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​Mariana Vieira da Silva: "Uma caminhada de alguns minutos não é ir passear para o sol"

23 mar, 2020 - 09:10 • Anabela Góis (entrevista), Eduardo Soares da Silva (texto)

Ministra da Estado e da Presidência critica, em entrevista à Renascença, os ajuntamentos de pessoas que se verificaram este fim-de-semana e anuncia reforço da linha de apoio à vítima.

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Mariana Vieira da Silva, ministra de Estado e da Presidência, critica, em declarações no programa da Renascença "As Três da Manhã", os ajuntamentos de pessoas que se verificaram este fim de semana e reforça que as sete detenções realizadas pelas forças de segurança foram casos em que as pessoas estavam obrigadas a estar em casa.

"É preciso usar estas primeiras horas para explicar às pessoas. Foi isso que as forças de segurança fizeram, de forma pedagógica. As detenções foram os casos que correspondem a pessoas que tinham de estar em casa e não estavam. A definição de um estado de emergência não alivia a responsabilidade individual de nos protegermos a nós próprios e aos outros. A lei prevê que as pessoas possam dar uma volta ao quarteirão, faz parte das recomendações médicas uma caminhada de alguns minutos, mas isso não é ir passear para o sol", adverte.

Sobre a ação do governo em lares, depois de um estabelecimento em Famalicão ter acusado oito infetados com Covid-19, a ministra acredita que o governo não agiu demasiado tarde em relação aos lares.

"A nossa ação nos lares começou muito cedo, quando foram proibidas as visitas. Não posso aceitar a ideia que não foi tida nenhuma ação. À medida que aumentam o número de casos, começamos a ter mais problemas. A todas as instituições foi pedido que desenhassem um plano de contingência. É preciso continuar a acompanhar, porque os idosos são um grupo de risco, mas as pessoas não podem ser enviadas para casa, porque se estavam num lar, é porque não têm condições para ser acompanhadas em casa", esclarece.

Linha de apoio à vítima reforçada

A ministra de Estado e da Presidência garante que a linha de apoio à vítima foi reforçada, numa altura em que o confinamento no domicílio aumenta o risco de casos de violência doméstica.

"Temos trabalhado no sentido de alargar a rede de apoio à vítima. Sabemos que momentos como este, em que as pessoas estão confinadas ao espaço familiar, são momentos de risco. Estamos a funcionar, com mais capacidade de resposta na linha telefónica. O estado de emergência não significa que não continue o apoio às vítimas de violência doméstica", diz.

Impulso à economia

Mariana Vieira da Silva reforça a ideia do governo que a economia deve continuar, apesar dos esforços para conter o vírus.

"Há um equilíbrio entre controlar o vírus, ao mesmo tempo que a vida deve continuar para existirem coisas nos supermercados e lares a funcionar. É preciso pessoas a trabalhar. Hoje é o primeiro dia útil depois da declaração do estado de emergência. Há um conjunto de cafés e comércio que já estão fechados. É um passo significativo, julgamos que não era preciso outras medidas, para já, porque uma economia a funcionar é importante para a saúde do país", explica.

O objetivo do governo é evitar despedimentos coletivos nas empresas, principalmente nas que estão fora do ativo: "Queremos criar condições para que as empresas consigam manter o emprego, principalmente nas que mandamos encerrar. Essa é a mensagem que pedimos às empresas, que percebam que é um contexto em que todos temos de colaborar. Criamos medidas para estabilizar as empresas", remata.

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  • Anibal Januario
    23 mar, 2020 paúla 15:32
    Como se pode pedir que a economia funcione se um serviço público de transportes, BOA VIAGEM, a medida que toma é reduzir drasticamente a oferta de transportes de tal modo que pessoas a 50 km de Lisboa não podem trabalhar por falta dos mesmo.

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