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Morte de Sá Carneiro: Marcelo frustrado com falta de conclusões judiciais sobre Camarate

04 dez, 2020 - 17:52 • Paula Caeiro Varela , com redação

Marcelo Rebelo de Sousa lembra que acompanhou as últimas comissões de inquérito sobre Camarate, enquanto representante da família de António Patrício Gouveia, e concordou com a tese de atentado.

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Quarenta anos depois da morte de Francisco Sá Carneiro, Marcelo Rebelo de Sousa lamenta que não tenha havido um desfecho judicial sobre a queda do avião onde seguia o então primeiro-ministro.

O Presidente da República falava enquanto cidadão na apresentação, no Grémio Literário, em Lisboa, do livro que recolhe 40 testemunhos sobre Francisco Sá Carneiro.

Marcelo Rebelo de Sousa lembra que acompanhou as últimas comissões de inquérito sobre Camarate, enquanto representante da família de António Patrício Gouveia, e concordou com a tese de atentado.

Mas qualquer que fosse o desfecho, uma resposta definitiva por parte da Justiça deixaria Marcelo Rebelo de Sousa mais aquietado.


O antigo líder do PSD confessa “o pesar que não me abandona enquanto cidadão de a nossa democracia nunca ter podido no plano jurisdicional carrear dados provatórios bastantes para se provar se Camarate foi acidente ou crime”.

Marcelo sublinha que a última decisão judicial “elenca razões para não poder ser provada que tenha havido crime, mas também considera não haver prova bastante para concluir que tenha havido acidente”.

“Para quem acompanhou sucessivas comissões parlamentares de inquérito, lembrando sempre o corajoso Augusto Cid, e nessa qualidade concordou com as conclusões das últimas comissões no sentido de ter havido atentado, mesmo que não tenha sido dirigido especificamente contra Sá Carneiro, é muito frustrante ter de admitir que o tempo acabou por não facilitar uma decisão jurisdicional com mais sedimentada base provatória. Qualquer que ela fosse, ter-me-ia aquietado mais como cidadão”, afirma o Presidente da República.

Para Rui Rio, Francisco Sá Carneiro não teria deixado a política, se fosse vivo. A degradação do regime foi o combate que sempre travou e teria voltado a travar, perante a degradação da vida política, acredita o líder social-democrata.

“Sabemos lá, mas a minha convicção é que hoje, perante a degradação do regime, ele acabaria por voltar à política e Portugal voltaria a ter esse ativo.”

“Sou sincero, quando olho para Portugal e para o regime como ele está hoje, quando relembro toda a década de 70 em que Sá Carneiro é um dos principais protagonistas deste país, não tenho dúvida nenhuma que nós no dia 4 de dezembro de 1980 perdemos um grande homem”, sublinha Rui Rio.

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