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Bispos irlandeses criticam planos para legalizar aborto

19 dez, 2012 • Filipe d’Avillez

O Governo irlandês já anunciou a intenção de legalizar o aborto, incluindo em casos em que se considere que há riscos de suicídio da mulher. Deputados vão ter disciplina de voto.  

A Igreja irlandesa critica duramente os planos, anunciados ontem pelo Governo, de liberalizar o aborto naquele país.

Aparentemente, a legislação é muito restritiva, prevendo só que o aborto se possa praticar quando há risco de vida para a mulher, mas segundo a proposta incluem-se também os casos em que se considere que há riscos de suicídio da mulher.

Os defensores da vida consideram que essa cláusula é muito sujeita a abusos e pode levar facilmente ao aborto a pedido, bastando para isso que a mulher indique que tem tido pensamentos suicidas.

Actualmente só se pode praticar um aborto na Irlanda por decisão médica e apenas se a gravidez apresentar um perigo imediato à vida da mãe, uma posição que está em linha com a doutrina católica.

Hoje vários bispos irlandeses criticaram a proposta: “Os nossos representantes são hoje confrontados por uma decisão inevitável: defender o igual direito à vida da mulher e da criança que carrega no útero em todas as circunstâncias, ou permitir a matança directa e intencional de um bebé inocente?”

A Igreja critica ainda a decisão anunciada pelo Governo de impor disciplina de voto a todos os deputados da coligação governamental. Numa questão desta natureza é urgente permitir a liberdade de consciência, insiste a Igreja.

A Irlanda está sob pressão das instituições europeias no sentido de legalizar o aborto e o debate reacendeu-se recentemente depois da morte de uma mulher de nacionalidade indiana a quem, segundo o marido, foi recusado um aborto quando chegou ao hospital a queixar-se de dores agudas e a sofrer um aborto espontâneo.

Savita Halappanavar acabou por morrer de uma infecção. O caso levou a uma onda internacional de protestos contra a lei irlandesa e terá motivado a actual decisão do Governo, mas as alegações têm sido contestadas por especialistas. Se a gravidez estivesse realmente a colocar em causa a vida de Savita então um aborto não seria ilegal e então a responsabilidade seria dos médicos, mas a jornalista que escreveu a notícia original já veio dizer que dependeu unicamente da versão do marido e que a sua memória dos factos era questionável.