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Padre de Abrantes dispensado depois de condenação em Tribunal

01 ago, 2019 - 12:03 • Ângela Roque

O bispo de Portalegre-Castelo Branco diz que a decisão foi tomada “em consciência, e não de ânimo leve”, segundo o que lhe “pareceu melhor para a missão da Igreja” e espera que a situação não ponha em causa a “obra social admirável” que o sacerdote deixou na região.

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O bispo de Portalegre-Castelo Branco decidiu retirar as funções de pároco a um padre condenado em tribunal por uma burla de 200 mil euros.

O afastamento do até agora pároco de São Vicente e São João, em Abrantes, está relacionado com o processo judicial em que se viu envolvido, confirmou à Renascença o bispo de Portalegre-Castelo Branco, D. Antonino Dias.

Segundo o “Correio da Manhã” o cónego José da Graça, de 76 anos, foi condenado a cinco anos de prisão, com pena suspensa, pelos crimes de burla qualificada, burla tributária e falsificação de documentos. De acordo com o jornal, o Tribunal de Santarém “deu como provado que orquestrou um esquema ilícito que conseguiu sacar ao Estado 200 mil euros em apoios ilegais, através do Centro Social Interparoquial de Abrantes”, instituição da qual era presidente.

A dispensa do sacerdote foi oficializada na segunda-feira, 29 de julho, quando foi divulgada a lista de nomeações para o novo ano pastoral, que indica que o cónego José da Graça foi “dispensado de Pároco das paróquias de S. Vicente e São João de Abrantes, de Capelão da Unidade Hospitalar de Abrantes do Centro Hospitalar do Médio Tejo e de Capelão da Corporação dos Bombeiros Municipais de Abrantes”.

Num comunicado intitulado “Razões da decisão”, publicado também no site da diocese, o bispo D. Antonino Dias começa por sublinhar que o padre José da Graça “criou e consolidou” em Abrantes “uma obra social admirável”, que “não está nem fica em causa”, e que a diocese e a cidade “devem-lhe muito e sabem reconhecer isso”.

“Ele faz parte da sua história e do seu presente e continua no exercício pleno do seu sacerdócio, ainda que, por ora, não aceitasse outra nomeação”, escreve ainda o bispo, garantindo que a sua dispensa foi devidamente ponderada.

“As decisões tomadas nem sempre agradam a todos”, explica D. Antonino, garantindo que esta foi assumida “em consciência, e não de ânimo leve”, e que optou pelo que lhe pareceu “melhor para a missão da Igreja, para o bem dos fiéis e do presbitério e para a maior Glória de Deus”.

D. Antonino finaliza o comunicado dizendo esperar que “este desassossego não ponha em causa a grandeza da obra construída pelo cónego José da Graça”, e que o padre António Martins Castanheira, que o vai substituir, tenha “o devido acolhimento fraterno”.

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  • Nuno
    02 ago, 2019 Castelo branco 08:46
    Seria esperar demais que a emissora católica nacional escrevesse bem o nome da diocese? Seria esperar de mais que a emissora católica nacional que nunca quer saber da igreja no interior também não alinhasse na notícia fácil?