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CNN paga indemnização a jovem católico falsamente acusado de gozar com líder tribal

08 jan, 2020 - 16:12 • Filipe d'Avillez

Nicholas Phillips chegou a ser condenado pelo seu bispo e recebeu ameaças de morte quando o vídeo do seu encontro com um líder tribal norte-americano foi mal interpretado pelos meios de comunicação.

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Um rapaz que foi falsamente acusado, em janeiro de 2019, de gozar com um líder nativo-americano em Washington, à margem da Marcha Pela Vida em Washington, vai receber uma indemnização da CNN, um dos órgãos de informação que ajudou a espalhar a desinformação.

As primeiras imagens que circularam mostravam um homem que mais tarde foi identificado como Nathan Phillips, um líder tribal norte-americano, a tocar um tambor e a entoar cânticos tradicionais. À sua frente encontra-se Nicholas Sandmann, um jovem católico que tinha estado a participar na Marcha Pela Vida. Os dois estão cara-a-cara e Sandmann tem um sorriso que foi interpretado como sendo de gozo e um boné que diz “Make America Great Again”, uma frase associada aos apoiantes de Donald Trump.

Nas primeiras reações a cena foi interpretada com se Sandmann se tivesse colocado diante do manifestante nativo-americano para gozar com ele e chegou a ser dito que os outros alunos que os rodeiam, e que incluem vários outros que ostentam o mesmo boné, estavam a intimidar Phillips e que cantaram “constrói o muro”, numa alusão ao muro de separação na fronteira do México que foi um dos grandes trunfos da campanha de Trump.

Graças a vários órgãos, incluindo a CNN, o vídeo tornou-se viral. Sandmann e outros receberam ameaças de morte e até o bispo da sua diocese e a escola católica que frequentava condenaram a atitude do aluno.

Mais tarde, porém, surgiram vídeos que revelaram que a narrativa inicial estava muito incompleta. As imagens não editadas mostram que perto do local estava uma manifestação de um movimento chamado “Black Hebrews”, que defendem que os negros são os verdadeiros herdeiros do povo de Israel e que tendem a adotar uma atitude hostil contra pessoas de outras etnias. Os membros dos Black Hebrews são ouvidos a lançar vários impropérios contra o jovens da escola católica de Convington, que estavam a aguardar o autocarro para os levar do local. Durante todo o incidente os rapazes permanecem impávidos e nunca respondem aos insultos de que são alvo.

A dada altura, e ao contrário do que sugeria a narrativa inicial, é Phillips quem vai ao encontro dos alunos e que se coloca diante deles a tocar o tambor nas suas caras e a cantar. Perante esta atitude o jovem Sandmann limita-se a olhar para Phillips e sorrir. O jovem diz que estava a tentar acalmar a situação, não dizendo nada nem respondendo ao que lhes pareceu ser uma provocação. Em parte alguma se ouvem, ao contrário do que tinha sido noticiado, cânticos ofensivos ou alusivos ao muro de separação, por parte dos alunos.

Quando se tornou evidente que a interpretação inicial tinha sido errada várias das pessoas que tinham condenado os jovens, e Sandmann em particular, pediram desculpa. A sua escola e o seu bispo disseram mesmo que não se deviam ter deixado pressionar para fazer uma declaração a criticá-lo, antes de serem conhecidos os factos todos.

Sandmann, contudo, levou vários órgãos de informação a tribunal, pedindo uma indemnização de 275 milhões de dólares, perto de 250 milhões de euros.

Esta quarta-feira o jovem obteve o seu primeiro sucesso, chegando a um acordo com a CNN, por um valor que não foi divulgado, para desistir do processo.

A notícia já foi confirmada pelo próprio Sandmann e pela CNN, que diz que o acordo permitiu evitar um processo judicial longo e caro e de resultado “incerto”.

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