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“Houve falhas” no SIRESP? "Lógico que houve", dizem bombeiros

27 jun, 2017 - 18:45

Continua a polémica sobre se a rede do SIRESP falhou ou não no momento crucial dos incêndios de Pedrógão Grande, que deixaram 64 mortos e mais de 200 feridos.

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O comandante dos Bombeiros Voluntários de Pedrógão Grande, Augusto Arnaut, garantiu esta terça-feira à agência Lusa que “houve falhas” no Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP).

A SIRESP, empresa privada que gere a rede de comunicações de emergência do Estado, assegurou esta terça-feira que "não houve interrupção no funcionamento da rede" nem "houve nenhuma estação do sistema que tenha ficado fora de serviço em consequência do incêndio" que matou 64 pessoas na zona Centro.

Augusto Arnaut discorda do diagnóstico positivo. “Eu já reportei a quem de direito. Passados dois dias, reportei a quem de direito”, afirma.

O comandante dos Bombeiros Voluntários de Pedrógão Grande não se quis alongar mais em considerações sobre o funcionamento do SIRESP, limitando-se a reafirmar que reportou a situação “a quem de direito”.

"É lógico que houve falhas"

Também o comandante dos Bombeiros Voluntários de Castanheira de Pera, José Domingues, contrariou a entidade operadora do SIRESP e sublinhou que “houve falhas”.

“É lógico que houve falhas”, disse à agência Lusa José Domingues, reagindo ao relatório de desempenho do Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP).

Segundo o comandante de Castanheira de Pera, terá havido "sobrecarga" dos canais ou a própria "falha das redes" levou às dificuldades de comunicação.

"Só ao fim de quatro, cinco ou seis insistências é que conseguíamos comunicar com os operacionais ou com o posto de comando", frisou José Domingues, referindo que o sistema devia estar preparado para a quantidade de comunicações realizadas durante o combate às chamas que afectaram o interior norte do distrito de Leiria.

Desenrasque

Em declarações à Renascença, o comandante dos Bombeiros Voluntários de Pampilhosa da Serra reconhece que o sistema antigo acabou por ser útil em muitas situações.

“Da nossa parte notámos bastantes falhas no SIRESP em termos de distância, por exemplo do posto de comando para alguns pontos do nosso concelho o sinal não chegava. Como ainda trabalhamos com a banda alta, com a ROB, conseguimos desenrascar-nos. Em termos em trabalho afectou um pouco, porque acredito que 90% dos corpos de bombeiros está a trabalhar com o SIRESP”, refere Marco Alegre.

Já o comandante dos bombeiros voluntários de Figueiró dos Vinhos Paulo Nogueira diz que as falhas já tinham sido reportadas. “Quando foi criado o SIRESP, foram reportadas quais as zonas sombras do concelho. Fizemos um mapa e foram reportadas quais as zonas.”

Visões contraditórias

O relatório de desempenho do Sistema Integrado das Redes de Emergência e Segurança em Portugal, publicado esta terça-feira no Portal do Governo, surge depois de ter sido conhecida a "fita do tempo" da Protecção Civil relativa aos eventos dos dias do fogo.

Segundo a Protecção Civil, no primeiro dia do incêndio de Pedrógão Grande aconteceram, pelo menos, cinco situações graves em que não foi possível contactar o posto de comando devido a falhas nas comunicações.

O sistema "correspondeu e esteve à altura da complexidade do teatro das operações, assegurando as comunicações e a interoperabilidade das forças de emergência e segurança", referiu, por seu turno, a empresa SIRESP.

[Notícia actualizada às 19h29]

Comentários
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  • tio
    28 jun, 2017 lx 14:12
    O velho sistema VHF é que funciona num país cheio de altos e baixos, c/ o guito gasto no siresp tinha-se feito uma rede sem sombras, mas enfim é os politicos que temos a decidir pelos técnicos.
  • sara
    27 jun, 2017 Lisboa 21:49
    Umas das maiores falhas que ocorreram foram os srs bombeiros demorarem muito tempo a tomar decisões, ir apagar o fogo e não ligar as condiçoes atmosfericas.....gostava tanto de ouvi-los quando há colegas deles a serem apanhados a por fogo.Fizeram um mapa?então, os bombeiros até sabem e conhecem zonas problematicas...então,...tanto tempo para actuar?
  • Maria Santos
    27 jun, 2017 Almada 21:01
    Esta empresa deve ser indiciada por crime assim como os políticos que que permitiram a sua constituição e pela qual já pagámos mais de 500 milhões de euros, Mais a floresta que tem ardido, as pessoas que têm morrido e que ficaram sem familiares, Mais... TANTO, TUDO ... DOR!

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