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Rui Rio acusa PS de ser “uma ponte para o extremismo de esquerda”

12 mai, 2019 - 22:23 • Lusa

O líder do PSD "atirou" á esquerda num jantar-comício em Penafiel.
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O presidente do PSD, Rui Rio, acusou, este domingo, o PS de ser “uma ponte para o extremismo de esquerda” e desafiou os portugueses a fazerem uma avaliação do Governo nas próximas europeias.

Num jantar-comício em Penafiel, Rui Rio voltou a referir-se à crise política da semana passada, dizendo ser tempo de voltar à campanha que “o primeiro-ministro quis evitar com um golpe de teatro”, ameaçando demitir-se caso o parlamento aprovasse a reposição integral do tempo de serviço dos professores.

“O PSD é uma ponte para a moderação e democracia enquanto o PS pode combater o extremismo de direita, mas não combate o extremismo de esquerda. O PS é uma ponte para o extremismo de esquerda”, acusou.

Rio lamentou que António Costa tenha dito, na recente crise dos professores, que “não fica admirado com a irresponsabilidade financeira do PS e do BE”.

“Mas então os parceiros que ele escolheu são alguém em quem ele não tem confiança em termos de responsabilidade financeira? Podia ter dito no princípio de legislatura”, criticou.

Numa intervenção com algumas interrupções devido a problemas de voz – foi socorrido com um copo de água -, o líder social-democrata frisou que o PSD “não tem medo de mostrar” o seu cabeça de lista às europeias.

“Ao contrário do PS que procura esconder o seu candidato, procuramos fazer o contrário, mostrar toda a nossa lista”, afirmou, num jantar que a organização estima ter juntado mais de 2.000 pessoas.

Foi Rio - e não Rangel - quem apontou algumas prioridades do manifesto do PSD às eleições europeias, mas o presidente do PSD fez também questão de aceitar o repto do primeiro-ministro para nacionalizar as eleições.

“O senhor primeiro-ministro pediu aos portugueses que, nesta eleição, fizessem uma avaliação daquilo que é a política do Governo. Pois bem, têm os portugueses a oportunidade de olhar para a política do Governo e dizerem-me se querem assim ou se querem diferente ou se querem melhor”, desafiou.

Como exemplos da governação socialista, Rui Rio apontou o aumento das listas de espera na saúde ou a redução dos profissionais desta área das 40 para as 35 horas de trabalho semanal “quando não havia condições para fazê-lo”.

“Quando enchem a boca com a Constituição da República e com a Lei de Bases da Saúde, não estão a cumprir a Constituição”, acusou, dizendo que se 2,7 milhões de portugueses têm seguro de saúde privado é porque o setor público não tem cumprido a sua função.

Os atrasos na concessão das reformas, a “injustiça territorial” da medida dos passes sociais ou a colocação de “familiares e amigos” no aparelho do Estado foram outros exemplos do que Rio considera ser a governação do PS.

“O PS segue esta máxima: primeiro a família, depois o PS e só depois Portugal”, acusou.

Outra razão para votar no PSD, defendeu, seria a diferença da sua lista europeia, reiterando que esta “não é uma prateleira dourada de antigos governantes do PS, do governo do engenheiro Sócrates e do governo do doutor António Costa”.

“De hoje a 15 dias, os portugueses vão olhar aos argumentos que passam pelas nossas propostas europeias, pela fraca governação do PS, que passam pela falta de sentido de responsabilidade do primeiro-ministro e pela qualidade da nossa lista”, resumiu, reafirmando a ambição do PSD de vencer as europeias de 26 de maio.

Costa é o adversário de Rangel

No jantar-comício de Penafiel, o cabeça de lista do PSD ao Parlamento Europeu apelou ao voto para “dar uma lição” ao primeiro-ministro, que apontou como principal adversário nas eleições europeias, acusando o candidato socialista Pedro Marques de “fugir à rua”.

Paulo Rangel, que de manhã em Vila do Conde pediu “cartão amarelo” ao Governo nas eleições europeias, reforçou à noite o apelo para “dar um cartão amarelo forte, quase laranja” ao Governo do PS e à sua “herança”, dizendo não ter medo de falar do país.

Considerando que o dia 26 de maio – dia do ato eleitoral - será “o ponto de viragem” para os sociais-democratas, Paulo Rangel considerou “fundamental dar uma lição a António Costa depois de tudo o que fez na governação”, dando como exemplos “o recorde de carga fiscal”, que disse ser a “mais alta desde Afonso Henriques” e os cortes no investimento público.

“De nada nos vale ter mais 10 euros ou 20 por mês se a nossa consulta é adiada seis meses, se a nossa cirurgia é adiada sem data, se o SNS é todos os dias maltratado e posto de parte. E a ministra da saúde se tivesse consciência do seu papel já há muito se tinha demitido”, considerou.

No início do seu discurso, Paulo Rangel começou por avisar que o PSD não se deixa “intimidar ou ameaçar” pela forma “como o PS tratou os assuntos políticos na última semana”.

“E não fazemos porque ao contrário do PS e dos seus candidatos às europeias nós não fugimos à rua e não fugimos ao contacto com as populações”, declarou, observando que só na sexta-feira Pedro Marques irá ter “um encontro com a população” e que até agora esteve sempre “em espaços protegidos e fechados”.

Paulo Rangel acusou Pedro Marques de não esclarecer se na campanha fala como ex-ministro, se fala como candidato ao Parlamento Europeu ou se fala como “protocandidato à Comissão Europeia” e de fazer “uma candidatura falsa”.

“E é por isso mesmo que o PS não leva a sério esta candidatura, em que num comício não houve uma única referência ao cabeça de lista durante quatro ou cinco discursos, toda a gente ignorou a sua presença, porque o PS tem um candidato que é virtual que não foi às eleições para as disputar mas para fazer as vezes de António Costa que ele sim é o adversário nestas eleições”, declarou.

Rangel sublinhou que o PSD não quer nesta campanha eleitoral “desviar ou transfigurar” as eleições europeias em nacionais mas advertiu que o PSD também “não tem medo do teste e do desafio de António Costa que é falar da realidade nacional”.

No jantar-comício que marcou o arranque da campanha oficial do PSD às europeias, Paulo Rangel discursou antes do presidente do partido, Rui Rio, com quem entrou no pavilhão Agrival, subindo a um palco onde passaram minutos antes imagens dos candidatos sociais-democratas.

Antes de Rangel, foi o presidente da câmara de Penafiel, Antonino Vieira de Sousa, ex-militante do CDS-PP que recebeu no momento o cartão de militante do PSD, a apresentar razões locais para o voto na lista do PSD nas europeias.

“Foi Pedro Marques que, quando tínhamos IC35 preparado para ser adjudicado, suspendeu-o e meteu-o na gaveta, prejudicando a nossa região”, disse.

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