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Em confinamento, Agir escreve música sobre solidão que está a ajudar a linha SOS Voz Amiga

17 jun, 2020 - 16:01 • Maria João Costa

“Alma” é a nova música de Agir. O artista regressa aos palcos este sábado, no Teatro José Lúcio da Silva, em Leiria, no âmbito do Festival Regresso ao Futuro.

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Intitula-se “Alma” a nova música de Agir. O músico português escreveu o tema durante os dias de confinamento, inspirado pelas ruas vazias da cidade.

Em entrevista à Renascença, Agir diz que, de alguma forma, “todos nós podemos sentir alguma solidão” e que isso o motivou a compor. Este será um dos temas que tocará este sábado, no primeiro concerto da era do desconfinamento.

“A solidão às vezes não é só física, é também não sermos compreendidos”, explica Agir, numa conversa que poderá escutar integralmente no programa Ensaio Geral, da Renascença.

“Alma” revela também os “problemas de saúde mental que as pessoas tendem a desvalorizar”, revela Agir.

O músico, filho do cantor Paulo de Carvalho e da atriz Helena Isabel, explica que “a falta de compreensão” poderá evidenciar o sentimento de solidão, “mesmo quando estamos acompanhados todos os dias".

Ajudar com a música a combater a solidão

“Alma” não foi escrita com o intuito de apoiar causas ou angariar receitas, mas depois de gravar em pleno estado de emergência devido à pandemia de Covid-19, Agir percebeu que a música poderia ter outro papel.

“Lembrei-me que poderia ser interessante poder contribuir para alguma associação que lidasse com estes temas e foi aí que surgiu a linha SOS Voz Amiga”, explica Agir sobre a parceria que criou com este serviço telefónico que ajuda quem se sente só, ansioso, deprimido e por vezes, a pensar em suicídio.

Agir resolver então doar 100 por cento do lucro de cada stream ou compra da música para esta linha de apoio, onde “as chamadas aumentaram bastante”, desde o início da pandemia, diz o músico.

Preocupado com o facto de um quarto das chamadas ficarem sem resposta por falta de capacidade, o músico mostra-se satisfeito por já estar a contribuir para esta causa. “Desde que a música saiu, as chamadas para eles a nível de pessoas a quererem voluntariar-se aumentou exponencialmente” conta Agir que assume: “Já consigo dizer objetivo cumprido!”

O músico já com três discos editados explicou à Renascença como viveu estes dias de isolamento em casa. “Já não tenho séries para ver, vi todas! Deu também para por a leitura em dia” confessa Agir que aproveitou ainda o tempo para compor.

Sobre a situação difícil que alguns artistas enfrentam neste momento, o músico diz que deve ser olhada com “alguma tolerância, sem deixar de ser critico”, porque não era previsível uma pandemia com estas consequências.

Agir considera que “se esta situação servir para falar sobre os assuntos da precariedade no setor que já existiam antes e que se acentuaram (…) é uma coisa boa que se tira daqui”. Segundo o músico, a circunstância da pandemia poderá servir “para por uma data de conversas em cima da mesa que se falam sempre por alto, sem que infelizmente se chegue a algum lado”.

“A imagem das ruas vazias”, gerada pelo rebentar da pandemia do novo coronavírus, também inspirou o músico que foi para a rua, gravar o vídeo, já disponível no canal YouTube e que já teve mais de 211 mil visualizações.

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