Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
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opinião

França, Itália e UE

07 fev, 2019 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


Os partidos populistas eurocéticos apostam nas eleições para o PE para ganharem poder no interior da UE.

Faltam pouco mais de três meses para as eleições para o Parlamento Europeu (PE). Desde que, em 1979, estas eleições passaram a ser por sufrágio universal e direto o nível de abstenção subiu sucessivamente. E nas respetivas campanhas eleitorais frequentemente discutiam-se menos os problemas europeus do que questões nacionais.

Este ano pode e deve ser diferente. Acontece que os partidos populistas eurocéticos apostam nas eleições para o PE para ganharem poder no interior da UE, visando destrui-la por dentro. Uma estratégia para a qual contribuiu o americano Steve Bannon, diretor da campanha eleitoral de Trump e ideólogo do populismo de extrema-direita. É conhecido, aliás, que Trump não gosta da UE, tendo saudado o “Brexit” com entusiasmo.

Quem se irá opor ao assalto eurocético? O presidente Macron, certamente. Terá como aliado o partido centrista espanhol Cidadãos, no quadro do uma força política pan-europeia de liberais, socialistas moderados e, possivelmente, de membros do Partido Popular Europeu (PPE) desiludidos com a atitude pouco crítica do PPE face à deriva populista e nacionalista na Hungria.

Macron tem sérios problemas internos com a revolta dos “coletes amarelos”. Ora os dois partidos que governam a Itália – o 5 Estrelas e a Liga – desde há meses que elegeram Macron como inimigo principal da corrente eurocética. Salvini, o líder da Liga e figura dominante do executivo italiano, cultiva relações de proximidade com a União Nacional de Marine Le Pen. E o 5 Estrelas apoia abertamente os “coletes amarelos” que contestam Macron em França.

Também não são fáceis as relações do europeísta Macron com os partidos liberais da Alemanha e da Holanda, que se mostram contra a reforma do euro. Mas o enfrentamento principal será entre Macron e os governantes da Itália. Aliás, o combate já começou, com ácidas trocas de palavras e insultos entre políticos italianos e franceses.

Este conteúdo é feito no âmbito da parceria Renascença/Euranet Plus – Rede Europeia de Rádios. Veja todos os conteúdos Renascença/Euranet Plus

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  • Fernando de Almeida
    08 fev, 2019 Porto 01:44
    A Europa ja' teve politicos "MACRO" . Infelizmente, hoje so' tem politicos "MICRO". ..