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Hells Angels. Juiz põe 39 arguidos em prisão preventiva

18 jul, 2018 - 15:44

No Campus da Justiça, em Lisboa, o magistrado enviou 39 arguidos para prisão preventiva. Os restantes 19 detidos terão de se apresentar diariamente às autoridades.

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O juiz de instrução criminal decretou, esta quarta-feira, prisão preventiva para 39 dos 58 detidos do grupo de motards Hells Angels. Os restantes 19 elementos, ouvidos no Campus de Justiça, em LIsboa, vão ficar em liberdade mas sujeitos a apresentações diárias às autoridades.

Segundo um advogado de defesa, os arguidos que ficam em liberdade estão proibidos de participar na concentração do Moto Clube de Faro, que decorre entre quinta-feira e domingo.

Dos arguidos que ficam em prisão preventiva, quatro podem passar a prisão domiciliária com pulseira eletrónica, dependendo de um aval dos serviços prisionais.

Os arguidos estão indiciados por associação criminosa, tentativa de homicídio, roubo, ofensa à integridade física e tráfico de droga. O Ministério Público tinha pedido prisão preventiva para 54 dos 58 detidos em Portugal, segundo um dos advogados de defesa.

Um 59.º elemento encontra-se detido na Alemanha.

A investigação do caso dos Hells Angels foi elaborada pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) e pela Unidade Nacional de Contraterrorismo da Polícia Judiciária. Os mandados de busca e de detenção foram executados esta quarta-feira.

Os advogados de defesa já prespetivavam que as medidas de coação a aplicar fossem privativas da liberdade, tendo em conta as concentrações de motociclistas que se realizam este mês em Faro e novamente em agosto em Góis.

Medidas excessivas, diz a defesa

O advogado de 20 dos 58 arguidos do grupo de motociclistas Hells Angels considerou excessiva as medidas de coação, tendo em conta a escassez de factos apresentados pelo Ministério Público, e admite recorrer das prisões preventivas.

À saída do TIC, José Carlos Cardoso, advogado de 20 arguidos, disse aos jornalistas que vai avaliar o despacho da juíza Maria Antónia Andrade para decidir sobre a possibilidade de recorrer das prisões preventivas aplicadas a 13 dos seus clientes, tendo os restantes sete ficado com apresentações periódicas às autoridades.

Este advogado reconheceu que as medidas de coação não foram tão gravosas como aquelas que o Ministério Público tinha pedido, mas acabaram por ser mais pesadas do que aquelas que foram solicitadas pela defesa.

José Carlos Cardoso disse também que "qualquer advogado não pode ficar satisfeito quando tem constituintes que são privados da liberdade".

Outro dos advogados, Túlio Araújo, disse aos jornalistas que o processo apresenta "muitas fragilidades" e vai ter "muitas mutações que serão a favor dos arguidos detidos", sublinhando que as provas que existem no processo são circunstanciais e as imputações aos arguidos "não estão devidamente individualizadas".

Para o advogado Correia de Almeida, na aplicação destas medidas de coação "pesou muito" a questão do alarme social.

Correia Almeida, que tem vários clientes entre os detidos, também admite recorrer e sustentou que "a pressa não foi boa conselheira".

Já o advogado João Martins Leitão congratulou-se que não tenha sido aplicada a prisão preventiva à generalidade dos arguidos, como aconteceu recentemente no caso da invasão à academia do Sporting, em Alcochete.

[notícia actualizada com mais informação às 18h15]

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