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Ranking das Escolas 2021. Médias baixam, há um novo líder e escolas públicas continuam fora do top 30

08 jul, 2022 - 00:00 • Fátima Casanova

As médias dos exames do Secundário desceram em 2021, em comparação com o ano anterior, quando a pandemia fechou escolas e os exames foram “mais acessíveis”. Pelo terceiro ano consecutivo não há nenhuma escola pública no top 30. Depois de seis anos com o mesmo líder, há agora uma nova escola privada no primeiro lugar do Ranking das Escolas 2021.

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Pelo terceiro ano consecutivo não há nenhuma escola pública no “top 30” do secundário, indica o Ranking das Escolas de 2021, divulgado esta sexta-feira, que tem em conta as notas dos exames nacionais.

Depois de seis anos consecutivos sempre a liderar, o Colégio Nossa Senhora do Rosário, no Porto, caiu para o 4.º lugar do Ranking das Escolas. O título de melhor estabelecimento de ensino em 2021 fica no mesmo distrito: trata-se do Colégio Nova Encosta, em Paços de Ferreira.

O ranking mostra que as médias das notas dos exames desceram em 2021, face ao ano anterior, quando em plena pandemia de Covid-19 e com escolas fechadas os exames foram “mais acessíveis”, admite à Renascença o presidente do Instituto de Avaliação Educativa (IAVE). Luís Santos sublinha que “2020 é um caso à parte, completamente à parte”.

Nesse ano, os exames adotaram o bloco de perguntas opcionais e os itens obrigatórios foram “menos abrangentes”, porque “nas disciplinas trienais as perguntas debruçaram-se sobre o 12.º ano e nas bienais sobre o 11.º ano”, explica o presidente do IAVE.

Em ano de mudanças, a realização dos exames também deixou de ser obrigatória para concluir o ensino secundário, prática que se tem mantido desde então.

Médias baixaram, com algumas exceções

Em 2020, os três melhores colégios conseguiram médias acima dos 17 valores, proeza que já não se repetiu em 2021.

O Colégio Nova Encosta, em Paços de Ferreira, conquistou a liderança do ranking com uma média de 16,10 valores, menos 79 décimas do que no ano anterior.

Das 459 escolas que realizaram mais de 100 exames (critério usado pela Renascença), apenas três conseguiram melhorar a sua média, face a 2020.

Curiosamente, as três são escolas públicas e duas delas são Escolas Artísticas. Destaque para a Escola Artística Soares dos Reis, no Porto, que subiu 293 lugares no ranking, do 472.º lugar para a posição 199 em 2021, com a média 11,56 valores, mais 0,73 do que no ano anterior.

É seguida pela Escola Básica e Secundária da Calheta, na Madeira, e pela Escola Artística António Arroio, em Lisboa, que melhoraram a média em quatro décimas e duas décimas, respetivamente.

Todas as outras escolas viram as médias a baixar. Em cinco instituições de ensino a média baixou mais de três valores, só uma é privada. Em 119 estabelecimentos, a média recuou mais de dois valores.

Tratou-se de “uma correção dos valores médios”, diz à Renascença o presidente do IAVE. Luís Santos entende que as médias dos exames realizados em 2021 “aproximaram-se dos níveis pré-pandemia", acrescentando que “já se atingiu uma situação de algum equilíbrio em termos de consistência das médias”.

Só como exemplo, olhando para os lugares cimeiros da tabela, seis colégios privados conseguiram ter mais de 15 valores, quando em 2020 foram 35 instituições de ensino e em 2019 apenas uma o conseguiu.

Melhores notas a Norte

Neste Ranking das Escolas 2021, os alunos das instituições de ensino do Norte do continente têm melhores notas nos exames.

Nos dez primeiros lugares estão seis colégios a norte do rio Mondego. Os outros quatro estão na Área Metropolitana de Lisboa.

Nota ainda para a entrada no “top 10” do Colégio Efanor, em Matosinhos, que nos anos anteriores não foi considerado por ter realizado menos de 100 exames.

Só três escolas públicas no “top 40”. Duas são de Viseu

Pelo terceiro ano consecutivo não há nenhuma escola pública entre as primeiras 30, mas, ainda assim, destaque para a recuperação de um lugar em 2021, já que a primeira aparece na posição 35.

Trata-se da Escola Secundária Alves Martins, em Viseu, que conseguiu uma média de 13,10 valores, nos 1.284 exames realizados.

Esta escola já é habitual nos lugares cimeiros do ranking: em 2020 foi a 10.ª melhor escola pública, em 2019 foi a segunda e em 2018 a oitava melhor pública.

Na Escola Secundária Alves Martins, em Viseu, 94% dos professores pertencem aos quadros e os pais têm um nível de escolaridade acima da média nacional, mais de 13 anos, quando a média nacional ronda os dez anos.

De acordo com os dados de contexto, revelados pelo Ministério da Educação, esta escola tem 12% de alunos que contam com o apoio do Estado, menos quase 10% face à média nacional.

O destaque vai, no entanto, para outra escola do distrito de Viseu que, apesar dos dados de contexto social não serem favoráveis, é a segunda melhor escola pública.

Trata-se da Escola Dr. João Lopes de Morais, em Mortágua, que conseguiu uma média de 13,04 valores, nos 109 exames realizados.

É uma estreia nos lugares cimeiros desta escola, que no ano anterior ficou na 77.ª posição (14,04 valores), no ranking geral (que inclui os colégios), e na posição 32 quando se contam só as escolas públicas.

Em 2019, esta escola ainda estava mais longe do topo da tabela, já que não foi além do lugar 199, tendo sido a 141.ª melhor escola pública, com 10,8 valores de média nos exames.

De destacar que na Escola Dr. João Lopes de Morais, em Mortágua, 32,5% dos alunos beneficiam do apoio da Ação Social Escolar (ASE), quando a média nacional é de 21,4%.

Ao nível da escolaridade, os pais destes alunos têm, em média, menos dois anos de estudos do que a média nacional: os pais têm cerca de sete anos e meio, enquanto as mães têm nove anos e meio. No que toca ao corpo docente, 79,4% pertencem aos quadros.

A Escola Secundária Quinta das Palmeiras, na Covilhã, repete o terceiro lugar conseguido em 2020 entre as melhores públicas, depois de ter saltado do 24.º lugar em 2019 - tendo em conta apenas as públicas. Esta escola está em 41.º lugar do ranking geral, com 12,91 valores de média.

Para a elaboração deste ranking, a Renascença considerou apenas as 459 escolas onde se realizaram mais de 100 exames no conjunto dos oito mais concorridos (Matemática A, Matemática aplicada às Ciências Sociais, Português, Biologia e Geologia, Física e Química, História, Filosofia e Geografia), tendo por base dados divulgados pelo Ministério da Educação.

Escolas em contexto de pobreza

Há 17 escolas onde, pelo menos, 50% dos alunos do 12.º ano têm o apoio do Estado.

De acordo com os dados de contexto disponibilizados pelo Ministério da Educação, este é um número que tem estado a baixar. Em dois anos caiu para metade, de 33 para 17 escolas onde, pelo menos, 50% dos alunos têm o apoio do Estado através da Ação Social Escolar (ASE).

A grande maioria dessas 17 escolas fica a norte do rio Mondego (13). As outras quatro distribuem-se entre os distritos de Castelo Branco (2), Guarda (1) e Portalegre (1).

Comum a estas escolas é a baixa escolaridade, especialmente dos pais, que, em média, é de 7,15 anos de ensino, quando a média nacional se situa nos 9,59 anos de escolaridade.

Já as mães apresentam, em média, mais anos de estudos (9,06), mas também ficam abaixo da média nacional (11,08).

Apesar dos dados de contexto desfavorável, em todas estas escolas a taxa de conclusão do 12.º ano foi superior a 78%, tendo em oito sido superior a 90% e uma conseguiu que todos os seus alunos concluíssem o 12.º ano.

Deste grupo de escolas, a Secundária do Cerco, no Porto, foi a que conseguiu puxar mais pelos alunos do secundário, conseguindo que 81,1% completassem este ciclo de estudos nos três anos previstos.

Quando comparado com os restantes alunos do país com um nível escolar semelhante à entrada do 10.º ano (54,3% sem chumbos), esta escola do Porto conseguiu um percurso de sucesso na ordem dos 26,8%.


Secundárias com média positiva perto da barreira dos 90%

2021 foi um ano de correção das médias, depois da subida verificada no ano anterior, na sequência das alterações introduzidas em 2020, no primeiro ano da pandemia por Covid-19.

Ainda assim, mais de metade das instituições do “top 10” têm média acima dos 15 valores, muito diferente do que aconteceu em 2019, ano pré-pandemia, quando as dez melhores ficaram no patamar dos 14 valores.

Em 2020, ano em que as médias dispararam, dois colégios tiveram mais de 17 valores e 20 mais de 16 valores de média.

Quanto às escolas públicas, superaram o conseguido em ano pré-pandemia. Em 2021, 58 escolas tiveram média acima de 12 valores, quando em 2019 foram 14. De resto, este é um número que tem vindo sempre a subir: em 2018 foram oito e em 2017 tinham sido só quatro.

Menos escolas com média negativa

Com médias mais altas, diminuíram as escolas com média negativa nos exames nacionais do ensino secundário. Representaram apenas 10,07% das 635 escolas.

Trata-se de um salto face a 2019, quando 19,68% das escolas tiveram média abaixo dos 9,5 valores (no secundário a nota positiva conta a partir de 9,5 valores). Fica-se assim, no limiar da barreira dos 90% de escolas com média positiva nos exames nacionais.

Triplicaram as escolas com taxa de conclusão do 12.º ano igual ou superior a 80%

Em 2021 voltou a subir o número de estabelecimentos de ensino com taxas de conclusão no 12.º ano iguais ou superiores a 80%.

Depois de em 2019 ter sido ultrapassada, pela primeira vez, a barreira da centena (112) de escolas que tiveram taxas de conclusão iguais ou superiores a 80%, em 2021 esse número mais do que triplicou, passando para 387.

Um salto de gigante comparando com o que aconteceu nos anos anteriores: em 2018 foram 94, quase o dobro face a 2017.

Dezassete escolas conseguiram mesmo que todos os seus alunos passassem no 12.º ano, entre elas está a Escola Básica e Secundária Pedro Álvares Cabral, em Belmonte, que é a terceira do país com mais alunos carenciados: 60% dos alunos recebem apoio do Estado. Em 2019, ano pré-pandemia, só uma tinha conseguido essa proeza.

Em 2021 é de assinalar que não há uma única escola em que mais de metade dos alunos tenha reprovado no 12.º ano, quando em 2019 eram 15 (valor mais baixo desde 2016).

As taxas de reprovação mais altas fixaram-se na casa dos 40% em três escolas da Área Metropolitana de Lisboa.

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  • António dos Santos
    10 ago, 2022 Coimbra 17:15
    Qual é o espano das escolas públicas não estarem no top 30? Actualmente há uma promiscuidade nos exames finais, pois antigamente e corretamente, os alunos do ensino privado faziam os exames nos estabelecimentos públicos e neste caso havia uma certeza de não haver ajudas externas dos professores privados. Infelizmente esta regra foi alterada para beneficiar os do ensino privado.

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