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A teia de Vieira e Macedo que terá lesado o Benfica em 2,5 milhões de euros

09 jul, 2021 - 18:00 • Inês Rocha , Rodrigo Machado , João Antunes com Lusa

Dinheiro de negócios do clube encarnado terá passado por "off shores" do empresário Bruno Macedo, até ir parar a empresas de Luís Filipe Vieira.

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O Ministério Público (MP) está convencido de que o empresário de futebol Bruno Macedo participou num esquema fraudulento, com vista a beneficiar o presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, em prejuízo do clube lisboeta e do Estado português.

De acordo com o despacho de pronúncia a que a Lusa teve esta quinta-feira acesso, Bruno Macedo é descrito como "testa de ferro" de Vieira, que foi detido no âmbito de uma investigação a negócios e financiamentos suscetíveis de configurar "crimes de abuso de confiança, burla qualificada, falsificação, fraude fiscal e branqueamento".

"Apurou-se ainda que, nos anos de 2015 e 2016, a SL Benfica SAD realizou pagamentos diretos à Master International FZE no montante global de 2.636.362,62 euros, sendo que tais ganhos foram mobilizados, na sequência do acordado entre Luís Filipe Vieira e Bruno Macedo, para, pelo menos em parte, virem a beneficiar as sociedades do Grupo de Luís Filipe Vieira" , acusa o MP.

De forma a "ocultar a origem dos fundos nas contas da Master", indica o despacho de pronúncia, os suspeitos acordaram utilizar outra estrutura societária, constituída na Tunísia, "forjando a existência de faturação emitida por esta à Master, de forma a justificar a circulação de fundos".

A investigação do MP apurou ainda que a Master International FZE, utilizada por Bruno Macedo para recebimento de ganhos obtidos com a intermediação de futebolistas, serviu para "parquear uma mais-valia" gerada com a transferência dos paraguaios Derlis González e Cláudio Correa.

"A qual se estima no montante de 1.280.000 euros, valor que deveria ter sido refletido como um ganho nas contas da SL Benfica SAD, e no seu beneficiário final como rendimento em IRS, o que não aconteceu" , sustenta o despacho de pronúncia.

O MP refere ainda a sociedade Trade In, que terá sido utilizada para titular os direitos económicos do futebolista brasileiro César Martins, "sendo que num breve espaço de tempo vendeu parte desses direitos à SL Benfica SAD por um valor bastante superior, gerando em Portugal um aumento de custos que resultaram na diminuição da tributação" da SAD encarnada em mais de 1,3 milhões de euros.

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Bruno Macedo e Luís Filipe Vieira são duas das quatro pessoas detidas na quarta-feira, suspeitos de estarem envolvidos em "negócios e financiamentos em montante total superior a 100 milhões de euros, que poderão ter acarretado elevados prejuízos para o Estado e para algumas das sociedades".

Em causa estão "factos ocorridos, essencialmente, a partir de 2014 e até ao presente" e suscetíveis de configurem "crimes de abuso de confiança, burla qualificada, falsificação, fraude fiscal e branqueamento".

Para esta investigação foram cumpridos cerca de 45 mandados de busca a sociedades, residências, escritórios de advogados e uma instituição bancária em Lisboa, Torres Vedras e Braga. Um dos locais onde decorreram buscas foi a SAD do Benfica que, em comunicado, adiantou que não foi constituída arguida.

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