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Geração Z
Nasceram na era das tecnologias de informação, são mais práticos e mobilizam-se por causas. Até dispensam o carro e a casa, também porque não têm grandes salários para pagá-los, mas arriscam ter o seu próprio negócio. Como podemos ajudá-los? Quais os medos que enfrentam? Que tal começarmos por ouvi-los? "Geração Z" é um podcast quinzenal, publicado à quarta-feira, às 18h, da autoria da jornalista Beatriz Lopes. Esta é uma uma parceria Renascença/Euranet Plus.
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"É um presente envenenado. Somos a geração mais qualificada, mas quase que pagamos para trabalhar"
"É um presente envenenado. Somos a geração mais qualificada, mas quase que pagamos para trabalhar"

Geração Z

"É um presente envenenado. Somos a geração mais qualificada, mas quase que pagamos para trabalhar"

20 abr, 2022 • Beatriz Lopes


Passam a vida a ouvir "os políticos a apregoar" que são a geração mais qualificada de sempre, mas isso não se reflete na estabilidade laboral e nos salários. Pedem "condições à altura do talento português" que não os obrigue a emigrar ou a "sobreviver em Lisboa". O diretor do Observatório das Desigualdades alerta: a distância entre a taxa de desemprego geral e a taxa de desemprego jovem "nunca foi tão grande" e "aproveitar o potencial dos mais jovens" deveria ser uma das grandes prioridades do novo governo.

Marcos emigrou para Frankfurt, na Alemanha, para fugir das "bolsas de estágio de 550 euros que não permitem sobreviver em Lisboa", reconhece que faz parte da geração mais qualificada "como os políticos tanto apregoam", mas lamenta que Portugal não lhe dê condições para iniciar uma carreira profissional. Lara é de Leiria, mas acredita que só em Lisboa e no Porto é que se abrem portas. Uma espécie de "presente envenenado" com os grandes centros urbanos a criar oportunidades de emprego, mas com jovens "quase a pagar para trabalhar". Danny já emigrou e está agora de volta à "geração meio perdida" que, ainda antes de tirar um curso superior, já sabe que não terá emprego.

No quinto episódio do Geração Z, lançamos algumas questões para cima da mesa: Será que estes jovens preferem estar desempregados do que infelizes no trabalho? Emigrar continua a ser opção? São eles que devem adaptar-se às empresas ou as empresas a eles? E que políticas públicas poderiam ajudá-los a inserir-se no mercado de trabalho?

"O exemplo tem mesmo de vir de cima, do Estado, do Governo, das instituições públicas e seria importante que estas questões fossem discutidas na Concertação Social", considera o sociólogo Renato Miguel do Carmo, diretor do Observatório das Desigualdades e autor do livro “Retratos da Precariedade”.

"O mercado de trabalho tem de se adaptar a esta realidade e perceber que, neste momento, a população empregada jovem tem um potencial imenso, com níveis de qualificação muito elevados e, nesta faixa etária mais jovem, até ultrapassamos a média europeia. É frustrante, até revoltante, perceber que temos este potencial - que decorre de investimento público e das famílias - e que não está a ser devidamente enquadrado pelo mercado de trabalho. E esta devia ser uma das grandes prioridades para este novo governo", afirma.

Porquê a urgência? Os motivos são muitos: Portugal está entre os países da União Europeia onde o emprego jovem mais caiu com a pandemia; continua a ter uma das maiores percentagens de trabalhadores com contratos a termo ou temporários e ainda a atravessar "uma crise que é a acumulação de várias crises".

"A distância entre a taxa de desemprego geral e a taxa de desemprego jovem nunca foi tão grande. Mesmo na grande recessão anterior, ela não tinha esta amplitude. Estamos a assistir a alguma diminuição do desemprego para níveis pré-pandemia, mas no caso do desemprego jovem isso não está a ocorrer", alerta.

Uma coisa é certa, garante Renato Miguel do Carmo, os jovens têm de fazer parte da solução: "Este debate tem de ser feito com os jovens, falta voz aos jovens em Portugal e eles têm de ser atores com protagonismo quando discutimos o futuro".

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