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​Trabalhadores dos supermercados em greve no 1º de Maio

23 abr, 2019 - 17:37 • Hugo Monteiro, com redação

A principal reivindicação é a criação de um Contrato Coletivo de Trabalho e o encerramento do comércio aos domingos e feriados.
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Os trabalhadores de hiper e supermercados fazem greve no feriado do 1.º de Maio, Dia do Trabalhador.

O pré-aviso foi emitido pelo Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços (CESP).

A greve abrange trabalhadores do Pingo Doce, Auchan, Sonae e Dia/Minipreço.

A principal reivindicação do protesto é a criação de um Contrato Coletivo de Trabalho e o encerramento do comércio aos domingos e feriados.

O Sindicato dos Trabalhadores do Comércio saúda o repto lançado pelo bispo do Porto, D. Manuel Linda, para o encerramento dos supermercados ao domingo.

Em declarações à Renascença, a presidente do sindicato, Isabel Camarinha, diz não haver motivo para a abertura dos supermercados ao domingo.

“Com os horários que hoje em dia os estabelecimentos comerciais têm de abertura, são tão flexíveis e tão alargados que permitem perfeitamente que as pessoas vão às compras nos outros dias da semana. Não se justifica a abertura ao domingo. Depois, neste setor os salários são baixíssimos, os trabalhadores têm horários longuíssimos e têm de trabalhar todos os sete dias da semana. No resto da Europa não é assim: os salários são mais altos e, na maioria dos países da Europa, o comércio encerra ao domingo e ao feriado”, afirma a sindicalista.

Isabel Camarinha defende que uma redução de horário não significa um aumento do desemprego no setor.

“A maioria dos estabelecimentos que abre ao domingo tem falta de trabalhadores. Têm vindo a reduzir o número de trabalhadores e a impor ritmos de trabalho brutais e têm dificuldade em recrutar novos trabalhadores, porque quando são confrontados com um salário muito baixo, com os horários, trabalhar sete dias por semana e quase todos os dias do ano, os trabalhadores tentar encontrar outra coisa melhor”, refere a presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio.

Em resposta enviada à Renascença, a Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição (APED) lembra que a abertura dos híper e supermercados ao domingo pretende responder a uma dinâmica social e procura ir ao encontro das expetativas dos consumidores.

A Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP) diz não ter ainda uma posição definida, embora historicamente sempre tenha sido contra a abertura destes estabelecimentos aos domingos e feriados.

Em declarações à Renascença, o presidente da CCP, João Vieira Lopes, promete participar no debate em curso e sublinha que um horário mais restrito ao fim de semana poderia potenciar outras atividades, como turismo, cultura ou lazer.

João Vieira Lopes recusa a ideia de que o encerramento dos supermercados ao domingo significaria uma redução da receita.


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