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Vacinação contra a Covid-19 arranca em Portugal. Infecciologista do hospital S. João foi o primeiro

27 dez, 2020 - 10:06 • Marta Grosso

António Sarmento, diretor do Serviço de Infecciologia do Hospital de São João, tem 65 anos e foi vacinado perante a ministra da Saúde. Diz-se tranquilo e defende que vacinar-se "é um ato de altruísmo".

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Vacinação arranca em Portugal. "Deixar-se vacinar tranquilamente é uma ajuda enorme à comunidade e à humanidade"
Vacinação arranca em Portugal. "Deixar-se vacinar tranquilamente é uma ajuda enorme à comunidade e à humanidade"

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Aconteceu às 10h07, na presença da ministra da Saúde, Marta Temido. António Sarmento, diretor do Serviço de Infecciologia do Hospital de São João, foi vacinado pela enfermeira Ana Isabel Ribeiro, que irá ser vacinada também neste domingo, pelas 15h36.

E assim arranca a vacinação contra a Covid-19 em Portugal. Às 11h00, começa a vacinação no Hospital de Santo António, também no Porto, num processo que se estende aos centros hospitalares universitários de Coimbra, Lisboa Norte e Lisboa Central.

"Estou tranquilo", disse António Sarmento nas declarações aos jornalistas, depois de ser vacinado. "Mais tranquilo com a vacina do que com todo este aparato", acrescentou perante os vários jornalistas e câmaras de televisão presentes.

Aos 65 anos de idade e cerca de 40 de profissão, o infecciologista diz-se “confiante e otimista”. Depois de receber a vacina, existe um tempo de espera de 30 minutos, para verificar se existem efeitos adversos.

"O risco não é zero, mas não é zero para nenhuma medicação ou vacina nova que se venha a desenvolver", sublinha António Sarmento. "Todas elas tiveram fase 1, 2 e 3 de ensaios clínicos" e, ao longo do tempo, "só no meu tempo de médico", tivemos várias vacinas novas a aparecer.

"Não fazer a vacina é confiar que não vai apanhar a doença e que, se apanhar, nada irá acontecer e a probabilidade de acontecer existe e é real", destaca ainda o infecciologista.

"O deixar-se vacinar tranquilamente é uma enorme ajuda à humanidade, pois se conseguirmos ultrapassar isto vamos evitar muitas mortes, quer pela doença quer pela pobreza e a fome", sublinha ainda, para defender que vacinar-se "é um ato de altruísmo".

“A humanidade fez um esforço nunca visto, quer económico quer científico em torno desta vacina. Quebraram-se barreiras, foram partilhados conhecimentos, revistas que antes eram de assinatura puseram-nos de acesso livre. Isto tem que nos fazer pensar que temos de ter confiança. Realmente, o risco não é zero, mas na vida isso não existe e isto dá-nos confiança”, insistiu.

Segundo António Sarmento, os efeitos secundários desta vacina “são semelhantes às outras vacinas”. Pode haver efeitos graves, como acontece com qualquer medicamento e “pode acontecer com uma aspirina”.

Por isso, vacinar-se “é um sinal de confiança e uma atitude pragmática”, em prol da saúde de todos.

Portugal recebeu no sábado 9.750 doses da vacina da Pfizer/BioNTech, que já foram distribuídas pelos hospitais que vão iniciar a vacinação neste domingo.

Na segunda-feira, chegam mais 70.200, donde saem 9.750 para cada arquipélago. Dez mil ficam armazenadas em Coimbra, para a segunda dose de quem é agora vacinado.

A partir do momento em que se abre um frasco, a substância tem a validade de seis horas. Por isso, os hospitais organizaram-se ao segundo para vacinarem todos quantos estão previstos nesta primeira fase.

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  • Ivo Pestana
    27 dez, 2020 Funchal 13:32
    Como madeirense vou ser o último. As vacinas demoram a chegar às zonas remotas. Sejam felizes.
  • Joao Oliveira
    27 dez, 2020 Edimburgo 13:15
    A primeira vacina e simbolica, mas ainda assim, nota-se o mau exemplo Portugues, em dar prioridade as elites. Noutros países (Reino Unido e Alemanha), a primeira pessoa e receber a vacina foram idosos em idade muito avançada. Em Portugal, porque tem que ser um diretor, que provavelmente nao tem exposição especial ao virus?

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