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OIT mais pessimista. Metade da força de trabalho mundial corre risco de perder meios de subsistência

29 abr, 2020 - 12:30 • Ana Carrilho

Em três semanas, as previsões no corte de horas de trabalho no 2.º semestre equivaliam a 195 milhões de empregos a tempo inteiro. Agora, apontam para 305 milhões.

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A Organização Internacional do Trabalho (OIT) mostra-se mais pessimista do que há três semanas e antevê que metade da força de trabalho mundial corre risco de perder meios de subsistência

A pandemia tem cada vez mais impacto no mercado de trabalho e 1,6 mil milhões de pessoas que estão na economia informal (metade dos 3,3 mil milhões que constituem a força de trabalho a nível global) correm o risco de perder, desde já, os seus rendimentos. O nível de pobreza está já a aumentar.

Analisando os dados mais recentes, a OIT mostra-se mais pessimista nas suas previsões. Em três semanas, as previsões no corte de horas de trabalho no 2.º semestre equivaliam a 195 milhões de empregos a tempo inteiro. Agora, apontam para 305 milhões, ou seja, uma quebra nas horas de trabalho perdidas de 10,5% em relação ao período pré-crise, o último trimestre de 2019.

A queda deve-se ao prolongamento e extensão das medidas de confinamento. As regiões mais atingidas são as Américas, Europa e Ásia Central.

Segundo a OIT, o eventual aumento do desemprego a nível global este ano vai depender de como a economia mundial se porta no segundo semestre e de como é que as medidas políticas vão preservar o emprego e fomentar o aumento de mão de obra quando a retoma da atividade se iniciar.

Mais de 400 milhões de empresas em risco

Cerca de 47 milhões de empregadores - 54% do total mundial - têm empresas ou negócios nos sectores mais duramente atingidos pela pandemia: indústria, hotelaria e restauração, comércio por grosso e retalho e serviços.

A eles juntam-se mais 389 milhões de trabalhadores por conta própria. Ou seja, 436 milhões de empresas, em todo o mundo, pertencem aos setores mais afetados pela COVID-19. Metade delas opera no comércio a retalho; 111 milhões, na produção; 51 milhões no alojamento e restauração/alimentação e 42 milhões, na área imobiliária e de serviços.

Os mais vulneráveis estão na economia informal, sem direitos e sem meios de subsistência

Mais de dois mil milhões de pessoas trabalha na economia informal em empregos com pouca ou nenhuma proteção social, o que as impede de ter acesso a serviços de saúde, subsídios de doença ou desemprego, quando não trabalham, nomeadamente, por confinamento. A maior parte não pode fazer teletrabalho, pelo que ficar em casa, para estes trabalhadores, significa perder o emprego, não receber e não poder comer.

Segundo a OIT, há uma semana, cerca de 1,1 mil milhões de trabalhadores da economia informal vivia em países em total confinamento e outros 300 milhões, em países em confinamento parcial. A organização estima que 1,6 milhões de pessoas - três quartos do emprego informal do mundo - estão a ser afetadas pelos estados de emergência e/ou trabalha nos setores mais atingidos pela pandemia.

Entre todos, as mulheres são as mais sacrificadas: representam 42% da força de trabalho nesses setores. A OIT estima que no primeiro mês da crise estes trabalhadores tiveram uma quebra média nos rendimentos de 60%, embora seja varável conforme a situação económica dos países. A nível regional essa queda ultrapassa os 80% em África e nas Américas, roda os 22% na Ásia e Pacífico e os 70% na Europa e Ásia Central.

A Organização Internacional do Trabalho alerta que “sem fontes alternativas de rendimento, essas pessoas e as suas famílias não terão como sobreviver. A pobreza relativa vai aumentar e a nível global deverá situa-se nos 34%, embora com disparidades entre países.

Guy Ryder, o Diretor Geral da OIT, alerta que “para milhões de trabalhadores, não ter salário significa não ter comida, segurança ou futuro. Não têm recursos financeiros ou acesso ao crédito. Se não ajudarmos agora, perecerão”.

Medidas urgentes, precisam-se

À semelhança do que já fez nos dois anteriores relatórios, a OIT apela à adoção de medidas urgentes, direcionadas e flexíveis, que tenham como alvo os trabalhadores e as empresas, especialmente ad micro e pequenas, as da economia informal e outras, em situação mais vulnerável.

Por outro lado, as medidas para a reativação económica devem centrar-se no apoio ao emprego, com sistemas de proteção social com melhores recursos e mais abrangentes. A coordenação internacional sobre pacotes de estímulo e medidas de alívio da dívida, na opinião da OIT, é essencial para que a recuperação seja eficaz e sustentável.

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