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“Entendam-se. Não é preciso maioria absoluta” para governar

Henrique Raposo

“Entendam-se. Não é preciso maioria absoluta” para governar

27 mai, 2024 • Sérgio Costa , Olímpia Mairos


Henrique Raposo analisa os resultados eleitorais na Madeira e alerta para a subida do JPP – Juntos pelo Povo, que considera um partido populista.

O comentador da Renascença Henrique Raposo diz que os portugueses têm “um problema de esquizofrenia política”, argumentando que as “leis eleitorais promovem o pluralismo parlamentar”.

A declaração surge na sequência das eleições na Madeira, que deram a vitória ao PSD, mas sem maioria absoluta.

“Se temos leis eleitorais que favorecem o pluralismo parlamentar, então as pessoas, na segunda-feira, a começar pelos jornalistas ou pelos comentadores das televisões, têm que puxar a conversa para aí. É normal termos governos minoritários e a governação ser decidida no Parlamento como adultos. Entendam-se, não é preciso maioria absoluta”, diz.

Na visão de Henrique Raposo, face à ausência de maiorias absolutas só há dois caminhos: “mudar a lei eleitoral para permitir maiorias absolutas mais fáceis ou aceitar que um Governo minoritário é normal e toda a gente que está no Parlamento é chamada à sua responsabilidade”.

“Há aqui um problema de cultura política, há aqui uma contradição evidente”, sinaliza, observando que “se é bom que um partido político que tem um poder hegemónico na região perca poder, então, agora, os outros partidos têm que saber negociar e pressionar o partido que ganhou à mesma, para obter vantagens para o seu eleitorado e para os seus valores”.

No seu espaço de comentário n’As Três da Manhã, Raposo diz ainda que das eleições da Madeira sobressai “outra coisa muito estranha que reforça a aliança íntima entre o Chega e o Ministério Público”.

“O Albuquerque disse, ao contrário do Montenegro, que aceita uma coligação com o Chega. Porque é que o Chega agora não quer? Porque o Ministério Público fez uma cruzinha no Albuquerque, dizendo que ele é corrupto. É uma coisa que devíamos analisar e pôr o país no divã. Porque é que o Ministério Público tem um aliado tão forte no Chego e vice-versa?”, questiona Raposo.

O comentador sublinha também outra tendência que diz ser preocupante e que tem a ver com o crescimento do JPP - Juntos Pelo Povo, que elegeu nove deputados.

“Parece cómico: o PCP e o Boco de Esquerda desaparecerem e são substituídos por forças que, há falta de melhor termo, são populistas. O JPP, neste caso, o Élvio Sousa é um discurso populista à mesma”, assinala.

Segundo o comentador, “é um populismo regional, faz lembrar o Alberto João Jardim, quando diz que o PSD e o PS são barrigas de aluguer do continente. Querem limpar a governação. Tem obsessões incompreensíveis como um ferry... E este populismo JPP explica porque é que o Chega teve um resultado tão fraco na Madeira em comparação com o continente”.

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