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"Não se vendem objectos de marfim" no Vaticano

25 jan, 2013

Director de comunicação do Vaticano defende a Igreja das acusações do National Geographic e promete encorajar os católicos a combater o comércio ilegal de marfim.

"Não se vendem objectos de marfim" no Vaticano
O director da sala de imprensa da Santa Sé, padre Federico Lombardi, veio a público rejeitar as acusações feitas num editorial da revista "National Geographic", que acusava o Vaticano de complacência com o comércio ilegal de marfim.

Na sua edição de Outubro de 2012, a revista internacional publicou uma reportagem sobre como objectos de devoção religiosa, de várias religiões, incentivam o abate ilegal de elefantes para lhes retirar o marfim. No editorial, da mesma edição, a revista dizia que uma posição por parte do Vaticano poderia ajudar a abrandar o processo. No texto, o "National Geographic" publicava o email pessoal do padre Lombardi.

Esse facto levou a uma torrente de missivas “nem todas simpáticas ou profundas”, segundo o padre Lombardi, que lamenta a insinuação da revista e diz que não faz sentido falar do Vaticano uma vez que naquela cidade-Estado “não há qualquer loja a vender artigos de marfim aos fiéis ou aos peregrinos”.

O padre Lombardi diz ainda que em todos os seus anos no coração da comunicação da Igreja, “nunca ouvi ou li uma única palavra que encorajasse a utilização de marfim para objectos devocionais”.

“Todos sabemos que há objectos religiosos de marfim de grande significância, na maioria antigos, porque o marfim era considerado um material valioso e bonito. Contudo a Igreja nunca encorajou a utilização de marfim acima de outro material. Nunca houve razões para pensar que o valor dos artigos de devoção possam estar associados à preciosidade do material de que são feitos”, esclarece o sacerdote.

Recentemente, porém, dois presidentes africanos deram presentes de marfim a Bento XVI. O chefe de Estado do Benim ofereceu-lhe um crucifixo de ébano com um Cristo de marfim, e o presidente da Costa do Marfim deu-lhe um tabuleiro de xadrez. Em ambos os casos, contudo, os políticos insistiram que se tratava de marfim obtido de forma legal.

Na sua carta à "National Geographic" o padre Lombardi compromete-se, contudo, a encorajar os católicos africanos a participar no combate ao comércio ilegal de marfim e disse que também iria chamar a atenção para este problema ao Conselho Pontifício Justiça e Paz, que trata de assuntos ligados à conservação do ambiente.