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Francisco Sarsfield Cabral
Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
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Juros do BCE devem descer no verão

02 fev, 2024 • Francisco Sarsfield Cabral • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


O BCE teve sucesso no seu combate à inflação. Mas são muitas as incertezas para o futuro próximo, pelo que não são de prever descidas dos seus juros em março.

Um estudo elaborado por um banco dos Países Baixos aponta para que os países do Sul da Europa, que até aqui têm lidado relativamente bem com a subida dos juros do Banco Central Europeu (BCE), serão em 2024 dos que mais podem sofrer com os juros altos. Em Portugal, aliás, já se nota uma quebra no crédito concedido.

Pela terceira vez consecutiva o BCE manteve os seus juros diretores inalterados na reunião de quinta-feira da semana passada. Em dezembro o BCE previa que a inflação deverá continuar a descer, passando de 5,4% em 2023 na zona euro para 2,7% em 2024. Mas o objetivo do BCE, inflação a 2%, só em 2025 será atingido.

Perante as vozes que reclamam que o BCE deveria descer os seus juros quanto antes, a presidente Christine Lagarde não quer baixar já esses juros, receando que a inflação levante de novo a cabeça. Parece, assim, provável que o BCE volte a manter os seus juros inalterados na próxima reunião, prevista para 7 de Março.

C. Lagarde afirmou estar convencida de que a inflação na zona euro já teria atingido o seu pico, mas considera que os conflitos regionais e os seus efeitos no comércio tornaram o futuro mais incerto. A crise no Mar Vermelho, que está a aumentar os custos dos transportes, é também uma ameaça à estabilidade dos preços.

Ora as taxas Euribor desceram depois da reunião do BCE da semana passada. Estas taxas são fixadas diariamente pela média dos juros que um conjunto de bancos europeus está disposto a emprestar dinheiro entre si no mercado interbancário. São, assim, um bom “termómetro” quanto às expectativas dos bancos.

A descida das taxas Euribor deverá refletir-se numa baixa ligeira, ou, pelo menos, na estabilização das prestações a pagar por empréstimos à habitação concedidos pela banca em Portugal. Um ligeiro alívio para quem suporta esse encargo.

Mas se existem incertezas que podem concretizar-se em subidas inesperadas da inflação, o inverso – incertezas que se concretizem em abrandamentos ou mesmo quedas do crescimento económico da zona euro – é igualmente uma possibilidade a considerar. No último trimestre de 2023 o PIB da Alemanha recuou; se tal voltar a acontecer no primeiro trimestre do ano corrente, aquele país terá entrado em recessão técnica.

A concretizar-se essa eventualidade, provavelmente o BCE irá acelerar a descida dos seus juros diretores, para evitar danos adicionais à evolução da economia europeia. A ver vamos.

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