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Festas do Santo Cristo não são a mesma coisa longe da ilha

04 mai, 2013 • Filipe d'Avillez, em São Miguel

Para milhares de açoreanos ,as festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres são uma expressão de fé, mas também uma forma de matar saudades de um São Miguel que há muito trocaram pelas américas.

Festas do Santo Cristo não são a mesma coisa longe da ilha

Milhares de fiéis, cortejos de motos, bombeiros e polícia e muita gente a pagar promessa, arrastando-se de joelhos até ao santuário que fica bem no centro de Ponta Delgada. Foi assim que começou este sábado, um dos dias mais importantes das festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres, nos Açores.

Mas para muitos dos que participam por estes dias nesta festa tradicional, esta é não só uma expressão de fé, mas também uma forma de matar as saudades. São os emigrantes, a maior parte dos quais encontram-se actualmente no Canadá e nos Estados Unidos, e que voltam sempre que conseguem.

Leonor Medeiros está há 40 anos fora de Portugal, radicada nos Estados Unidos, e reconhece que é um sentimento muito especial, poder estar em São Miguel por estes dias: “É bom faz-nos reviver o passado e isso tem a ver também com a nossa religiosidade”.

Como não podia deixar de ser, as comunidades emigradas para as américas levaram com elas as suas devoções e crenças. Mas para Leonor Medeiros as festas fora da ilha não são a mesma coisa: “Costumo dizer que são primos filhos de irmãos do Senhor Santo Cristo”.

Bento Raposo, que vive no Canadá vai para 40 anos, também tem festas perto da sua terra de adopção, mas há um bichinho que só se mata vindo para os Açores: “Encontramos parecido, mas a saudade da nossa terra é aquele bichinho que temos que nunca esquecemos”.

A mesma opinião é partilhada por José Raposo, há 30 anos em Fort River, nos Estados Unidos, que este ano fez questão de voltar à terra natal para a mulher poder cumprir uma promessa, feita pela cura de um cunhado que tem cancro. “As festas de Santo Cristo tem um significado muito forte, que sentimos lá fora. Há muita força. Também fazemos as nossas festas lá fora, mas como isto, não há palavras”.

As festas prosseguem durante os próximos dias. Amanhã será o ponto alto, com missa campal, se o tempo permitir, presidida pelo cardeal de Boston, Sean O'Malley.