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Bispo rejeita pretensões de movimento que queria reintegração de padre de Abrantes condenado

12 ago, 2019 - 14:14 • Lusa

D. Antonino Dias diz que sugeriu ao padre que colocasse o lugar à disposição, mas este não o fez, obrigando o bispo a afastá-lo.
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A diocese de Portalegre-Castelo Branco rejeitou as pretensões de um grupo de cidadãos de Abrantes que tinha apelado à reintegração do padre José da Graça, dispensado de funções depois de condenado em tribunal por burla e falsificação de documentos.

Em comunicado publicado no site da Diocese, onde dá conta de ter recebido em audiência o grupo de cidadãos, o bispo D. Antonino Dias reitera a dispensa do pároco de 76 anos, 34 dos quais dedicados às paróquias de São Vicente e São João, em Abrantes, confirma que os motivos da dispensa estão relacionados com as acusações em tribunal que sobre si pendiam, e anuncia ainda a publicação de um decreto que coloca o padre José da Graça como vigário em Portalegre.

"Fui sempre ao seu encontro, como seu amigo e seu bispo, para pensarmos juntos a melhor solução, dando-lhe a entender que, perante as acusações que contra ele pendiam, melhor seria colocar, publicamente, o seu lugar à disposição, mesmo que não se sentisse ou fosse culpado, pois a responsabilidade não deixava de ser sua", pode ler-se no comunicado, onde acrescenta que, "porque [o padre] manteve sempre a sua posição, não me deixou qualquer outra alternativa".

D. Antonino Dias diz ainda saber que o padre José da Graça "recorreu da sentença e goza da presunção de inocência até que o acórdão transite definitivamente em julgado", tendo, no entanto, afirmado ter feito o que entendeu "dever fazer", ou seja, afastar o religioso.

O sacerdote, de 76 anos, foi condenado em 12 de junho a cinco anos de prisão, com pena suspensa por igual período, pelos crimes de burla qualificada, burla tributária e falsificação de documentos, num esquema que terá lesado o Estado em cerca de 200 mil euros através do Centro Social Interparoquial de Abrantes, instituição da qual era presidente.

Na missiva, o bispo dá conta que o padre José da Graça "disse que não aceitaria qualquer outra nomeação", tendo-lhe pedido "que escolhesse residir no Seminário de Alcains ou de Portalegre, onde muito poderia colaborar na pastoral" local.

"Porque não fez qualquer opção, agora, no decreto de 6 de agosto consta a sua nomeação como vigário paroquial da Paróquia da Sé de Portalegre", decisão que, segundo o documento, deverá ser cumprida até ao dia 15 de setembro.

Questionado pela Lusa sobre se iria assumir as novas funções, o cónego José da Graça optou por não prestar declarações "neste momento".

A posição do bispo tem sido criticada pelo porta-voz do movimento "MOSAR-CJG "(Movimento Social de Apoio e Reconhecimento ao Cónego José da Graça).

"A reunião com senhor bispo foi uma autêntica desilusão, não mostrou qualquer tipo de abertura para encontrar uma solução pacífica, e esta posição pública do responsável máximo pela Diocese, que mantém a tentativa de afastamento do padre José da Graça, vai ser contestada e vai para Tribunal Canónico", disse à Lusa Domingos Chambel, que assegura que o religioso não vai sair de Abrantes.

Em comunicado, o MOSAR-CJG lembra que o movimento tem uma "forte adesão que ultrapassa já largamente o milhar de abrantinos" que defendem a "continuidade do cónego José da Graça" e faz notar que "a sentença [...] não tem como base a prática do ilícito, mas a sua responsabilidade hierárquica e administrativa da instituição, a qual, tem como responsável máximo o sr. bispo".

Nesse sentido, "considerando que o Sr. Cónego José da Graça em nada beneficiou ou tirou vantagem económica para si, direta ou indiretamente, com o pretenso ilícito, o qual, se verificado, teve como último e único beneficiário a instituição pertencente à Diocese, da qual o sr. bispo é o responsável máximo, como consta dos Estatutos do Centro Social Interparoquial de Abrantes", o porta-voz do movimento de cidadãos entende que "é o próprio bispo quem tem de assumir as suas responsabilidades" hierárquicas e "colocar o lugar à disposição ou pedir a demissão".


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  • Carlo Dias Ferreira
    15 ago, 2019 Abrantes 19:47
    Gostaria de saber o que sabe de concreto o comentador de Braga sobre o assunto do Sr Cónego José da Graça para emitir uma opinião baseada naquilo que viu ou ouviu. Que se saiba a obra do Cónego José da Graça em Abrantes está à vista de todos e da comunidade, acredito que haja pessoas e entidades que tenham "inveja" do trabalho feito e realizado até agora. O que vale mais para o Bispo a vontade dele próprio ou da comunidade? Alerto que neste país já ouve pessoas e entidades que prevaricaram e continuam nos seus postos como nada se tivesse passado.
  • A Martins
    14 ago, 2019 Braga 18:56
    A demagogia é uma doença que se espalha por todo o lado e o porta voz do tal "movimento de cidadãos", de Abrantes, devia ter um pingo de vergonha na cara, quando pretende atribuir ao Sr. bispo a responsabilidade que pertence a outrem e que pelos vistos, aos olhos da justiça, se provou ter prevaricado. Haja decoro!