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No meio da tragédia da Síria, ainda há histórias com final feliz

13 mar, 2019 - 15:10 • Filipe d'Avillez

O pai achava que os seus quatro filhos mais novos, raptados há cinco anos pelo Estado Islâmico, estavam mortos. O esforço conjunto de um militar e de uma jornalista conseguiu devolvê-los à família com vida.
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Quatro irmãos que foram raptados pelo autoproclamado Estado Islâmico há cinco anos regressaram finalmente a casa, para junto do irmão mais velho e do pai, que já os tinham dado como mortos.

As quatro crianças foram encontradas por elementos das Forças Democráticas da Síria (SDF), a coligação liderada por curdos que tem levado a cabo a luta no terreno contra o Estado Islâmico, com o apoio aéreo de forças ocidentais. Um dos elementos das SDF filmou as crianças, que se identificaram e disseram ser de Telafer, no Iraque.

As imagens foram vistas por uma jornalista, correspondente no Médio Oriente, que tratou de as pôr a circular para tentar localizar familiares.

Passado algum tempo foi possível localizar o pai e o irmão mais velho dos rapazes. A mãe também foi raptada pelo grupo terrorista e nunca mais foi vista.

Os familiares quiseram contactar de imediato os rapazes, mas estes já tinham sido levados para uma casa segura, longe da frente de batalha, para onde as SDF costumam encaminhar ex-cativos do Estado Islâmico, incluindo mulheres da minoria Yazidi, que foram particularmente perseguidas pelos jiadistas.

No passado domingo o pai conseguiu finalmente chegar à Síria para resgatar os seus filhos e levá-los de volta para o Iraque. À chegada foram recebidos em festa pela comunidade.

No seu perfil do Twitter, Jenan Moussa partilha imagens dos filhos a regressar a casa, incluindo um curto vídeo do irmão mais velho a abraçar os mais novos, que pensava já terem morrido.

Segundo a jornalista, os rapazes estão a adaptar-se bem no regresso à normalidade, embora os mais novos se tenham esquecido de como falar turcomano depois de vários anos em cativeiro.

“Por entre todas as lágrimas e finais tristes na Síria e no Iraque, de vez em quando surgem momentos de alegria e finais felizes. Este foi um desses raros dias”, escreveu Moussa no Twitter.

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