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Contra a violência, milhares respondem "Je Suis Charlie" em Paris

07 jan, 2015 • Filipe d’Avillez

Os manifestantes ostentam cartazes e canetas. Uma forma de dizer que a liberdade de expressão deve opor-se à violência.

Contra a violência, milhares respondem "Je Suis Charlie" em Paris
Contra a violência, milhares respondem "Je Suis Charlie" em Paris
Numa declaração emocionada, o presidente francês decretou luto nacional para quinta-feira, depois do atentado desta manhã ao jornal satírico “Charlie Hebdo”. François Hollande prometeu continuar a defender a liberdade pela qual morreram 12 pessoas. Ao longo da tarde, milhares de franceses encheram a Praça da República, na capital francesa, para prestar a sua homenagem aos jornalistas e polícias assassinados.
Cerca de 35 mil pessoas concentraram-se esta quarta-feira em Paris, na Praça da República, para mostrar a sua solidariedade com os jornalistas e polícias assassinados esta manhã por terroristas na redacção do jornal satírico “Charlie Hebdo”.

Muitos dos manifestantes encontram-se de braço erguido, segurando uma caneta, mostrando dessa forma que esta é mais forte que as armas e que a violência não silenciará a liberdade de expressão.
A manifestação em Paris está a ser acompanhada de gestos de solidariedade um pouco por todo o mundo, sobretudo nas redes sociais onde o "hashtag" (etiqueta que agrupa "posts" por tema) #JeSuisCharlie está a ser utilizado para a partilha de mensagens de luto, revolta e solidariedade para com as vítimas e a sociedade francesa. Em várias cidades há pequenas concentrações, muitas das quais diante das respectivas representações diplomáticas de França.

O atentado que teve lugar um pouco antes do meio-dia vitimou pelo menos 12 pessoas, 10 funcionários da revista e dois polícias, e foi levado a cabo por um comando de terroristas, ao que tudo indica, islâmicos. Pelo menos um dos polícias foi morto com um tiro de caçadeira, à queima roupa, enquanto estava deitado no chão, ferido.

Nas imagens do ataque vêem-se claramente dois homens armados e encapuzados, vestidos de preto, que gritam palavras de ordem típicas do fundamentalismo islâmico, como "Allahu Akhbar" ("Deus é grande").

Testemunhas indicam que os atacantes também gritaram "O profeta foi vingado", aludindo provavelmente aos cartoons de Maomé que foram publicados pela revista em 2011, causando fortes protestos da comunidade muçulmana, na altura, e uma discussão a nível internacional sobre a liberdade de expressão e o respeito pela religião.

Findo o ataque os terroristas entraram num carro e puseram-se em fuga. O carro foi abandonado mais tarde, mas os autores do atentado estão a monte. O Governo subiu os níveis de alerta e accionou os planos antiterrorismo e decorre uma verdadeira caça ao homem para tentar apanhar os autores do ataque.