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Covid-19

“Não se pode entregar o processo de vacinação às câmaras”, diz presidente da Câmara de Gaia

25 nov, 2021 - 22:44 • Inês Rocha

Eduardo Vítor Rodrigues considera que os centros de saúde “deviam ter-se somado” ao esforço de vacinação. Sobre a falta de condições no centro de vacinação das Devesas, o autarca sublinha que o papel da autarquia é só de “colaborar”.

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O presidente da Câmara Municipal de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues, considera que os centros de saúde “deviam ter-se somado” ao esforço de vacinação, principalmente no que diz respeito à vacina da gripe.

“O Estado e a DGS definiram, comodamente, utilizar os centros de vacinação para a vacina da gripe. Os centros de saúde, até hoje, que eu saiba, não estão a fazer vacinação nenhuma. Ora, se todos nos juntarmos e dermos as mãos, todos conseguiremos uma solução melhor”, afirmou Eduardo Vítor Rodrigues, em entrevista à Renascença.

O autarca sublinha que não defende que os centros de saúde passem a ter exclusividade. “Os centros de vacinação continuam a ser importantes. Estou a defender é que os centros de saúde se deviam ter somado a este esforço”, considera.

“Estamos a falar de maiores de 75 anos, estamos a falar de pessoas com mobilidade reduzida, em cadeiras de rodas, com dificuldade de locomoção, com tempos de espera entre vacinas que não ocorreriam se fosse só a vacina Covid…”

Centro de vacinação de Gaia. Utentes queixam-se de frio, longas esperas e sem distanciamento
Centro de vacinação de Gaia. Utentes queixam-se de frio, longas esperas e sem distanciamento

Questionado sobre as condições deste novo espaço, que no início de novembro substituiu o pavilhão das Pedras, no centro da cidade, Eduardo Vítor Rodrigues sublinha que o papel da autarquia é só de “colaborar”.

“Não se pode entregar o processo de vacinação às câmaras, sob pena de um dia destes extinguirmos a ARS e o Ministério da Saúde. Ficam as câmaras com todas as competências”, atira o autarca.

Com a necessidade de utilizar o Pavilhão das Pedras para a prática desportiva, no início de novembro abriu um novo centro de vacinação num armazém dos CTT nas Devesas.

Eduardo Vítor Rodrigues explica que “ARS não encontrou nenhum local” para substituir o Pavilhão das Pedras, “até porque a ARS quer um local que não tenha que pagar e nós conseguimos, em diálogo com os CTT, uma solução gratuita”. O autarca sublinha ainda que todas as despesas, à exceção das vacinas, foram assumidas pela Câmara, com o objetivo de ajudar no processo.

A autarquia contabiliza cerca de 1,2 milhões de euros gastos no processo de vacinação. E lembra que, ao longo dos últimos meses, tem tido um “peso brutal” em trabalho extraordinário de polícia municipal e bombeiros, que estão destacados para os centros de vacinação sete dias por semana. “Em alguns casos, ultrapassa até o limite legal”, revela.

Questionada pela Renascença, a ARS Norte adianta que na próxima semana deverá entrar em vigor um horário alargado no centro de vacinação das Devesas, para fazer face à procura. Serão também colocados aquecedores e instalada uma tenda no exterior, para aumentar a área de espera e de recobro.

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