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​2019: A antevisão do ano

11 jan, 2019 - 14:07

Nesta primeira edição de 2019 do Visto de Bruxelas, o ano das eleições para o Parlamento Europeu ou o ano do Brexit, vamos saber quais os últimos desenvolvimentos em Londres, a poucos dias do Parlamento votar o acordo com Bruxelas. Fazemos ainda a antevisão da presidência romena da EU.
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Visto de Bruxelas (11/01/2019)
Visto de Bruxelas (11/01/2019)

Esgota-se o tempo para o Brexit

A três meses da data para a saída do Reino Unido da União Europeia, reina a incerteza sobre esta ruptura. A Primeira-ministra Teresa May chegou a acordo com Bruxelas, esse acordo vai ser votado na próxima semana no Parlamento Britânico, mas não há qualquer garantia de que seja aprovado. Ontem, o líder trabalhista Jeremy Corbin pediu eleições antecipadas e diz que essa é a prioridade e não um segundo referendo. Segundo relata o correspondente da Renascença em Londres, António Fernandes, “a única palavra que resume todo este processo é uma enorme incerteza”.

Por cá, esta sexta-feira à tarde, o Governo português apresenta o plano de contingência para os portuguese que vivem no Reino Unido, em particular nas áreas da circulação de pessoas, transportes e serviços financeiros básicos.

Arranque da presidência romena em Bucareste

A Roménia assumiu este semestre a presidência da União Europeia e, precisamente hoje, os comissário europeus estão em Bucareste para lançar oficialmente esta presidência. A presidência semestral surge num dos momentos mais complexos da UE com Brexit, eleições europeias. E um início de presidência também marcada por conflitos internos no Governo romeno e pelos recentes alertas da Comissão e Parlamento sobre estado de direito. Basicamente, a Roménia tem um Governo fragilizado por disputas partidárias e suspeitas de corrupção.

Migrações vão marcar (outra vez) o ano

Outro tema que vai também marcar o ano é o da crise migratória. António Vitorino, o director geral da Organização Internacional da Migrações, esteve em Lisboa e - num seminário para diplomatas -falou do crescimento da Extrema-direita na Europa, de como o tema das migrações dominou a campanha do Brexit e vai dominar as próximas eleições europeias. De resto, ainda ontem o Primeiro-ministro húngaro, Victor Orban, apelou a uma aliança dos políticos anti-imigração para conquistar as instituições da UE.

“Quando se fala em migrações existe um desfasamento entre a perceção e a realidade”, disse António Vitorino. O director-geral da Organização Internacional das Migrações deixou um alerta: esse desfasamento tem permitido o crescimento das forças populistas e o alimento dessas forças é simples: “Alimenta-se dos que se sentem perdedores da globalização e que olham para os migrantes como instrumentos dessa pressão globalizadora que põe em causa o seu modo de vida, os seus empregos, a sua convivência no local de destino”.

O Diretor Geral da Organização Internacional das migrações deu o exemplo do partido Alternativa para a Alemanha. Um partido descrito como “marginal”, mas que, quando pôs as migrações no centro da actuação política, passou a ser relevante. António Vitorino sublinha a mensagem simples e fácil usada: “Parar a imigração é o tema, Erguer muros e barreiras para os deter. Expulsar os que não queremos. Trudo isto é uma mensagem fácil de ser entendida, mas sabemos que não há soluções simples para problemas complexos”.

Com a crise migratória cada vez mais na ordem do dia, António Vitorino acredita que este será - certamente – um tema central nas eleições europeias que se realizam a 26 de Maio. O diretor geral da OIM deixa por isso um apelo: “Espero que as forças políticas que são respeitadoras dos direitos humanos e da dignidade humana possam ter propostas de política migratória que possam ser equilibradas e possa ter o apoio de milhões de cidadãos que não têm razão para ter medo das migrações, mas que têm razão para estarem preocupados com os desafios que este problema coloca”.

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