Tempo
|
A+ / A-

Theresa May deverá enfrentar moção de censura. O que acontece a seguir?

15 nov, 2018 - 13:11

Grupo de deputados pró-Brexit já está a redigir cartas para avançar com voto contra a primeira-ministra, avança o jornal "The Guardian".

A+ / A-

Uma jornalista do "The Guardian" avançou esta quinta-feira que um grupo de cerca de 50 deputados pró-Brexit vai apresentar um pedido ao Parlamento para que se avance com uma moção de censura contra o Governo de Theresa May por causa do acordo técnico alcançado com Bruxelas esta semana para concretizar a saída do Reino Unido.

No Twitter, a jornalista Heather Stewart informou que o deputado Jacob Rees-Mogg, um dos mais acérrimos defensores da saída da União Europeia entre os membros do Partido Conservador de May, "já está a preparar a carta para uma moção de censura a Theresa May. É o 'agora ou nunca' para o European Research Group [grupo de conservadores pró-Brexit]; será que têm o número [suficiente de apoiantes]?"

A confirmar-se, a moção surge depois de cinco ministros terem apresentado demissão esta quinta-feira por discórdias quanto ao esboço de acordo que os negociadores britânicos e europeus alcançaram no início da semana.

Perante as crescentes cisões dentro do Partido Conservador entre eurocéticos e europeístas, aumentam as possibilidades de May ver a sua liderança partidária desafiada.

Como se abre uma disputa à liderança de May?

De acordo com as regras estipuladas no Reino Unido, é necessário que 15% dos deputados do partido, neste caso 48 dos 315 deputados conservadores, escrevam cartas a exigir uma moção de censura à sua líder, missivas essas que devem ser entregues ao chamado "comité 1922" do partido, que representa os elementos do partido com assento parlamentar mas sem cargos ministeriais.

O líder do Comité 1922, atualmente Graham Brady, é a única pessoa que sabe quantas cartas já foram submetidas neste sentido, incluindo as que lhe tenham sido entregues confidencialmente, por elementos do partido que não querem assumir a sua postura publicamente.

O que acontece a seguir?

A confirmarem-se as informações do "Guardian" de que já há cerca de 50 deputados conservadores contra May, a votação terá lugar o mais cedo possível, numa data decidida pelo líder do Comité 1922 através de consultas com o líder do partido e de acordo com as regras dos conservadores.

A última moção de censura a um líder conservador, quando o partido estava na oposição em 2003, aconteceu no dia a seguir ao líder do Comité 1922 ter anunciado que tinha recebido cartas em número suficientes para avançar com essa votação.

E se suficientes deputados votarem contra May?

Será então marcada uma reunião para decidir quem a substitui na liderança do Partido Conservador. Dado que May é a atual primeira-ministra do Reino Unido, quem a substituir tornar-se-á primeiro-ministro. Isto quer dizer que um voto desta natureza não implica que sejam convocadas eleições antecipadas para se eleger um novo chefe do Executivo.

Se vários candidatos se apresentarem, é realizada uma votação secreta entre os deputados conservadores para reduzir este número. O processo via sendo repetido, todas as terças e quintas-feiras, até que restem apenas dois candidatos, que serão depois submetidos a uma votação que envolverá já todos os membros do Partido Conservador. Para votar, cada elemento tem de pertencer ao partido há pelo menos três meses.

Tópicos
Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

  • Anónimo
    15 nov, 2018 18:24
    Que caia o governo. Incompetentes.

Destaques V+