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Mundial 2022

Gonda passou pelo Portimonense e agora é o "Benji Price" do Japão

23 nov, 2022 - 19:30 • Eduardo Soares da Silva

O antigo guarda-redes do Portimonense foi uma das grandes figuras da surpreendente vitória do Japão frente à Alemanha. Ricardo Ferreira foi colega de equipa de Gonda e recorda que o guarda-redes deixou o clube algarvio e voltou ao Japão para "seguir o sonho do Mundial".

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No conhecido desenho animado, o guarda-redes Benji Price e o médio Oliver Tsubasa tinham o sonho de conduzir a seleção do Japão a um Campeonato do Mundo. Na quarta-feira, Shuichi Gonda, antigo guarda-redes do Portimonense, encarnou o seu "Benji Price" interior e foi herói na surpreendente vitória do Japão frente à Alemanha.

O guarda-redes de 33 anos foi de vilão a herói no jogo inaugural do Japão no Mundial. Gonda cometeu a falta que deu origem à grande penalidade que adiantou a Alemanha no marcador na primeira parte.

Se os dois golos foram essenciais para a reviravolta e a vitória história sobre a Alemanha, as oito defesas de Gonda - um recorde na competição até ao momento -, foram de igual importância.

Foto: Tolga Bozoglu/EPA
Foto: Tolga Bozoglu/EPA
Foto: Tolga Bozoglu/EPA
Foto: Tolga Bozoglu/EPA
Foto: Rungroj Yongrit/EPA
Foto: Rungroj Yongrit/EPA
Foto: Ronald Wittek/EPA
Foto: Ronald Wittek/EPA

Gonda, à semelhança de muitos outros japoneses nos últimos anos, conta com uma passagem por Portugal. O guarda-redes defendeu as balizas do Portimonense entre 2018 e 2020, embora tenha feito apenas 19 jogos na equipa principal.

O guarda-redes assinou quando já era internacional japonês e tinha acabado de disputar a final da Taça Asiática frente ao Qatar. Em entrevista à Renascença, Ricardo Ferreira, guarda-redes que partilhou balneário com Gonda, estranhou a contratação.

"Quando soube da contratação até fiquei surpreendido porque estava a fazer uma época muito boa. Disseram-me que eu estava perto de poder ser transferido e que ele seria um bom substituto. Acabei por não sair e continuei a jogar com o Folha", diz.

Saída do Portimonense para "sonhar com o Mundial"

Gonda ainda fez 18 partidas na época 2019/20, relegando Ricardo Ferreira para o banco. A época seguinte ditou a saída do guarda-redes nipónico. O treinador tinha outros planos.

"O Paulo Sérgio queria apostar no Samuel Portugal. O Gonda tinha a ambição do Mundial e optou por ir para o Japão para continuar a jogar e não perder este sonho. E compensou. Ficou triste por deixar o Portimonense, mas a pensar no lado pessoal de não perder o Mundial, que é algo único. Precisava de jogar com regularidade, apesar de ser o titular do Japão naquele momento, precisava de ter minutos para não por em dúvida a presença ou a titularidade na seleção", recorda.

Desde que trocou o Portimonense pelo Shimizu S-Pulse, do Japão, disputou mais de 90 jogos e não perdeu mesmo o estatuto de titular na seleção. O jogo frente à Alemanha foi a estreia em Mundiais e a 35.ª internacionalização, mais de metade desde que chegou ao Algarve.

Apesar de disputarem o mesmo lugar, Ricardo Ferreira e Gonda fizeram uma boa amizade.

"Chegou a trazer-me uma camisola da seleção do Japão, tínhamos uma relação muito boa no dia a dia e no trabalho e de correções. Lembro dele me dizer para experimentar fazer coisas de outra forma. Ajudávamo-nos. Todos queremos jogar, mas acima de tudo estava o nosso caráter e fico muito contente de trabalhar com ele, queríamos o bem um do outro. Ainda hoje trocamos mensagens. Quando eu vim para a Eslováquia foi dos primeiros a dar-me os parabéns a dizer que gostaria que nos encontrássemos. Foi uma bonita relação que se criou", afirma.

Tendo trabalhado de perto com Gonda, Ricardo não ficou surpreendido com a exibição no maior dos palcos: "Resiliência é a palavra certa, é preciso ser muito forte mentalmente. O penálti é discutível, mas sendo assinalado, o erro acaba por ser sempre do guarda-redes. Ele percebeu que teria de lidar com isso, bola para a frente e engatou para uma exibição fantástica".

A par do fenómeno mundial da série "Oliver e Benji", Ricardo Ferreira assume que "só faltou mesmo o chapéu" para Gonda ser o Benji Price da realidade. E as calças também.

No desenho animado, Benji Price acaba mesmo por vencer o Campeonato do Mundo, ainda que nas camadas jovens. Depois da vitória contra a Alemanha, que afinal não ganha sempre no fim dos 90 minutos, Gonda e os restantes "Oliver Tsubasas" da seleção alimentam a esperança do Japão no Mundial do Qatar.

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