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Gaia. Médicos e sindicatos criticam internamento “indigno” de doentes

30 jan, 2015

Há 40 a 50 doentes nesta situação. O centro hospitalar tem 1,6 camas por cada mil utentes, um “rácio extremamente baixo”, critica a Ordem dos Médicos.

Gaia. Médicos e sindicatos criticam internamento “indigno” de doentes

Ordem e sindicatos dos Médicos dizem que a Urgência do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho tem falta de camas para internamento, acrescentando que ser "absolutamente indigno" o internamento de doentes em macas.

Em declarações aos jornalistas após uma visita ao serviço de urgência, o presidente do Conselho Regional do Norte da Ordem dos Médicos (CRNOM), Miguel Guimarães disse ter "visitado salas e corredores do serviço de urgência em que estão doentes internados em macas".

"É absolutamente indigno para os doentes e para os profissionais que se trabalhe em condições deste género", disse esta sexta-feira o responsável, que apontou para 40 a 50 o número de doentes nessa situação.

O CRNOM visitou as instalações, acompanhado de representantes do Sindicato Independente dos Médicos (SIM) e o Sindicato dos Médicos do Norte (SMN), tendo as três entidades apontado que o centro hospitalar tem 550 camas para internamento agudo, ou seja uma média de 1,6 camas por cada mil utentes abrangido directa e indirectamente por este equipamento de saúde.

"É um rácio extraordinariamente baixo. Há claramente uma falta de camas para internamento de doentes agudos e isto condiciona congestionamentos absolutamente extraordinariamente no serviço de urgência", disse Miguel Guimarães, que também falou em falta de médicos, enfermeiros e assistentes operacionais.

Outro dos dados criticados pelo responsável da Ordem dos Médicos prende-se com o facto de entre as 24h00 e as 8h00 não haver radiologistas na urgência, ou seja, não é possível realizar ecografias.

Às críticas de Miguel Guimarães juntaram-se Merlinde Madureira, do SMN, e Manuela Dias, do SIM, com esta última a lançar uma crítica ao ministro da Saúde por, segundo afirmou, "conhecer bem esta realidade" uma vez que "pouco tempo depois de tomar posse" se deslocou àquele hospital.

"Gaia é um hospital eternamente adiado. O hospital do maior concelho da Área Metropolitana do Porto continua adiado. É a desesperança e o descredito. Há nesta casa um espírito de desconfiança grande face a quem disser que vai resolver esta situação", acrescentou a dirigente.