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Jihadistas portugueses que voltem têm de ser vigiados

22 out, 2014

Em entrevista à Renascença, o antigo secretário-geral dos Sistemas de Segurança Interna Mário Mendes sustenta que estes possíveis regressos representam um risco reduzido.

Jihadistas portugueses que voltem têm de ser vigiados

O antigo secretário-geral dos Sistemas de Segurança Interna Mário Mendes alerta, em entrevista à Renascença, para a necessidade de garantir a vigilância sobre os jovens elementos portugueses do Estado Islâmico que possam regressar a Portugal.

“Os serviços de informações devem permanecer alguma vigilância relativamente à actuação dessas pessoas, nomeadament, sobre o tipo de contactos que poderão manter”, explica Mário Mendes.

Nestas declarações à Renascença, o antigo secretário-geral dos Sistemas de Segurança Interna sustenta, contudo, que essa vigilância deve ser feita mais por precaução.

“A primeira missão é conhecer, verdadeiramente, qual foi o grau de identificação dessas pessoas com a actuação do exército islâmico. Depois, deve-se prosseguir com alguma vigilância, consoante o grau do risco que essas pessoas oferecem, embora esteja convencido de que esse tipo de pessoas que pretendem regressar não oferecem grande perigo”, acrescenta Mário mendes.

A hipótese de regresso de portugueses que estão actualmente nas fileiras do grupo radical Estado Islâmico foi admitida pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete.

Em entrevista à Renascença, o ministro refere que há "dois ou três portugueses", sobretudo raparigas, que querem regressar a Portugal. Machete adianta que as jovens fazem parte de um grupo de 12 a 15 portugueses que se juntaram aos radicais.

Rui Machete foi entrevistado nas Nações Unidas, em Nova Iorque, no dia em que Portugal foi nomeado para o Conselho dos Direitos Humanos da ONU. O ministro garantiu ainda que o Governo não tenciona apoiar militarmente a coligação internacional contra os extremistas do Estado Islâmico, que controlam partes da Síria e do Iraque.