muita calma”. “Há uma pessoa que está à espera de uma peça há cinco meses, mas ainda não encontrei o ramo certo, têm que ser bem escolhidos”, sublinha.

Quanto ao futuro do projeto, Natacha admite que não gostava que esta fosse a sua principal fonte de rendimento, porque “gosto muito da minha profissão, de ser fotojornalista”. Mas admite que gostava que avançasse bastante. “É bonito pensar que alguém tem uma peça minha em casa, é fantástico”.

Marisa Pedrosa: A crise estimula a criatividade

Escritora, palestrante e editora. É assim que Marisa Pedrosa, nascida em Angola há 46 anos e a viver no Porto, se apresenta.

À Renascença, diz que “os artistas têm o dom de usar os tempos de crise como alicerce espiritual, porque há criatividade”.” No meu caso, como escritora, usei o confinamento da Covid para escrever, escrever muito”, conta.


Lançou o seu livro “Cartografias da Pele”, sobre África, coordenado “à distância de um clique” com outras pessoas em Marrocos, Moçambique e São Tomé e Príncipe.

Como editora, também teve mais trabalho. Sob a chancela das Edições Matrioska publicou cinco livros, de outras tantas mulheres. “Muitas pessoas que tinham livros de contos na gaveta, decidiram aproveitar o repto da Covid para publicar. Desde março do ano passado, tenho sido muito procurada por várias escritoras e assisti a essa expansão”. No “forno” estão mais dois livros.

Como palestrante, na área do desenvolvimento pessoal, centrada na igualdade de género e no empoderamento feminino, dando particular atenção à violência doméstica e no namoro, a atividade de Marisa Pedrosa neste ano de pandemia também não abrandou. Agora, online, através da plataforma Zoom.

Para Marisa Pedrosa, não há dúvida que “o empreendedor do século XXI tem de estar preparado para um mundo novo e em constante mudança. Tem de estar sempre a desenvolver as capacidades de flexibilidade, inovação, adaptação, relacional e de aptidão tecnológica”, sem esquecer a paixão e a entrega aos projetos.

Estas são condições que considera essenciais para a expansão da sua atividade. “Se editamos o livro de uma pessoa e o fazemos de forma apaixonada, com cuidado com o outro, é inevitável. Essa pessoa irá recomendar o seu trabalho, ela percebe que para a editora não foi só um número. Acho que (a atividade) vai expandir-se porque as pessoas sentem que estou com elas. Há uma entrega real, espiritual, emocional, de cidadania”.

Teresa Leal: Novos voos a Oeste

Ao fim de quase 30 anos na TAP, em setembro de 2019, Teresa Leal decidiu deixar a companhia aérea para concretizar o projeto que há muito andava a construir na sua cabeça.

Os primeiros passos tinham sido dados com o blogue “Teresa vai de Férias”, mas a ideia era criar uma empresa de animação turística para dar a conhecer a região do Oeste, de onde é natural. Nasceu a 19 de fevereiro de 2020 e devia ser lançada, conjuntamente com um livro que agrega os melhores textos do blogue, na BTL – Bolsa de Turismo de Lisboa.

A Covid-19 e o confinamento ditaram o adiamento da BTL e mudaram os planos de Teresa. “No dia 13 de março recolhi a casa, não acreditava no que estava a acontecer. Depois, respirei fundo – mais de um mês – deixei de me armar em coitadinha ali por casa e resolvi arregaçar as mangas. Tenho um telemóvel e tenho net, por isso, não é impeditivo de nada”, conta à Renascença.

Começou a reinvenção da Teresa vai de Férias – Tours & Workshops. “Está pronto e à espera de clientes, mas passou a funcionar de outra forma”.


Entrou em contacto com jovens da região, todos licenciados ou com mestrado nas áreas de marketing, turismo e animação turística. E desafiou-os a serem guias locais, a criarem, na sua terra, um tour que lhes fizesse sentido e que não seja um produto turístico igual aos que já existem. Torres Vedras, Óbidos, Reguengo do Fetal, Mafra, Ericeira e Caldas da Rainha já têm estes tours alternativos. O passo seguinte foi o de contactarem as câmaras para dar a conhecer o projeto e envolver as autarquias. “Tem estado a correr muito bem”.

Entretanto, Teresa continua os contactos com potenciais parceiros para os tours e com agências de viagens. “O objetivo da empresa de animação turística é a promoção e divulgação de marcas, produtos e empresas do Oeste. O que eu quero é que as pessoas percebam que o Oeste é diferente do resto do país, nem melhor nem pior, é diferente. Há muito para descobrir”, diz Teresa Leal.

Os tours deverão ser feitos com grupos pequenos, de duas a oito pessoas, no máximo e de preferência, que se conheçam. “As pessoas querem sair, mas ainda têm muito receio”. Este ano ainda deverão ser feitos, maioritariamente, com turistas nacionais, mas assim que as viagens aéreas forem retomadas, Teresa Leal conta com o interesse dos estrangeiros.

A empresária considera o caminho para as empresas é o da partilha de sinergias, parcerias e até apoio mútuo. “Se alguma coisa aprendemos (com a pandemia) – espero – é que sozinhos não vamos a lado nenhum. Ou então, isto poderá cair tudo como um baralho de cartas.”

Além disso, fez parceria com um atelier na Foz do Arelho, onde podem ser dadas aulas de raku, olaria, cerâmica e pintura de azulejo. E como há muito espaço, também convidou artistas plásticos, ceramistas e fotógrafos para ali fazerem exposições.

“Agora está lá uma, apesar do espaço estar fechado. Mas antes do confinamento, estava a ganhar uma dinâmica muito interessante, ainda mais tendo em conta que estamos aqui num sítio pequeno.”

Teresa Leal mudou-se de armas e bagagens para o Oeste, onde tem um ambiente muito mais calmo e seguro. Mas não consegue estar parada e, além do seu projeto pessoal, ainda aceitou ser secretária-geral da Câmara de Comércio da Região das Beiras, entrou na direção da AMA – Associação de Marketing e Atitude Empresarial e é diretora para o Oeste do grupo empresarial de networking Mais Negócio. A continuação do mestrado em Marketing de Promoção Turística só espera pelas aulas presenciais.

“Estou louca. Tenho 500 mil reuniões e só quero que tudo isto comece a funcionar. O meu período de confinamento significou uma mudança radical na minha vida”, diz Teresa Leal.

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