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Alargado prazo para portugueses deixarem bairro social no Luxemburgo

14 out, 2013 • Marta Grosso com Carla Caixinha

É uma das decisões saída da reunião entre a Associação de Apoio aos Trabalhadores Imigrantes e o Governo luxemburguês. Cada caso é um caso e as situações mais vulneráveis vão ser analisadas pelos serviços sociais.

Os emigrantes portugueses que arriscavam ser despejados de um bairro social no Luxemburgo vão ter mais tempo para encontrar uma alternativa de habitação.

“Vai haver um prolongamento do prazo para as pessoas que teriam de sair a 1 de Janeiro de 2014. Mediante as situações, vão ser dados mais seis meses para que as pessoas possam encontrar outra solução”, revela à Renascença o porta-voz da Associação de Apoio aos Trabalhadores Imigrantes (ASTI), Sérgio Ferreira.

“Devem provar que estão à procura dessa solução – não basta dizer que estão – e há algumas propostas de soluções alternativas que o Ministério pôs em cima mesa e que os trabalhadores portugueses poderão aproveitar”, acrescenta. Entre elas estão casas com rendas não tão baixas como as actuais, “mas com uma renda muito abaixo daquilo que são os valores no mercado.

Esta é uma das decisões que saiu da reunião que a ASTI manteve esta segunda-feira com o Ministério da Integração luxemburguês, a quem foi pedido consideração especial pelas situações mais vulneráveis.

“Os assistentes sociais vão agora entrar em acção, para tentar perceber da veracidade das declarações dos trabalhadores e para se encontrar uma solução que seja menos pesada financeiramente para eles”, conta Sérgio Ferreira.

A ASTI vai agora marcar uma reunião ainda para esta semana, com vista a “explicar convenientemente” aos trabalhadores “o que foi dito e como podem agir doravante para assegurar que os seus interesses e direitos são totalmente respeitados”.

O anúncio da ordem de despejo de 15 portugueses do Foyer de Mühlenbach, a maior residência social do país para imigrantes com dificuldades económicas foi feito na semana passada.

Construído nos anos 70 para acolher a primeira vaga de imigração portuguesa, o Foyer de Mülhenbach, situado na periferia da capital luxemburguesa, está dividido em oito blocos, cada um com seis quartos duplos, além de cozinha e balneário comum. São habitações de natureza provisória, devendo os imigrantes permanecer nelas apenas durante três anos.

Mas muitos deles não conheciam a existência de tal prazo e estão nas residências há mais tempo.


Luxemburgo não é o “El Dorado”
Nestas declarações à Renascença, Sérgio Ferreira sublinha que o Luxemburgo de hoje não é o de há 20 anos.

“O Luxemburgo está também a passar por uma situação menos boa, nada comparável com Portugal, mas onde a taxa de desemprego tem vindo a subir ao longo dos últimos anos de forma clara, onde aquilo que o mercado de trabalho tem para oferecer são postos para os quais são necessárias qualificações”, afirma.

“Muitas vezes, há em Portugal a ideia de que isto é o El Dorado, que basta chegar e abanar a árvore das patacas, fala-se em salários mínimos na ordem dos 1.600 e 1.700 euros, mas esquece-se que, por exemplo, um simples estúdio para uma pessoa morar na capital dificilmente custa menos do que 900 euros”, sustenta ainda o porta-voz da ASTI.

“A realidade dos salários é uma, o custo de vida é outra realidade de que as pessoas não têm tanta consciência. O que devem fazer é informar-se bem antes de partir à aventura para evitar dissabores, como tem acontecido com muitos portugueses todos os dias”, aconselha.