Tempo
|
A+ / A-

Jornada Mundial da Juventude

JMJ é fruto da onda juvenil católica “que é maior do que a onda da Nazaré", diz cardeal

07 abr, 2019 - 18:34 • Maria João Costa

Cardeal patriarca de Lisboa em diálogo direto com os jovens, em Óbidos, na Jornada Diocesana da Juventude, é questionado sobre homossexualidade, casamento e a Jornada Mundial da Juventude.

A+ / A-

Quase uma hora de conversa, sem papas na língua. O Complexo Desportivo de Óbidos encheu-se de jovens que vieram ouvir e questionar o cardeal patriarca de Lisboa. D. Manuel Clemente foi o protagonista do encontro da Jornada Diocesana da Juventude do Patriarcado de Lisboa. A tarde terminou com a celebração de uma missa, mas antes, D. Manuel Clemente respondeu a perguntas colocadas pelos jovens

Sentaram-se no chão para ouvir o cardeal. Sempre que colocavam uma pergunta a D.Manuel Clemente levantavam-se e foram levantando questões que os inquietam, desde logo a questão da homossexualidade. Um dos jovens perguntou ao cardeal diretamente: “Qual a posição da Igreja sobre a homossexualidade?”

D.Manuel Clemente começou por explicar que “o ser humano manifesta-se no feminino ou no masculino”, contudo, o cardeal logo acrescentou que “certo que isto que se diz rapidamente, depois em alguns percursos existenciais, não é assim tão fácil de se verificar”.

No entender da Igreja, segundo o cardeal “o ideal é que haja uma unidade psíquico-física”, mas nas palavras de D. Manuel Clemente “nem sempre é fácil e pode haver um choque” que acrescenta o cardeal “percebemos, respeitamos”, lembrando contudo, que o ideal é manter a tal unidade psíquico-física”.

Jornada Mundial da Juventude de Lisboa

Questionado sobre a Jornada Mundial da Juventude que Lisboa vai acolher dentro de 3 anos referiu que “a expectativa é imensa”. O cardeal patriarca começou por revelar que “a preparação começou há muitos anos” e recordou que completa 20 anos como bispo e que quando entrou “já havia essa aspiração”. D.Manuel Clemente lembrou que quando escreveu ao Papa Francisco a dizer que estavam disponíveis para organizar, se questionou “o que fui eu fazer?!”, porque “passados dois meses tinha a resposta” do Vaticano com o sinal verde para avançar.

“Aguentou-se o silencio durante quase um ano e só em novembro é que a coisa transpirou para os media” contou aos jovens reunidos em Óbidos. Nas palavras de D. Manuel Clemente esta “é uma onda juvenil que é importante surfar.” Para o cardeal que esteve no Panamá a participar na ultima Jornada Mundial, este encontro mundial que vai ter lugar em Lisboa em 2022 “é fruto desta onda juvenil católica que desde há uma dúzia de anos se tem agigantado e que é ainda maior do que aquela onda da Nazaré”.

Para o cardeal há uma “movimentação juvenil católica muito importante” e a Jornada Mundial em Lisboa vai envolver “milhares de adolescentes, jovens e adultos”. Questionado sobre o recente encontro do Sínodo dos bispos em Roma, D. Manuel Clemente voltou a sublinhar a importância do protagonismo dos jovens. “Os jovens não são apenas o futuro da Igreja, os jovens são um exemplo de Igreja, são o presente da Igreja” referiu o cardeal que lembrou que já passou os 70 anos de idade.

Referindo-se á última exortação do Papa, Clemente indicou que “A linha condutora da exortação do Papa é o reconhecimento do protagonismo juvenil”

Perante muitos escuteiros, foi também levantada a questão do casamento. Uma jovem queria saber a opinião do cardeal sobre o casamento sem filhos. “O matrimónio cristão é a unidade homem, mulher” e essa unidade “deve ser fecunda”. No caso de algumas mulheres que não conseguem ter filhos referiu, D.Manuel Clemente há casais que optam pela adopção ou por se dedicarem a outras causas pelo bem de toods.

A conversa que decorreu em dia bem invernoso em Óbidos, terminou com os jovens reunidos no exterior do Complexo Desportivo para que fosse tirada uma fotografia conjunta aérea, foto essa na qual D. Manuel Clemente também participou antes de celebrar missa.

Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.