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Patrocínio da Arábia Saudita ao Mundial feminino é "bizarro"

09 fev, 2023 - 10:06 • Inês Braga Sampaio

A internacional norte-americana Alex Morgan, uma das melhores e mais populares jogadoras do mundo, critica a promoção de um país onde as mulheres têm direitos limitados.

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A internacional norte-americana Alex Morgan, uma das melhores e mais populares jogadoras do mundo, considera que o iminente patrocínio da Arábia Saudita ao Mundial feminino de 2023 é "bizarro".

De acordo com o jornal britânico "The Guardian", a Visit Saudi, empresa estatal de turismo, vai juntar-se à lista de patrocinadores oficiais do Campeonato do Mundo na Austrália e na Nova Zelândia. Algo que tem causado bastante polémica, visto que a Arábia Saudita é muito criticada pela falta de direitos das mulheres, legalmente subordinadas aos homens, e pela perseguição às pessoas da comunidade LGBTQ+ (e o futebol feminino é rico em membros assumidos da comunidade).

Em conferência de imprensa, esta quinta-feira, Alex Morgan declara que "moralmente, não faz qualquer sentido" que a Arábia Saudita seja patrocinadora do Mundial feminino, e espera que a FIFA mude de ideias.

"É bizarro que a FIFA tenha procurado um patrocínio saudita para o Mundial feminino quando eu própria, Alex Morgan, não seria sequer apoiada e aceite naquele país. Não entendo. (...) Espero que a FIFA faça a coisa certa. Por alguma razão toda a gente está contra isto", assinala.

O que Alex Morgan aconselha a Arábia Saudita a fazer, em vez de patrocinar o Mundial 2023, é "investir na seleção feminina".

"A seleção feminina deles foi formada há apenas um par de anos e nem sequer está classificada no 'ranking' da FIFA, porque ainda não disputaram jogos suficientes. Esse seria o meu conselho para eles", atira.

Inclusão de desportistas transgénero


Alex Morgan também aborda o tema de atletas transgénero no desporto feminino. A posição da ponta de lança do San Diego Wave, de 33 anos, é muito clara: "A inclusão de crianças trans no desporto é a inclusão de crianças no desporto. Toda a gente devia poder praticar desporto."

"O facto de isto estar a ser tornado numa questão política é muito triste e acontece a custo das vidas de crianças transgénero", afirma.

A Federação de Futebol dos EUA tem sido muito criticada por organizar jogos na Flórida e no Texas, estados onde as leis sobre pessoas transgénero são opressoras. Alex Morgan defende que deve haver um debate interno sobre o assunto, pois a seleção feminina "não se esconde das conversas difíceis, nem de tomar posição pelo que está certo".

Alex Morgan e companhia vão defender o bicampeonato do mundo na Austrália e na Nova Zelândia, entre 20 de julho e 20 de agosto. Portugal tentará o apuramento inédito para um Mundial a 22 de fevereiro, frente a Camarões ou Tailândia. Caso se qualifique, a seleção nacional já sabe que terá pela frente, na fase de grupos, EUA, Países Baixos e Vietname.

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