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Visto de Bruxelas
Semanalmente, um olhar sobre a atualidade europeia. Quinta às 13h.
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Visto de Bruxelas (16/07/2021)
Visto de Bruxelas (16/07/2021)

VISTO DE BRUXELAS

​Variante Delta ameaça Verão europeu

16 jul, 2021 • Manuela Pires com Pedro Caeiro


Neste Visto de Bruxelas vamos ver como é que a variante Delta do novo coronavírus está a ameaçar as férias de Verão, um pouco por toda a Europa. Falamos ainda dos muitos milhões de euros que fazem parte dos Planos de Recuperação e Resiliência e que foram aprovados formalmente esta semana pelos ministros das Finanças da UE. Olhamos ainda para a inteligência artificial e de que forma é que está a mudar o mundo do trabalho na Europa.

Por esta altura muitos europeus estão já a fazer a mala para ir de férias, mas até no Covid a Europa corre a várias velocidades. É que, se por cá a variante Delta do novo coronavírus já é responsável pela esmagadora maioria dos casos de Covid, no resto da Europa só agora se começa a falar de uma quarta vaga e a temer pelos planos de Verão dos outros Estados-membros.

Os outros 26 países da União vão-se preparando para o embate, caso da Polónia, no outro extremo da Europa, onde uma equipa de gestão da crise do Governo se reuniu para avaliar a situação da pandemia e garantir que as infraestruturas de emergência necessárias estejam prontas para lidar com uma nova onda de infecções. No final da reunião, o ministro da Saúde, Adam Niedzielski, disse prever que esta quarta vaga chegue à Polónia no Outono. “Já traçámos uma imagem do futuro próximo quanto à pandemia: e a maioria dessas previsões parece apontar para que, em Setembro, Outubro ou Novembro estejamos a lidar com uma nova aceleração das infecções”, afirmou num registo cedido pela Polskie Radio.

De resto, já a temer os efeitos desta quarta vaga, o Primeiro-ministro polaco, Mateusz Morawiecki voltou a pedir aos cidadãos que se vacinem: “Posso garantir-vos que temos vacinas suficientes para que todos possam ser vacinados a qualquer momento. E precisamos de estar preparados, porque a situação é clara sobre os não-vacinados: basta ver os dados que vêm dos Estados Unidos, onde o epidemiologista-chefe, o Dr. Fauci, diz que 99,2% das pessoas que morrem nos Estados Unidos hoje são pessoas não-vacinadas”, afirmou.

O Centro Europeu de Controlo de Doenças calcula que 62,2% dos adultos polacos já receberam pelo menos uma dose da vacina na Polónia. Mas Varsóvia não vai hesitar em pressionar os não-vacinados. O Primeiro-ministro deu a entender que uma decisão seria tomada no final deste mês sobre a imposição de restrições mais rígidas às pessoas que se recusem a ser vacinadas.

Jovens preocupam

Nesta altura, os jovens, que geralmente ainda não foram vacinados, são a grande preocupação por parte dos 27. É o caso da Espanha: embora seja um dos países mais avançados em termos de vacinação, há um aumento acentuado de novas infecções. Cerca de 63% dos espanhóis receberam a primeira injeção, mas são os jovens, uma faixa etária ainda por vabinar, os mais infectados. A causa desse aumento de infecções, dizem os especialistas, é o aumento do contato social, com multidões, festas, passeios escolares ou grandes reuniões. Como avança a rádio Castilla Y Leon, o fenómeno levou Carolina Darias, a ministra espanhola da Saúde, a dirigir-se a eles directamente: “Gostaria de me dirigir aos jovens em particular. Estamos cientes do seu comprometimento, mas pedimos que continuem a ajudar. Em primeiro lugar, comportando-se de forma a impedir a transmissão do vírus, mas também ao se sujeitarem aos rastreios. Os conselheiros do Governo têm-se queixado da dificuldade de testar jovens. Sabemos que eles estão a sofrer as consequências desta pandemia há um ano e meio, mas ainda não estão vacinados. A interação dos jovens está a multiplicar-se e não tem nada a ver com outras faixas etárias. Estamos a pedir-lhes responsabilidade, mas não os responsabilizamos pelos números”.

De resto, precisamente por causa da rápida disseminação da variante Delta em Espanha, a vizinha França tem vindo a aconselhar os franceses a evitarem (se possível) viagens de férias, quer para Espanha, quer para Portugal. E a partir deste fim-de-semana exige mesmo um teste feito com menos de 24 horas.

PRR’s aprovados

Na passada terça-feira os ministros das Finanças aprovaram os primeiros 12 Planos de Recuperação e Resiliência (PRR) entre os quais o de Portugal. Isto quer dizer que, nas próximas semanas, vai chegar a Portugal a primeira parte da chamada “bazuca europeia”. São cerca de 2,1 mil milhões de euros, ou seja, 13% das verbas a que tem direito e que tem de executar até 2026. É dinheiro para impulsionar a economia e recuperar das consequências da pandemia da Covid. O ministro das Finanças, Joao Leão, disse que o dinheiro chega no momento certo às economias europeias. A “bazuca” é essencial para a União Europeia começar a recuperar depois desta crise provocada pela pandemia.

No final do mês, espera-se que sejam aprovados mais planos nacionais, mas a Comissão Europeia quer mais tempo para avaliar o PRR da Hungria.

Ainda a polémica Hungria “homofóbica”

Outro tema que envolve o país que é liderado por Victor Órban e também a Polónia é o das leis anti-LGBT. A Comissão abriu 3 procedimentos de infracção, dois contra a Hungria e um contra a Polónia. Ursula Von der Leyen disse por vezes que a lei húngara era “uma vergonha”.

Outra decisão muito importante conhecida ontem mesmo foi a de que o Tribunal de Justiça da União Europeia considerou que o regime disciplinar para os juízes na Polónia viola a legislação da União Europeia. No dia anterior foi a vez de o Supremo Tribunal polaco dizer que as medidas aplicadas pelo Tribunal europeu violam a Constituição polaca.

BCE com “boas notícias” para Portugal

Esta semana o governador do Banco de Portugal disse que a nova estratégia do Banco Central Europeu (BCE) é “uma boa notícia para Portugal”. Esta nova estratégia, que aponta para uma meta simétrica de 2% de inflação em vez de um valor "próximo, mas abaixo, de 2%", vai ser posta em prática já na próxima semana.

Digitalização: bom ou mau?

Na edição desta sexta, ouvimos o alerta do economista Daniel Susskind, professor da Universidade de Oxford, a dizer que, com o recurso à automação e aos robôs, haverá menos trabalho e salários mais baixos. Um inquérito do Eurobarómetro sobre as atitudes perante o impacto da digitalização e automação das atividades do dia-a-dia dá conta que 75% dos europeus considera que a digitalização tem um impacto positivo na economia. Mas, em sentido contrário, 74% dos inquiridos acham que a digitalização vai substituir mais postos de trabalho do que criar novas oportunidades. Entrevistado por Sandra Afonso este professor de Oxford defende que a pandemia “aumentou a ameaça da automação”, mas afasta um cenário apocalíptico, com desemprego massivo.


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