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Nobel da Química para Emmanuelle Charpentier e Jennifer Doudna por permitirem “rescrever o código da vida”

07 out, 2020 - 10:47 • Marta Grosso

Através do método desenvolvido pelas cientistas francesa e norte-americana, “podemos agora mudar o que está escrito no genoma” e encontrar “novas terapias” para doenças como o cancro, afirma a academia ao comunicar o prémio.

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Emmanuelle Charpentier e Jennifer A. Doudna são as cientistas galardoadas neste ano com o Prémio Nobel da Química, pelo desenvolvimento do método de alteração do genoma.

“As laureadas desenvolveram um sistema chamado ‘tesouras genéticas’, que consegue cortar uma parte do ADN, o que revolucionou a ciência da vida. Podemos editar genoma como desejado, o que antes era impossível”, afirmou nesta quarta-feira a responsável pelo Nobel da Química na academia sueca.


"Emmanuelle Charpentier e Jennifer A. Doudna descobriram uma das ferramentas mais afiadas da tecnologia genética", referiu ainda a Real Academia Sueca de Ciências.

"Esta tecnologia teve um impacto revolucionário nas ciências da vida e está a contribuir para novas terapias contra o cancro”, permitindo “tornar realidade o sonho de curar doenças hereditárias".


"A capacidade de cortar o DNA onde se quiser revolucionou as ciências da vida", afirmou Pernilla Wittung Stafshede, membro da Academia de Ciências.

Jennifer Doudna é uma bioquímica norte-americana e Emmanuelle Charpentier é professor e investigadora na área da bioquímica, genética e microbiologia.


Nesta quarta-feira, tornam-se a sexta e sétima mulheres a ganhar um Nobel de Química.


Em 2019, o Prémio Nobel da Química foi atribuído a John B. Goodenough, M. Stanley Whittingham e Akira Yoshino pelo desenvolvimento das baterias de lítio — aquilo que alimenta a esmagadora maioria dos telemóveis, computadores e tablets.

“As baterias de iões de lítio revolucionaram as nossas vidas desde que entraram no mercado em 1991. Criaram as bases para uma sociedade sem fios e livre de combustíveis fósseis”, indicou a academia na altura.

John B. Goodenough, na altura com 97 anos, tornou-se no galardoado mais velho da história dos Prémios Nobel. Do lado oposto, a pessoa mais nova a quem foi atribuída esta distinção tinha 35 anos. Foi Frédéric Joliot, que recebeu o prémio juntamente com a sua mulher.


Já Marie Curie é, até agora, a única galardoada com dois Prémios Nobel. O seu trabalho no campo da radioatividade valeu-lhe o Nobel da Química em 1911.


Seguindo a tradição, o Nobel da Química é o terceiro a ser anunciado todos os anos, a seguir ao da Medicina e da Física, anunciados no início da semana.

Este ano, os vencedores do Nobel arrecadam 10 milhões de coroas suecas (cerca de 954 mil euros) – mais um milhão (pouco mais de 95 mil euros) que nos anos anteriores. De acordo com o Conselho de Administração da Fundação Nobel, o aumento do valor do prémio é o resultado de um “reforço económico” feito na instituição nos últimos oito anos.

Portugal nunca venceu um Nobel da Química, mas já conquistou o da Medicina e o da Literatura. O primeiro foi arrecadado em 1949, pelo neurologista António Egas Moniz (pelo desenvolvimento da lobotomia, uma técnica de cirurgia cerebral que já não é utilizada na atualidade); o segundo pertence a José Saramago, vencedor em 1998 por obras como “Ensaio Sobre a Cegueira” e “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”.

Os prémios por realizações em ciência, literatura e paz foram criados e financiados pela vontade do inventor da dinamite e empresário sueco Alfred Nobel e são concedidos desde 1901. O prémio na área da economia foi acrescentado depois.

Neste ano, a pandemia redesenhou o Nobel, com muitos dos eventos tradicionais (como o grande banquete) cancelados ou transferidos para a Internet.

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