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20 anos da Expo 98

Um Parque das Nações quatro palmos abaixo do chão

21 mai, 2018 - 08:00 • Dina Soares , Joana Bourgard

Há dois caminhos para ir do Hospital Cuf Descobertas até à Ponte Vasco da Gama. Pelas avenidas do Parque das Nações ou através das galerias técnicas, um conjunto de túneis que rasga o subsolo de todo o território de intervenção da antiga Expo.A Renascença recorda a Expo com 20 histórias da maior intervenção feita na cidade de Lisboa desde o terramoto de 1755.

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Ana Veloso espera-nos, de capacete branco e colete fluorescente, no meio da Alameda dos Oceanos, junto a um pequeno alçapão com a tampa aberta, dentro do qual se vê uma escada amarela. É ela a anfitriã da nossa visita. Funcionária da Câmara Municipal de Lisboa, trabalha no departamento que gere as galerias técnicas do Parque das Nações. “É por aqui que se entra num admirável mundo novo, para vocês e para muitas pessoas que vêm de todo o mundo fazer esta visita.”

Urbanistas, professores e estudantes universitários, técnicos das mais variadas áreas e até turistas visitam as enormes galerias técnicas em busca de inspiração para as suas cidades. Ana Veloso conduz muitas destas visitas e já está habituada ao espanto de quem percorre os túneis. “Que eu tenha conhecimento, esta é a estrutura deste género de maior dimensão em todo o mundo.”

O lixo viaja sozinho entre as casas e os contentores

Com mais de seis quilómetros de comprimento, quatro de largura e três de altura, os túneis, construídos a 80 centímetros da superfície, acolhem toda a cablagem destinada a uma dezena serviços diferentes. É por ali que passa a fibra ótica destinada às comunicações, a rede elétrica, as canalizações da água, a rega dos espaços verdes, os sistemas de segurança e uma parte do controlo dos semáforos.

Também estão ali instalados dois outros serviços que são únicos na cidade e em todo o país. Um desses serviços é a recolha do lixo, feita por sucção, diretamente dos prédios para os contentores. O lixo indiferenciado, que pode ser enviado para este sistema a qualquer hora, e os resíduos destinados à reciclagem – papel e plástico – cuja recolha tem dias certos.

Uma alternativa ao ar condicionado

O segundo serviço inovador é o sistema de climatização dos edifícios, feito através de 6400 metros de tubagens de água quente e fria, que aquecem ou arrefecem os espaços, consoante as necessidades, dispensando a utilização de aparelhos de ar condicionado. O sistema é tão eficaz que até as estruturas maiores, como o Altice Arena ou o Centro Comercial Vasco da Gama recorrem a ele para controlarem a temperatura interior.

As galerias técnicas do Parque das Nações foram feitas a seguir à limpeza dos terrenos e ainda antes da construção dos edifícios começar. De fora, ficaram apenas a distribuição do gás, por questões de segurança, e os esgotos, porque necessitam de canalizações inclinadas. Vinte anos depois, este sistema continua a ser quase revolucionário. Ana Veloso acredita que é uma semente das cidades do futuro que, um dia, serão todas verdes e sustentáveis.

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