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Covid-19 e racismo

Médicos de saúde pública preocupados com manifestações em Lisboa

07 jun, 2020 - 10:46 • Marina Pimentel , Marta Grosso

Centenas de pessoas juntaram-se nas ruas da capital e de outras cidades do país para protestar contra o racismo. Diretora-geral da saúde deixou o aviso: as máscaras “não dão imunidade”.

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O presidente da Associação dos Médicos de Saúde Pública lembra, neste domingo, que não são permitidas no país concentrações de mais de 20 pessoas e menos ainda na zona de Lisboa e Vale do Tejo, onde o limite são 10 pessoas.

Em declarações à Renascença, Ricardo Mexia diz não perceber como podem ser autorizados eventos como os de sábado, de protesto contra o racismo, em cinco cidades do país.

“Julgo que o Governo emitiu uma orientação no sentido de que no país não pode haver concentrações de mais de 20 pessoas e, na região de Lisboa e Vale do Tejo, de mais de 10”, afirma.

“Tenho dificuldade em perceber como é que isto se coaduna com a situação que temos visto nas imagens que têm sido passadas pela comunicação social”, acrescenta, referindo-se às centenas de pessoas que se juntaram em várias cidades em solidariedade com o norte-americano George Floyd, que morreu assassinado pela polícia.

Por muito meritório que seja o protesto, diz Ricardo Mexia, não pode ser feito como milhares de pessoas nas ruas, sobretudo em Lisboa.

“Nós sabemos que a situação epidemiológica não está resolvida, em particular na região de Lisboa e Vale do Tejo, onde temos um número de casos que nos deixa apreensivos”, frisa.

“Portanto, eventos em que haja uma grande concentração de pessoas e que, apesar da utilização da máscara, continua a haver uma proximidade importante, deixa-nos preocupados e são seguramente situações neste momento que podíamos tentar evitar”, defende o presidente da Associação de Médicos de Saúde Pública.

No seu entender, em tempo de pandemia as manifestações de “condenação em relação ao racismo ou outra questão que nos preocupe” devem “utilizar outros meios que permitam preservar a segurança do ponto de vista da disseminação da doença”.

Lisboa, Porto, Braga, Viseu e Coimbra foram os palcos dos protestos sob o lema “Vidas Negras Importam” e que reuniram centenas de pessoas nas principais ruas das cidades.

As imagens não agradaram também à Direção-Geral da Saúde. Graça Freitas veio lembrar que as máscaras não conferem imunidade e representam apenas um pequeno bloqueio.

A Renascença já pediu esclarecimentos ao Ministério da Administração Interna sobre a não intervenção da polícia nas manifestações de sábado, para impedir que o diploma que proíbe a concentração de mais de 20 e 10 pessoas fosse violado. Aguarda resposta.

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