Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
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​Pequenos passos no euro

05 dez, 2018 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


O Eurogrupo conseguiu acordos modestos, mas significativos, quanto ao reforço do euro. A preocupação quanto à Itália terá ajudado.

Ao fim da madrugada de ontem os países do euro conseguiram chegar a acordo quanto a algumas reformas na arquitetura da moeda única, que há muito, um ano e meio, estavam em cima da mesa. O Conselho Europeu da próxima semana deverá confirmar estes passos relativamente modestos, mas positivos, obtidos no Eurogrupo, presidido por M. Centeno.

Não houve ainda acordo quanto a um ponto importante da concretização da união bancária, o seguro europeu de depósitos nos bancos, que são agora assegurados a nível nacional. Também o orçamento próprio da zona euro, proposto pela França e da Alemanha, ficou por decidir.

Os países do Norte da UE, liderados pela Holanda, são fortes opositores a qualquer ajuda financeira aos países em dificuldade. Mas o ministro alemão das Finanças, Olaf Scholz (do SPD) logrou colocar no comunicado final da reunião do Eurogrupo uma referência à sua ideia de criar um seguro comunitário de desemprego.

Os avanços obtidos dizem respeito ao reforço e flexibilização do Mecanismo Europeu de Estabilidade, cuja missão é ajudar os Estados do euro perante problemas nos mercados financeiros. E à criação de uma rede de segurança para quebras bancárias.

Estes pequenos passos provavelmente não se teriam concretizado não fosse a preocupação quanto ao futuro do euro levantada pelo governo de coligação em Itália. Aliás, os próprios governantes italianos já não mantém a intransigência de há um mês quanto ao seu orçamento para 2019. Existe hoje uma consciência mais realista relativamente às catastróficas consequências de um eventual colapso da moeda única.

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