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Santa Clara colabora "ativa e serenamente" com autoridades

09 nov, 2020 - 16:06 • Redação

SAD do clube açoriano confirma realização de buscas nas suas instalações e espera "esclarecimento cabal" da situação.

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A SAD do Santa Clara está disposto a colaborar "ativa e serenamente" com as autoridades, após as buscas realizadas às suas instalações.

Em comunicado, esta segunda-feira, a SAD açoriana confirma que "decorrem operações de recolha de informação" por parte da Polícia Judiciária (PJ). Incluem-se numa investigação que engloba 29 buscas às instalações das sociedades anónimas desportivas de Benfica, Santa Clara e um terceiro clube, além de outros locais, por suspeitas de corrupção desportiva.

"Mais informamos que, desde o primeiro momento, disponibilizamo-nos a fornecer toda a informação requerida, colaborando ativa e serenamente com as demais entidades para o esclarecimento cabal de toda esta situação", pode ler-se na nota oficial da SAD.

A Renascença apurou que estão em causa suspeitas de corrupção ativa, falsificação de documentos e evasão fiscal, entre outros crimes.

Santa Clara e Benfica sob investigação

Em comunicado, a Procuradoria-Geral da República (PGR) informa que foram ordenadas oito domiciliárias, uma a uma fundação, seis a instalações de três sociedades desportivas, nove a outros tipos de sociedade, três a dois clubes desportivos e duas a dois escritórios de advogados.

Ao que a Renascença apurou, as buscas centram-se em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, e na região da Grande Lisboa, incluindo às instalações das SAD de Benfica e Santa Clara.

"Nos inquéritos investigam-se factos suscetíveis de integrarem crimes de participação económica em negócio ou recebimento indevido de vantagem, corrupção ativa e passiva no fenómeno desportivo, fraude fiscal qualificada e branqueamento. Estão em causa negócios de diversa natureza, todos relacionados com o futebol profissional e relativos, nomeadamente, a contratos de parceria de cooperação financeiro-desportiva e respetivos aditamentos bem como a acordos de alteração de contrato de parceria", lê-se na nota da PGR.

A SAD do Benfica também confirmou a realização de buscas, ainda que não tenha avançado detalhes sobre a investigação em questão.

O Benfica manifestou, ainda, "como sempre, a sua total disponibilidade para colaborar com as autoridades no esclarecimento das questões suscitadas no âmbito da diligência em curso".

Negócios relacionados com jogadores líbios

A PGR confirma, ainda, que estão sob investigação transferências de jogadores por clubes nacionais de futebol. De acordo com a "Sábado", são três jogadores líbios que passaram pelos Açores: o extremo-esquerdo Hamdou Elhouni, o médio-defensivo Mohamed Al-Gadi e o médio-ofensivo conhecido como Muaid Ellafi.

Elhouni chegou a ser transferido, no verão de 2016, para o Benfica, por um valor não divulgado publicamente, antes de ser emprestado, por duas temporadas, ao Desportivo de Chaves. Mais tarde, foi cedido a custo zero ao Desportivo das Aves, um dos clubes visados pela operação "Mala Ciao" e cujas relações com o Benfica estão sob investigação.

Operação "Mala Ciao" incluída nas buscas

Também estão a ser investigados "empréstimos concedidos a um destes clubes e a uma sociedade desportiva por um cidadão de Singapura com interesses em sociedades sediadas nas Ilhas Virgens Britânicas e a utilização das contas do mesmo clube e de outro, para a circulação de dinheiro", acrescenta a PGR.

Aqui entra o processo "Mala Ciao", que tem no seu epicentro 1,8 milhões de euros que terão saído das contas da SAD do Benfica, em 2018, para pagamentos de serviços informáticos que nunca chegaram a ser prestados.

"As investigações incidem igualmente sobre o envolvimento de outros tipos de sociedades (algumas ligadas ao setor imobiliário), o pagamento em dinheiro de prémios de jogo, a satisfação de dívidas pessoais de dirigentes, a utilização por estes de valores dos clubes e a omissão declarativa de operações fiscalmente relevantes", pode ler-se no comunicado da PGR.

Conforme avança a TVI, foi dada atenção especial ao gabinete do presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira. Outro dos suspeitos da operação será Paulo Gonçalves, antigo assessor jurídico da SAD do Benfica, que deixou o clube quando foi acusado no processo "e-Toupeira".

A investigação está a ser conduzida pelo Ministério Público, a Autoridade Tributária e a Polícia Judiciária.

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